Jorge Marcondes
Sexta, 08 de abril de 2016, 00:00 h - Atualizado em 08/04, 00:00 h

As fases da metamorfose!!!

Por Jorge Luiz Marcondes

Jorge Marcondes:Empresarial
Autor: Redação
Foto: Divulgação.

Para a nossa conversa de hoje pensei em falar um pouco da vida de um cervejeiro artesanal, pois quando comecei a produzir mais intensamente no meio do ano passado muitas coisas mudaram, e sem eu conseguir ver uma forma de retroceder. Mas, não se assustem, não é nada ruim.

Para vocês entenderem melhor, eu já fui um grande apreciador de uma loira geladíssima e não conseguia imaginar aquilo que eu via nos filmes americanos, um cidadão que comprava um fardo de latinhas ou Long Necks no supermercado e saia bebendo a cerveja em temperatura ambiente.

Bom, saí da primeira fase, aquela na qual você bebe a sua cerveja comercial básica e predileta, e passei para a degustação de uma Bohemia e depois uma Original ou a bela Serramalte, que conheci no bar Sujinho em São Paulo lá pelo ano de 1995. Na época eu também achava que era bem bacana quando um garçom me trazia um copo congelado e a cerveja era estupidamente gelada, com temperatura abaixo de zero.

Foto: Divulgação.

De 2012 até final de 2014 passei para a terceira fase, pois fui um contumaz degustador de cervejas artesanais e especiais, procurando pelas India Pale Ale (IPA) avidamente. Até tentei não ser muito chato, insistindo vez por outra em beber uma cerveja comercial das citadas acima, mas não deu certo pois sempre no final do primeiro copo ou no meio de uma latinha eu já me sentia enfastiado, cheio, estufado. Assim, comecei a preferir beber suco, refrigerante ou água. Nesta época eu fui convidado a escrever para este portal e é o que faço até o presente momento.

 

No início de 2015 conheci a Associação dos Cervejeiros Artesanais do Paraná (Acerva-PR) e me associei a eles, passando para uma quarta fase. Nas reuniões conheci muitas pessoas muito bacanas e duas pessoas para lá de especiais, o meu atual parceiro de brasagens, o Paulo Sérgio Matulle e a sua esposa Solange. Ele é chamado de “Bruxo”, pois como já produz cerveja há muitos anos acaba fazendo muitos testes, alguns deles meio malucos para nós, pobres mortais. Neste meio tempo eu já havia feito uma receita de cerveja no Rop’n Roll, era uma American India Pale Ale que ficou realmente bem bacana, para a época.

 

Mas do meio do ano de 2015 para cá a minha vida mudou radicalmente, passando para a quinta fase, pois após conversar com cervejeiros caseiros e com meu parceiro, descobri que fazer cerveja é muito mais do que a gente imagina. Estava procurando um bom curso para aprender a produzir e assim decidir se compraria equipamento para produzir em casa a minha própria cerveja. Ouvi muitos comentários a respeito de cursos em diversos lugares, bem como de pessoas que ministram os cursos, mas acabei recebendo o convite do Bruxo para ir produzir e aprender com ele. Assim foi o que aconteceu, eu aprendi muito sobre fazer cerveja artesanal e hidromel com ele.

Foto: Divulgação.

Atualmente estou na sexta-fase, pois eu e o bruxo começamos a ministrar um curso de produção de cerveja artesanal com um formato diferente dos demais, justamente pelo conhecimento do meu parceiro sobre o processo de produção, bem como sobre cursos de produção de cerveja, e dos meus 15 anos de magistério no ensino superior. Trabalhamos com três encontros pelo menos e grupos de no máximo três pessoas, para podermos proporcionar a maior prática possível aos alunos, pois acreditamos que é praticando que se aprende muito mais efetivamente. Ainda, o que é produzido no curso fica com os alunos, para que possam levar para casa, com a finalidade sentir e avaliar o que fizeram e aprenderam.

 

Inclusive, no curso damos dicas de como maximizar o uso dos insumos para um melhor rendimento final. Também, este formato foi adotado para servir a quem realmente deseja se transformar em um cervejeiro artesanal. Ensinamos ainda, como harmonizar pratos da culinária com cerveja artesanal e a degustar cervejas artesanais, para que as pessoas possam apreciar melhor e até quem sabe, montar pequenos eventos com seus amigos e familiares. Afinal, apreciar e fazer cerveja artesanal acaba normalmente se transformando em um hobby muito divertido e instrutivo.

 

Em cada brassagem acaba acontecendo um evento de degustação e harmonização, pois após você começar a produzir seguidamente, sempre ficará um “certo” estoque de cerveja para ser apreciada, inclusive na próxima brassagem. Além do mais, cerveja combina e muito com comida, o que torna o momento propício para muita conversa e planejamento. Normalmente nestes momentos já se fala da próxima cerveja a ser produzida, bem como de outros temas relevantes ou não. É sempre um evento social, pois vocês observarão que muitas pessoas acabam desejando visitar as instalações para apreciarem o processo de produção e ainda degustarem uma cerveja diferente.

 

Em certo sentido, o cervejeiro caseiro, artesanal, acaba se transformando em uma espécie de celebridade em alguns círculos sociais, pelo seu conhecimento diferenciado a este respeito. Mas, pode acontecer o oposto também, pois é possível se transformar em um cervochato, aquele que vive criticando as outras bebidas devido ao alto uso de grãos não maltados (milho), da temperatura e copos errados, dentre outros detalhes. Afinal, é muito mais gostoso beber uma BrewDog Punk IPA com temperatura entre 8 e 12 graus e em um copo Spiegelau, ou ainda, uma Trappistes Rochefort 10 com temperatura entre 13 e 15 graus e em um Goblet, mas uma caldereta e uma taça de vinho já resolvem o caso de certa maneira.

Foto: Divulgação.

Depois que comecei a degustar cervejas artesanais e especiais, fui convidado para muitos eventos e até para escrever sobre isso! Recebo muitas indicações de leitura e eventos, dos meus amigos, pois eles sabem que adoro tudo que se relaciona a cervejas artesanais. Muitas pessoas pedem dicas de cervejas para comprar como presente, para servir em um evento particular e até para colocar em seus estabelecimentos. Pessoas pedem até dicas e sugestões para receitas que desejam produzir. Desta forma criamos a parte de consultoria e desenvolvimento de receitas, bem como a produção de soluções para quem desejar. Sempre de maneira personalizada, desenvolvendo os produtos exatamente como desejado.

 

Assim, estamos pensando em passar para a sétima fase, abandonando o Hobby e montando definitivamente um negócio real. Aquilo que começou despretensiosamente, agora está na fase de elaboração do modelo de negócio, bem como de experimentação e teste de protótipos. Muitas ideias foram abandonadas e outras foram criadas, sempre pensando na felicidade das pessoas, sempre pensando na cerveja de qualidade, exclusiva, personalizada.

Foto: Divulgação.

A ideia principal sempre é a de fazer com que mais e mais pessoas venham para este maravilhoso mundo das cervejas artesanais, quer seja por prazer ou para montar um negócio. Estaremos sempre aqui para ajudar da melhor forma possível a quem se interessar. Seja criando uma cerveja para marcar um grande momento de uma pessoa, para presentear um cliente especial ou para consumo próprio. Queremos ajudar você a passar por estas fases da metamorfose da melhor maneira possível.

 

Queremos degustar muitas cervejas daqueles que estiveram com a gente, que participaram de nossos cursos, eventos ou nos visitaram em algum momento. Desejamos fazer parte da realização de alguns dos sonhos de muitas pessoas. O que mais gratifica é saber que sempre há uma troca de informações, que existe muita colaboração, como o que fazemos nos grupos de cervejeiros caseiros que participamos e com os ex-alunos.

 

E estamos aguardando a próxima fase pela qual devemos passar, a próxima receita que devemos ou queremos fazer. Atualmente estamos discutindo a receita de uma cerveja com algo em torno de 22% de teor alcoólico, além de estudarmos algumas madeiras!!!

 

Foto: Divulgação.

Uma coisa que dificilmente muda em um cervejeiro caseiro, é a vontade de fazer algo além do que já faz. Esta inquietude que o assola é que define se ele irá longe ou se desistirá de fazer cervejas. O prazer de planejar uma receita, de correr atrás dos insumos certos, de todo o trabalho que envolve uma brassagem, a fermentação, maturação e envase, até chegar na hora de degustar pela primeira vez uma nova cerveja, isso é empolgante. É o momento em que a borboleta sai do casulo e se abre para um mundo novo, cheio de desafios, mas muito divertido.

 

Venha você também... não tenha medo de mudar... venha para um mundo de qualidade e muitas cores, odores e sabores!!! Não tenha medo, pois estamos aqui para te ajudar se você achar que é necessário!!!

 

 

* Por Jorge Marcondes



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