Jorge Marcondes
Sexta, 21 de setembro de 2018, 14:43 h - Atualizado em 21/09, 14:43 h

A escola cervejeira alemã

Este é o segundo texto da série, sobre as escolas cervejeiras.

Jorge Marcondes:De Bem com a Vida
Autor: Redação
Foto: Divulgação

É sem dúvidas uma das mais populares e cultuadas escola e começou quando a Alemanha ainda fazia parte do Sacro Império Romano-Germânico, marcada pela Reinheitsgebot, a Lei da Pureza da Cerveja de 1516 e que identifica como os únicos ingredientes da cerveja, o malte de cevada, o lúpulo e a água, pois a levedura só foi identificada em meados do sec. XIX, portanto ela não consta na lei da Pureza da cerveja original.

 

Normalmente quando uma pessoa pensa em cerveja, logo imagina a figura de um alemão de chapéu verde, bermuda e suspensório bebendo um baita caneco de cerveja. As cervejas alemãs possuem como característica básica a eficiência e a qualidade técnica, porém com pouco espaço para criatividade.

 

Era proibido fazer cerveja com qualquer outro tipo de cereal que não a cevada malteada, ou qualquer outro tipo de tempero que não o lúpulo. Isso garantia a qualidade da cerveja produzida e criou uma forte identidade para a cerveja germânica.

 

 

Foto: Divulgação

Devido às limitações acima, impostas pela lei, os cervejeiros do Império Germânico foram forçados a estabelecer uma semelhança entre as cervejas produzidas, pois todas eram produzidas com as mesmas matérias primas e nenhuma outra mais, fato que determinou como característica local a produção de cervejas mais maltadas, ou seja, mais adocicadas do que lupuladas (amargas). É uma das famílias de cervejas mais consumida no planeta atualmente.

 

Como antes do sec. XV só era possível fazer cerveja nos frios meses de inverno, os alemães, em meados do sec. XV, revolucionaram o mundo cervejeiro ao começarem a armazenar grandes blocos de gelo formado nos lagos e rios, em grandes cavernas onde eles armazenariam (Lager em alemão) a cerveja para ser consumida no verão.

 

Devido a esse processo, os alemães acidentalmente selecionaram um tipo de levedura mais resistente ao frio e que produzia cervejas mais límpidas e com menos sabores indesejados, muito antes de se ter conhecimento do que eram leveduras.

 

Assim “nasceram” as leveduras de baixa fermentação, conhecidas pelo nome de leveduras Lager, cujo nome científico é Saccharomyces Carlsbergensis, em homenagem a cervejaria Carlsberg, na qual Louis Pasteur trabalhava quando descobriu, em seu microscópio, o levedo.

 

Mas o crédito da descoberta do estilo Pinsen foi dos checos, depois que em 1845 um monge contrabandeou leveduras Lager de Munique para a cidade Pilsen, entregando-a para um cervejeiro que viajara à Grã-Bretanha para aprender sobre técnicas de produção de maltes claros e, juntamente com técnicas desenvolvidas por ele, desenvolveu uma cerveja verdadeiramente dourada e que é conhecida até hoje como Pilsner Urquell.

 

Embora a primeira Pilsen comercial tenha surgido na República Checa, como visto acima, no que se refere ao tipo de fermentação, consta a responsabilidade dos alemães. Nesse sentido, quanto ao estilo hoje, no mundo, a Bohemian Pilsner (da República Checa) e a German Pilsner (da Alemanha), sendo que a diferença está basicamente nos lúpulos utilizados em cada uma.

 

O estilo Pilsner foi desenvolvido na cidade de Pilsen, ganhou o mundo e deu origem ao estilo American Lager, que hoje abrange todas as cervejas de massa produzidas no mundo, dominando mais de 80% do mercado mundial de cerveja.

 

Assim, a Alemanha se torna o berço das cervejas Lager e os alemães os pais das cervejas Lager, que em alemão significa guardar, armazenar ou armazém. De todos os estilos de cervejas produzidos na Alemanha, somente quatro são Ales, todas bastante consumidas no mundo todo, como: a Weizenbier (cerveja de trigo tradicional da Baviera); a Kölsh (original da cidade de Colônia); a Altbier (da cidade de Düsseldorf); e a Berliner-Weisse (de Berlim).

 

As cervejas Weizenbier compreendem um dos estilos do país, mais conhecidos no mundo, e chegaram a ser proibidas em 1516 com a instituição da famosa Lei de Pureza, mas pouco a pouco voltaram, e em geral é a primeira cerveja diferente de uma Lager que as pessoas provam, ou seja, é uma cerveja de entrada para o mundo da cerveja artesanal.

 

Bom sabendo que na fabricação de cervejas, a Lager predomina na Alemanha, é importante saber que elas podem ser claras como a Pilsen, pretas como a Schwarzbier (maltes torrados que remetem a café), escuras como a Bock (maltadas com notas de tostado), leves como as Helles (maltadas com leve aroma de tostado), ou fortes como as Doppelbock (com o dobro de maltes da Bock).

 

Então, os outros estilos de cerveja produzidas na Alemanha são: Schwarzbier; Munich Helles; Bock; Pilsen; Märzenbier; Oktoberfestbier; Kellerbier; Dunkel; Vienna; Doppelbock e qualquer outro estilo tradicional de cerveja feito nas atuais Alemanha, Áustria e Republica Checa, e todos são Lager. Já as marcas mais comuns por lá são: Paulaner, Erdinger, Franziskaner, Schneider, Hofbrau e Weihenstephaner.

 

Estas cervejas possuem um perfil sensorial mais comportado, bem como o trabalho da levedura característica é bem discreto, deixando que o malte apareça mais. Os lúpulos nobres aparecem, mas são bem limpos. Estas cervejas dificilmente vão chocar alguém, pois são muito bem equilibradas e leves.

 

As cervejas possuem um caráter maltado, com lúpulos florais e leveduras mais neutras, com exceção das cervejas de trigo (Weiss), nas quais a levedura é predominante. No norte da Alemanha as cervejas são mais secas e lupuladas, já ao sul elas apresentam um caráter mais maltado e encorpado.

 

As Weizenbier são as cervejas de trigo no estilo alemão, utilizando um mínimo de 50% de grãos de trigo malteado, sem o uso de nenhum outro adjunto e geralmente não são filtradas, daí a sua aparência turva. Com um leve sabor frutado, deixam na boca (retrogosto) um sabor de banana e/ou cravo. Ainda na aparência, apresentam muita efervescência e muita espuma branca. Um dos belos exemplares do estilo são as cervejas da Maisel’s Weisse.

 

A escola alemã, como todas as clássicas, teve sua origem em monastérios e abadias e seguem, há mais de 1.000 anos, produzindo até os dias de hoje. Em Freising está localizada a Abadia de Weihenstphan, que é responsável pela mais antiga cervejaria em atividade do mundo, produzindo para consumo desde o ano de 768. Desde o ano de 1040 produz oficialmente como cervejaria.

 

Vamos conhecer alguns fatos históricos que marcaram esta escola:

No século XI foi introduzido o lúpulo como conservante e aromatizante nas cervejas, obra da monja beneditina, a Santa Hildegard de Bingen. Ela foi uma grande estudiosa de plantas medicinais, bem como teóloga, poetisa, compositora, médica, escritora e mestra do Mosteiro de Rupertsberg em Bingen am Rhein. Ela pesquisou essa maravilhosa planta e deu-lhe o mais nobre dos fins, o uso na cerveja. Hoje é praticamente impossível imaginar uma cerveja sem lúpulo.

 

Com toda essa história, a cerveja é parte central da cultura da Bavaria e da Bohemia. É tão presente no dia a dia dessas regiões que o consumo anual médio per capita é superior a 200 litros e, mesmo os refrescos, são obtidos da mistura de sucos de limão com cerveja. Sem esquecer a maior festa do mundo, a Oktoberfest.

 

Na Bavária as cervejas são produzidas rigidamente dentro dos padrões exatos para cada um dos estilo, praticamente sem variação alguma. Assim, uma Helles será exatamente igual em uma cervejaria gigante de Muniche ou em uma artesanal de qualquer vilarejo. Todo e qualquer vilarejo na Alemanha possui a sua cervejaria.

 

Cheers!

Pesquisado em: <https://www.hominilupulo.com.br/cultura/o-que-sao-as-escolas-cervejeiras/> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <http://g1.globo.com/especial-publicitario/somos-todos-cervejeiros/noticia/2016/02/conheca-grandes-escolas-cervejeiras-do-mundo.html> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <https://www.beerbier.com.br/blog/historia-da-cerveja-escolas-principais-estilos/> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <http://www.ocontadordecervejas.com.br/grandes-escolas-cervejeiras/> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <https://www.papodebar.com/as-escolas-cervejeiras-e-suas-peculiaridades/> Acesso em 28/04/18.



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