Cel Costa Filho
Terça, 02 de setembro de 2014, 00:00 h - Atualizado em 02/09, 00:00 h

Qual vida vale mais?

*Cel. Costa Filho

Cel Costa Filho:Curitiba
Autor: Redação
Foto: Vera Rosa/VRNews

Apesar de ser uma pergunta que nunca deveria ser feita, na pratica sem que percebamos a estamos respondendo todos os dias, pois ao lermos uma matéria sobre uma ou mais pessoas que foram mortas em uma região pobre de nossa periferia, a grande maioria da população em virtude do volume cada dia mais crescente de homicídios, os quais já se tornaram corriqueiros e principalmente porque em sua quase totalidade os autores não serão identificados e mesmo que sejam, a probabilidade de serem os mesmos presos e condenados é mínima, até mesmo os próprios parentes das vítimas pelas conjunturas sociais em que vivem ou simplesmente sobrevivem acabam considerando essas mortes como algo ¨normal¨ e da mesma forma o restante da população também não se importa muito, apenas considera mais um crime que irá ficar sem solução e como eles ocorrem ¨longe¨ não incomodam muito, mas quando o crime ocorre em uma região onde por sua infraestrutura os índices de criminalidade, em particular homicídios, são raros, um crime com certeza irá provocar uma reação de revolta e de cobrança contra os responsáveis pela Segurança Pública.

Infelizmente o que deveria ser uma rotina onde todos pudessem fazer o mesmo tipo de cobrança e ter o mesmo nível de resposta, por uma questão econômica e social apesar dos mais pobres terem o acesso garantido aos órgãos públicos eles não tem a ¨força¨ para cobrar uma resposta eficiente e eficaz para seus direitos, pois como o Estado está incapacitado para atender a todas as demandas geradas pelos altos índices de criminalidade, acaba atendendo apenas as cobranças onde o poder econômico e social são mais fortes, ou seja, as regiões mais pobres sempre receberão as mesmas respostas estamos tomando todas as providências necessárias para resolver o seu caso mas em virtude do grande volume de crimes e pela falta de efetivo pedimos a sua compreensão e faremos tudo que estiver ao nosso alcance, ou seja, até poderá ser resolvido, mas não será montado nenhuma força tarefa, enquanto que nos locais economicamente mais estruturados a resposta será uma investigação rápida e com a solução devidamente alardeada para a imprensa para demonstrar a competência com que o Estado age quando um crime que “abalou” a sociedade ocorre e poder demonstrar a eficiência da polícia, a qual é decorrente dos investimentos realizados em Segurança Pública pelo seu governante.

Tal comportamento por parte do Estado se comprova ao analisarmos os números de homicídios aonde os autores vão a julgamento em nossa cidade (Curitiba) conforme publicado em matéria da Gazeta do Povo que após levantamento realizado constatou que de cada 23 homicídios, apenas 01 vai a julgamento.
Se esses números não representam a falência do Estado em relação ao controle da violência, não sei o que podemos esperar para o futuro de nossa segurança, a não ser continuarmos valorando a vida de acordo com o local onde a mesma é perdida.


*Cel. Costa Filho - Consultor de Segurança do SINDESP (Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado do Paraná); Chefe do COPOM (Centro de Operações da Polícia Militar) – 190; Diretor de Logística da Polícia Militar e membro do Programa Estadual de Proteção a Testemunhas.



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