Jorge Marcondes
Sexta, 24 de junho de 2016, 00:00 h - Atualizado em 24/06, 00:00 h

7 estilos de cerveja para o inverno!!!

*Por Jorge Luiz Marcondes

Jorge Marcondes:Empresarial
Autor: Redação
Foto: Divulgação.

 

Como nossa cidade está passando pelo maior frio dos últimos anos, resolvi falar um pouco de alguns estilos que acredito serem bem adequados a este friozinho!!! São estilos dos quais eu gosto bastante, ficando aqui a minha impressão e não uma regra ou lei a ser seguida.

 

Acredito que estas sugestões podem ajudar bastante na hora de vocês harmonizarem aquelas deliciosas opções de pratos para o inverno, assim como se escolherem um bom vinho. Estas características que irei descrever a seguir foram extraídas do Guia BJCP 2015 e representam as características básicas que estes estilos devem conter, mas é bom lembrar que algumas cervejarias e cervejeiros podem dar características bem diferentes das descritas aqui.

 

Como exemplo, eu e meu parceiro o Bruxo Matulle, fizemos a Mulata Jurema, uma Russian Imperial Stout com trigo malteado e defumado pelo meu parceiro. Sou suspeito para falar, mas muitas pessoas adoraram esta cerveja que harmonizou muito bem com salame Blumenau e outras opções de defumados.

 

Mas, vamos ao que interessa, aos estilos em questão. Aqui a ordem específica fica por conta do Guia BJCP, pois antes do nome do estilo vocês irão perceber a indicação para ficar mais fácil de localizar, para aqueles que desejam consultar o guia e buscar mais detalhes, pois aqui vou resumir um pouco para não ficar muito cansativo. Seguem as características que julguei mais importantes.

 

9A. Doppelbock

Uma Lager alemã forte, rica e bastante maltada, podendo ser clara ou escura. As escuras são normalmente mais complexas, trazendo sabores de malte mais pronunciados, enquanto as claras mostram-se mais lupuladas e secas.

 

O aroma de malte é bastante forte, e nas versões mais escuras existe mais aroma de tostado, sendo que um caramelo sutil é aceitável. É um estilo praticamente sem aroma de lúpulo, embora um aroma suave de lúpulo nobre seja aceitável nas versões claras. O frutado deve ser moderadamente baixo (ameixa ou uva) e o malte é opcional nas versões mais escuras. O aroma de chocolate deve ser leve nas versões mais escuras, sem torrado ou queimado. O aroma álcool  deve ser moderado.

 

Na aparência temos desde o dourado profundo até o marrom escuro, sendo que nas escuras normalmente aparecem reflexos rubi quando colocadas contra a luz, e boa transparência devido à sua maturação a frio (lagering). A espuma deve ser abundante, cremosa e persistente, partindo do branco nas versões claras e chegando ao bege claro nas versões mais escuras. Se a versão for mais forte, a retenção de espuma deverá ser regular, exibindo algumas lágrimas.

 

O sabor apresenta-se bastante rico e maltado, mostrando tostados nas versões mais escuras, assim como um leve chocolate opcional, porém, nunca o torrado ou queimado. Um frutado moderadamente baixo de ameixas, uvas e passas pode aparecer em versões mais escuras. Normalmente haverá certa intensidade de álcool, mas sem ser áspero ou quente demais. Nas versões claras pode haver um baixo sabor de lúpulo, mas nenhum nas versões escuras, sendo que o domínio é do dulçor dos maltes no que se refere ao sabor, mas que não deve ser de uma fermentação incompleta. As versões mais claras normalmente possuem um final mais seco que as versões escuras.

A sensação de Boca mostra um corpo de médio-alto a elevado, com carbonatação de moderada a moderadamente-baixa. É muito macia e sem asperezas ou adstringência, mas pode apresentar um leve calor alcoólico.

 

É uma especialidade Bávara que foi elaborada pela primeira vez em Munique no Mosteiro de São Francisco de Paula. Antigamente o dulçor era mais alto e o álcool mais baixo, sendo considerada “pão líquido” pelos monges. O termo “doppel (doble) bock” foi cunhado pelos consumidores.

 

Estatísticas Vitais:

Amargor de 16 a 26 IBUs

Cor de 6 a 25 SRM

Álcool de 7 a 10% ABV

 

Exemplos Comerciais:

Versões Escuras –Andechser Doppelbock Dunkel, Ayinger Celebrator, Paulaner Salvator, Spaten Optimator, Tröegs Troegenator, Weihenstephaner Korbinian.

 

Versões Claras – Eggenberg Urbock 23º, EKU 28, Plank Bavarian Heller Doppelbock.

 

9B. Eisbock

Igual à sua irmã Doppelbock, com uma consistência viscosa e sabores fortes, sendo que o álcool deve se apresentar macio e quente, nunca queimando.

 

O aroma exibe um balanço entre a rica e intensa quantidade de maltes e certa presença de álcool, sem a presença de lúpulo. Pode apresentar ésteres de frutas escuras como uvas passas e uvas, derivados do malte, sendo que os aromas de álcool não devem ser ásperos ou com perfil de solvente.

 

Na aparência vai de um cobre profundo até o marrom escuro, sendo que muitas vezes possui atraentes reflexos de rubi. A fermentação e maturação em temperaturas baixas (lagering) propicia uma boa clarificação, sendo que a espuma vai da cor bege ao marfim. A retenção desta espuma pode ser de moderada a nenhuma, com lágrimas pronunciadas nas laterais do copo.

 

O sabor é ricamente doce e proveniente do malte, balanceado pela significativa presença de álcool. O malte pode ter qualidades tostadas, um quê de caramelo e algumas vezes um leve chocolate, mas sem sabor de lúpulo. O amargor do lúpulo vem somente para compensar o dulçor do malte, somente para evitar que fique enjoativa. Pode apresentar ésteres de frutas escuras, provenientes do malte. O álcool não deve áspero nem quente, ajudando o lúpulo a balancear a intensa presença de malte, sendo que o final deve ser de malte e álcool, mas pode apresentar certa secura proveniente deste álcool.

 

A sensação de Boca mostra um corpo que vai de elevado a muito elevado, com baixa carbonatação e o calor alcoólico significativo, mas que não queima e não é pungente. Não deve apresentar álcool superior (fusel), solvente ou outros quaisquer outros sabores concentrados.

 

É uma tradicional especialidade de Kulmback, que está localizada entre dois rios na região da Baviera, e é elaborada através do congelamento de uma Doppelbock e removendo-se assim o gelo para concentrar o sabor e o teor alcoólico, assim como quaisquer possíveis defeitos.

 

Estatísticas Vitais:

Amargor de 25 a 35 IBUs

Cor de 18 a 30 SRM

Álcool de 9 a 14% ABV

 

Exemplos Comerciais: Kulmbacher Eisbock; Schneider Aventinus Weizen-Eisbock; Alenda Bier Eisbock; Hofstettner Granitbock Ice; SNAB Ijsbok; Hakusekikan Eisbock 25%; Hakusekikan Eisbock 28%; Schorschbock Ice30%; Schorschbräu Schorschbock 31%; Schorschbräu Schorschbock 31% Black Edition.

 

10C. Weizenbock

É uma ale com base em bastante trigo, maltada e frutada, sendo uma Weissbier clara ou escura.

 

Possui versões mais claras e que possuem uma riqueza maltada de pão e tostado, bem como versões mais escuras e com riqueza maltada mais profunda. Os aromas do malte são semelhantes a uma Helles Bock, nas versões claras, mostrando grãos, um dulçor rico e com leve tostado. Odem ainda se parecer com uma Dunkle Bock nas versões mais escuras, trazendo o pão, a riqueza do malte, bastante tostado e um caramelo opcional.

 

A levedura apresenta aroma de banana e especiarias como o cravo e a baunilha, de médio-baixo a médio-alto. Nas versões mais escuras podem surgir as frutas escuras como ameixas, uvas e passas. Já as notas de álcool são aceitável, mas de baixo a moderado, não devendo ser quente nem ter caráter de solvente. O aroma de lúpulo não deve existir, sendo que o malte, a levedura e o álcool devem aumentam a complexidade da cerveja, mostrando um buquê atraente.

 

Na aparência surgem as versões claras indo do levemente dourado ao levemente âmbar claro e as versões escuras indo do âmbar escuro ao marrom-rubi escuro. Característicamente apresentam espuma que vai do branco ao bege-claro, muito espessa, cremosa e de longa duração nas versões claras, e tom de bronze nas versões escuras. O alto teor de proteína do trigo define a tradicional turbidez deste estilo, devido também aos sedimentos suspensos da levedura utilizada.

 

O sabor é semelhante ao aroma, apresentando um rico maltado que vai do médio-alto ao alto, com sabores de pão, de trigo e de grãos, que são bem significativos. Nas versões claras destacam-se as notas de pão, de tostado e de grãos doces, enquanto nas versões escuras os sabores de maltes profundos, são mais ricos em pão ou tostado, com certo caramelo. Existe devido à levedura, um caráter de banana e especiarias como o cravo e a baunilha, que é de baixo a moderado. Nas versões mais escuras aparecem as frutas escuras como ameixas, uvas e passas, principalmente na medida em que estas cervejas envelhecem.

 

Um leve caráter de chocolate é opcional nas versões mais escuras, mas nunca o torrado. Pode aparecer um leve amargor de lúpulo, sendo típico o final seco que geralmente é potencializado por um leve caráter de álcool. A interação do malte, com o fermento e o álcool potencializa a complexidade e a intensidade desta cerveja, que pode ser intensificado com o envelhecimento dela.

 

A sensação de Boca é de um corpo que vai de médio-alto a elevado, com textura espessa ou cremosa típica, um leve aquecimento devido ao teor substancial de álcool, com carbonatação que vai de moderada a alta.

 

A cerveja Aventinus, é uma Doppelbock de trigo com fermentação alta, mais antiga do mundo, pois foi criada em 1907 na Schneider Weisse Brauhaus, em Munique.

 

Estatísticas Vitais:

Amargor de 15 a 30 IBU

Cor de 6 a 25 SRM

Álcool de 6,5 a 9% ABV

 

Exemplos Comerciais:

Escuras – Eisenbahn Weizenbock, Plank Bavarian Dunkler Weizenbock, Penn Weizenbock, Schneider Unser Aventinus.

 

Claras – Plank Bavarian Heller Weizenbock, Weihenstephaner Vitus.

 

17D. English Barleywine

Muito rica e complexa em maltes, bem como, com sabores intensos. Com corpo muito elevado, bastante calor alcoólico e um agradável frutado, ou lupulado interessante. Quando for envelhecida, ela pode assumir sabores como o de vinho do Porto, sendo uma iguaria de inverno.

 

O aroma é muito rico e fortemente maltado, muitas de caramelo em versões mais escuras ou de toffee suave nas versões mais claras. Pode ter um frutado que vai do moderado ao intenso, muitas vezes de frutas escuras ou secas, particularmente em versões escuras. O aroma de lúpulo pode variar de leve a assertivo, sendo tipicamente floral e terroso ou, como marmelada. Notas de álcool podem ser de baixas a moderadas, mas são normalmente suaves e arredondadas, sendo que a intensidade das notas aromáticas, normalmente diminui com o envelhecimento dela. Seu aroma pode ter um caráter rico, que inclui notas de panificação (bready), tostado, toffee, e/ou melaço. Nas versões mais envelhecidas, podem aparecer notas características de sherry, de vinhos como o do Porto, e normalmente aromas de malte mais suaves.

 

Na aparência não devem ser opacas e a cor pode variar de um rico dourado a um âmbar bem escuro, ou até mesmo um marrom escuro ou com reflexos rubi. Devem apresentar de baixa a moderada formação de espuma bege, com baixa retenção. A turbidez geralmente desaparece à medida que a cerveja aquece, deixando-a mais límpida e brilhante. Os altos níveis de álcool e a sua viscosidade, podem ser visíveis nas lágrimas apresentadas quando a cerveja é rodada em uma taça de vidro.

 

O sabor de malte é forte, intenso, complexo e multifacetado, variando de notas de panificação (bready), toffee, a abiscoitado nas versões mais claras, além das nozes, dos tostados profundos, do caramelo escuro, e/ou do melaço nas versões mais escuras. O dulçor maltado é de moderado a alto no palato, embora o final deva ser de moderadamente doce para moderadamente seco, dependendo do envelhecimento da cerveja. Alguns sabores de oxidado ou vínico podem estar presentes, assim como muitas vezes, os complexos sabores de álcool podem ser evidentes. Pode ainda, ocorrer um frutado de moderado a bastante elevado, frequentemente com um caráter de frutas escuras ou secas.

 

O lúpulo de amargor pode ir do suficiente para manter o equilíbrio, a uma presença ostensiva, portanto, o balanço varia de maltado a um pouco amargo. As versões mais claras são algumas vezes mais amargas, mais atenuadas, e podem mostrar mais caráter de lúpulo do que as versões mais escuras, no entanto, todas as versões são balanceadamente maltadas, com sabor de lúpulo que vai de baixo a moderadamente alto, muitas vezes com notas florais, terrosas, ou de marmelada.

 

A sensação de Boca mostra ela como muito encorpada, com textura aveludada ou de melado, embora o corpo possa diminuir com o longo período de guarda. Pode existir um suave aquecimento, provocado pelo calor alcoólico que se incrementa com o passar do tempo, bem como, deve estar presente. A carbonatação pode ser de baixa a moderada, dependendo da idade e do acondicionamento da cerveja.

 

A barleywine é moderna e a primeira cerveja a ser chamada assim foi a Bass No. 1, em 1872. Eram cervejas mais escuras até que em 1951, foi produzida uma barleywine de cor dourada, pela Tennant (agora Whitbread), com o rótulo Gold Label. É a cerveja ale mais forte de uma cervejaria, oferecidos de forma limitada e muitas vezes em garrafas numeradas, assim como sendo uma especialidade sazonal de inverno.

 

Estatísticas Vitais:

Amanrgor de 35 a 70 IBUs

Cor de 8 a 22 SRM

Álcool de 8 a 12% ABV

 

Exemplos Comerciais:

Adnams Tally-Ho, Burton Bridge Thomas Sykes Old Ale, Coniston No. 9 Barley Wine, Fuller’s Golden Pride, J.W. Lee’s Vintage Harvest Ale, Robinson’s Old Tom.

 

20C. Imperial Stout

É uma ale escura e intensamente saborosa, forte e com uma vasta gama de balanços de sabores, com maltes torrados e tostados que apresentam sabores de frutas escuras ou secas, e um final agridoce e com aquecimento. Os componentes precisam se fundir para criarem, juntos, uma cerveja complexa e harmoniosa.

 

O aroma deve ser rico e complexo, com quantidades variáveis de grãos tostados, maltado, ésteres frutados, lúpulos e álcool. O caráter de malte tostado pode apresentar notas que vão do leve ao moderadamente forte, de café, de chocolate escuro, ou de leve torrefação. Já o aroma de malte, pode ir de sutil a intenso, como de uma barleywine.

 

Pode ainda, mostrar opcionalmente um leve caráter de maltes especiais, como por exemplo, o caramelo. Porém, isso só deve adicionar complexidade, e não dominar o aroma. Os ésteres frutados podem ser de baixos a moderadamente fortes, podendo assumir um complexo perfil de frutas escuras, como por exemplo, de ameixas, de ameixas pretas ou de uvas passas. O aroma de lúpulo pode ser de muito baixo à bastante agressivo, bem como, pode conter qualquer variedade de lúpulo.

 

Pode estar presente um caráter de álcool, mas ele não deve ser acentuado, quente, ou de solvente. As versões envelhecidas podem ter uma leve qualidade de vinho ou de Porto, mas nunca de ácido. Nem todos os possíveis aromas descritos necessitam estar presentes, pois diversas interpretações são possíveis, pois o envelhecimento da cerveja afeta a intensidade, o balanço e a suavidade de todos os seus aromas.

 

Na aparência, a cor pode variar de castanho-avermelhado muito escuro a preto brilhante. É Opaca e com espuma que vai de bronzeado profundo a marrom escuro, sendo que geralmente apresenta espuma bem formada, embora a retenção possa ser de baixa a moderada, devido ao álcool elevado e sua viscosidade que pode ser visível em lágrimas, quando a cerveja é rodada no copo.

 

O sabor é rico, profundo, complexo e frequêntemente bastante intenso, com quantidades variáveis de maltes/grãos tostados, maltados, ésteres frutados, amargor de lúpulo e sabor. O amargor vai de médio a agressivamente alto, sendo que o sabor de lúpulo vai de médio-baixo a alto com qualquer variedade. O sabor dos maltes/grãos tostados vão de moderados a agressivamente altos e podem sugerir chocolate amargo ou sem açúcar, cacau, e/ou café forte. Um leve caráter de grão queimado, groselha queimada ou alcatrão pode ser evidenciado.

 

Os ésteres frutados podem se apresentar de baixos a intensos, bem como assumirem um caráter de frutas escuras como uvas passas, ameixas, ou ameixas secas. A doçura do malte pode ser balanceada e de sustentação, além de rica, como de barleywine. Opcionalmente pode proporcionar notas de caramelo, de pão ou de tostados, sendo que a sensação na boca e o final podem variar de relativamente secos a moderadamente doces, normalmente com um pouco de tostado mais persistente, com amargor do lúpulo e um caráter aquecedor. Já o balanço e a intensidade dos sabores, podem ser afetados pelo envelhecimento, com alguns sabores sendo atenuados e com o desenvolvimento de algumas notas de vinho ou Porto.

 

Na sensação de boca o corpo é elevado e existe uma textura aveludada e deliciosa, embora o corpo possa diminuir com o longo período de guarda. Deve estar presente um calor suave de álcool, que deve ser perceptível, mas não é uma característica primária. Nas versões com maior tempo de acondicionamento na garrafa (guarda), o álcool pode ser enganoso. Esta é uma cerveja que não deve possuir caráter de xarope ou ser sub-atenuada. A carbonatação pode ser de baixa a moderada, dependendo da idade e do acondicionamento.

 

É tradicionalmente um estilo Inglês que ganhou notoriedade e que, na atualidade, tornou-se muito popular e amplamente disponível nos EUA, onde ela é uma das cervejas artesanais favoritas, não mais uma curiosidade. Existem variações com interpretações inglesas e americanas. As versões americanas possuem maior amargor, caráter mais tostado e lúpulos de finalização, enquanto as Inglasas refletem um caráter mais complexo de maltes especiais, e um orientado perfil de ésteres.

 

Nem todas as Imperial Stouts possuem um caráter claramente 'Inglês' ou "americano", pois qualquer variante intermediária é perfeitamente admissível. Por esta razão, é contraproducente designar um sub-tipo ao ingressar em uma competição.

 

Um estilo com uma longa história, constituindo-se um patrimônio. Começa com as fortes English Porters produzida para exportação, em 1700, que se tornaram muito populares na Corte Imperial Russa.

 

Estatísticas Vitais:

Amargor de 50 a 90 IBUs

Cor de 30 a 40 SRM

Álcool de  8 a 12% ABV

 

Exemplos Comerciais:

Americanas – Bell’s Expedition Stout, Cigar City Marshal Zhukov’s Imperial Stout, Great Divide Yeti Imperial Stout, North Coast Old Rasputin Imperial Stout, Sierra Nevada Narwhal Imperial Stout.

 

Inglesas – Courage Imperial Russian Stout, Le Coq Imperial Extra Double Stout, Samuel Smith Imperial Stout.

 

22C. American Barleywine

Uma interpretação bem lupulada das mais ricas e mais forte das English Ale, mas que não precisam ser desequilibradas. A força do álcool e do amargor do lúpulo frequentemente combinam-se para deixar um final bem longo.

 

O aroma com caráter de lúpulo vai de moderado a assertivo, que muitas vezes demonstra uma ampla variedade de notas cítricas, frutadas, ou resinosas dos lúpulos do Novo Mundo. Porém, variedades inglesas de lúpulo, como floral, terroso ou condimentado, ou ainda, uma mistura de variedades pode ser utilizada. Existe um rico caráter doce proveniente do malte, que pode ser de caramelo, de pão, ou razoavelmente neutro. Os ésteres frutados são de baixo a moderadamente fortes e os aromas são alcoólicos, apesar de que a intensidade destes aromas muitas vezes vai diminui e até desaparece, com o passar do tempo. Os lúpulos tendem a ser quase iguais ao malte, no aroma, com o álcool e os ésteres muito mais baixos em intensidade.

 

Na aparência, a cor pode variar de âmbar claro a cobre médio e raramente pode ser tão escura como o marrom café, claro. Geralmente esta cerveja destaca os reflexos em rubi. A espuma é de formação, que vai de moderadamente baixa a grande, na cor que vai do bege claro ao leve bronzeado, pode apresentar baixa retenção de espuma. Pode ser turva como Chill Haze (neblina fria) em temperaturas mais baixas, mas geralmente desaparece e consegue uma boa limpidez e brilho à medida que a temperatura aumenta. A cor pode parecer que tem grande profundidade, sendo que o alto teor alcoólico e a viscosidade podem ser visíveis em lágrimas quando a cerveja é agitada em redemoinho no copo.

 

O sabor é forte e rico em malte, balanceado com um forte amargor e sabor do lúpulo. O dulçor maltado no palato é de moderadamente baixo a moderadamente alto, embora o acabamento pode ser um pouco doce e bastante seco, dependendo do envelhecimento da cerveja. <Mas o lúpulo de amargor pode variar de moderadamente forte a agressivo.

 

Apesar de o sabor ser fortemente maltado, o balanço deve sempre fazer aparecer o amargo. O sabor de lúpulo de qualquer variedade, mas muitas vezes mostrando uma gama de características de lúpulos do Novo Mundo, deve ser de moderado a alto, com ésteres frutados de baixos a moderados. A presença do álcool deve ser perceptível, mas muito bem integrada.

 

Os sabores se suavizam e fazem decair a intensidade ao longo do tempo, mas qualquer caráter oxidado deve ser anulado e, geralmente, mascarado pelo lúpulo. Esta cerveja pode ter algum sabor maltado de pão ou caramelo, que não devem ser elevados, porém, são inapropriados os sabores de malte torrado ou queimado.

 

Como sensação de boca, ela é muito encorpada e com uma textura aveludada, apesar de que o corpo pode diminuir quando existe um longo acondicionamento. O calor do álcool deve ser perceptível, mas deve ser suave também, sem parecer um xarope. A carbonatação pode ser de baixa a moderada, dependendo do envelhecimento e do acondicionamento da cerveja.

 

A versão americana da Barleywine tende a ter maior ênfase no amargor, sabor e aroma do lúpulo do que nas English Barleywine. Normalmente são mais claras do que as English Barleywine e mais escura que as Golden English Barleywines. Diferem de uma Double IPA na medida em que os lúpulos não são extremos, o malte é mais destacado, e o corpo é mais elevado e mais rico no geral. Uma American Barleywine tem tipicamente mais açúcares residuais do que uma Double IPA, o que afeta a sua drinkability (sorver versus beber).

 

Estatísticas Vitais:

Amargor de 50 a 100 IBUs

Cor de 10 a 19 SRM

Álcool de 8 a 12% ABV

 

Exemplos Comerciais:

Avery Hog Heaven Barleywine, Anchor Old Foghorn, Great Divide Old Ruffian, Rogue Old Crustacean, Sierra Nevada Bigfoot, Victory Old Horizontal.

 

26D. Belgian Dark Strong Ale

Uma ale belga escura, complexa e muito forte, com uma deliciosa mistura de riqueza de maltes e sabores de frutas escuras com elementos condimentados. É complexa, rica, suave e muito perigosa.

 

O aroma é complexo, com uma presença ricamente doce de malte, com ésteres significativos, álcool e uma qualidade condimentada que vai do leve ao moderado. O malte é rico, forte e pode ter uma profunda qualidade de pão tostado, muitas vezes com uma complexidade de caramelo, profunda. Os ésteres frutados vão de fortes a moderadamente baixos e podem conter notas de uvas passas, ameixas, cerejas secas, figos ou ameixas secas. Os fenóis picantes podem estar presentes, mas geralmente possuem uma qualidade apimentada e não de cravo, sendo que uma leve baunilha é possível.

 

Os álcoois são suaves, picantes, perfumados e/ou de rosas, apresentando de baixa a moderada intensidade. O lúpulo não está geralmente presente, mas um aroma muito baixo de condimentado, floral ou ervas é aceitável. Sem aromas de maltes escuros ou torrados e sem aromas de álcool quente ou de solvente.

 

A aparência trás a cor de âmbar profundo a âmbar e a marrom acobreado profundo. A sua espuma é enorme, densa, muito cremosa e persistente, com um leve bronzeado, podendo variar de límpida a um pouco turva.

 

O sabor é semelhante ao aroma, trazendo um rico maltado moderado no palato, que pode dar uma nova impressão se o amargor for baixo. Normalmente o final é de moderadamente seco a seco, mas pode ser até moderadamente doce. O amargor vai de médio-baixo a moderado, com um álcool que proporciona algum equilíbrio a este malte. Geralmente possui um balanço ricamente maltado, bem mesclado com o amargor. Os sabores complexos e variados devem se misturar bem e harmoniosamente, com um final que não deve ser pesado nem de xarope.

 

Sensação de Boca trás a alta carbonatação que não é aguda, mas com álcool evidente e suave. O corpo pode variar do médio-baixo ao médio-alto e cremoso, sendo que na maioria é de corpo médio.

 

As versões trapistas autênticas, elas tendem a ser mais secas (ou mais digeríveis conforme os belgas) do que as versões de abadia (Abbey), que podem ser mais doces e encorpadas. Tradicionalmente são acondicionadas em garrafa, ou refermentadas na garrafa. Às vezes são conhecidas como trapista Quadrupel, mas a maioria é simplesmente conhecida pela sua intensidade ou a designação da cor.

 

A maior parte das versões é única em caráter, refletindo características de cervejarias individuais, produzidas em quantidades limitadas e, muitas vezes muito procuradas.

 

Estatísticas Vitais:

Amargor de 20 a 35 IBUs

Cor de 12 a 22 SRM

Álcool de 8 a 12% ABV

 

Exemplos Comerciais:

Achel Extra Brune, Boulevard The Sixth Glass, Chimay Grand Réserve, Gouden Carolus Grand Cru of the Emperor, Rochefort 8 & 10, St. Bernardus Abt 12, Westvleteren 12.

 

Espero que tenham gostado dos estilos selecionados, e que procurem pelos exemplos dados para degustarem e compararem com o descrito aqui para verificação de aproximação ou não das características gerais descritas. Esta é a forma como se julgam cervejas nos concursos.

 

Na verdade, o mais importante é que vocês apreciem ao máximo as cervejas que estão degustando, não importando o estilo ou recomendação feitos.

 

E para finalizar, esta semana lançamos o sistema de apadrinhamento de produções de cervejas muito especiais, com a produção da nossa nova Russian Imperial Stout Celebration 01-43-53. Será uma cerveja com 12% de álcool e 126 IBUs de amargor, além de usarmos muitos maltes especiais e gengibre, cardamomo, cravo, canela, chá preto e pimenta preta. Venha participar desta experiência emocionante e diferente! Abrace esta idéia!!!

 

Para maiores informações, nossos contatos são:

Inbox no Face https://www.facebook.com/donaherminiacervejacaseira/

Por e-mail jorgemarcondes@donaherminia.com.br

Pelo WhatsApp (41) 9893-9664

 

Tenham todos um excelente final de semana.



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