Jorge Marcondes
Sexta, 19 de fevereiro de 2016, 00:00 h - Atualizado em 19/02, 00:00 h

Com é participar de um concurso de Cerveja Artesanal?

Por Jorge Marcondes

Jorge Marcondes:Empresarial
Autor: Redação
Foto: Divulgação.

Estes dias eu recebi dois certificados de participação no IV Concurso Paranaense de Cerveja Feita em Casa, um de Prata pela participação com amostras de uma Doppel Bock (5C) e um de Bronze pela participação com amostras de uma Old ALE (19A). É muito bom receber um elogio destes, sabendo que os avaliadores em grande parte são juízes certificados pelo BJCP – BEER JUDGE CERTIFICATION PROGRAM, pois o concurso  foi sancionado pela AHA/BJCP (Sanctioned Competition Program - SCP), uma entidade internacional.

 

Para iniciarmos este papo, é importante esclarecer que uma avaliação destas quer dizer que as cervejas produzidas para concorrer devem, obrigatoriamente, seguir os ditames do Guia de Estilos do BJCP. No caso deste concurso, em específico, valia o guia de 2008. Isso quer dizer que a receita precisa ser definida dentro de padrões específicos de cor, sabor, odor, carbonatação, corpo, dentre outros itens. É muito diferente de se produzir uma cerveja para degustar ou comercializar, pois aí temos um liberdade criativa, que não acontece no concurso.

 

Para as avaliações do concurso, todas as amostras de cervejas e hidromeis foram avaliadas em uma prova cega, ou seja, sem o conhecimento da procedência das mesmas. Cada juiz teve que fundamentar por escrito e de forma legível, a pontuação dada para cada um dos critérios de avaliação, identificando as possíveis causas de problemas encontrados na amostra avaliada, quando aplicável e, fornecendo sugestões de melhorias.

 

Para o caso de conseguir atingir uma pontuação definida, os participantes receberiam um certificado, conforme as classificações a seguir:

- Ouro, de 45 a 50 pontos: é um exemplo do estilo de classe mundial;

- Prata, de 38 a 44 pontos: exemplificando bem o estilo, mas que requer pequenos ajustes;

- Bronze, de 30 a 37 pontos: para aquelas que geralmente estão dentro dos parâmetros do estilo, mas que possuem pequenas falhas.

Foto: Divulgação.

Bom, mas qual é o motivo para participar de um concurso? Na verdade, é muito mais pelo retorno dado por pessoas idôneas e que não sabem de quem são as amostras, ou seja, não há um favorecimento. Assim, conseguimos entender melhor sobre o processo produtivo, e detalhes dos insumos. Outro fator importante, é que ao darmos amostras para conhecidos avaliarem, dificilmente eles apontam muitos defeitos, muitas vezes por se sentirem constrangidos. É complicado chegar para uma pessoa conhecida e dizer que sua cerveja está com cheiro de gambá, repolho cozido, sulfuroso ou alguns outros off flavors. Ei, lembram-se de um texto anterior (15/01/16 – O que parece um defeito nem sempre é!), no qual falamos sobre estes odores e sabores muitas vezes indesejados?

 

Só que, prepare-se para ouvir muitas coisas que você não imaginava quando entrou no concurso. Como os juízes não sabem de quem é cada amostra, a tendência é serem um pouco mais duros nos comentários. Não se esqueça que a sua amostra é como um filho seu, que você guarda muitas expectativas, mas que elas podem não ser correspondidas. Isso poderá te chatear um tanto, mas supere isso e tire proveito para melhorar sua cerveja.

 

Bom, desenvolver uma receita passa pela escolha dos insumos a serem adquiridos, para se obter um resultado lá na frente. Já falamos sobre isso anteriormente, mas vamos recapitular um pouco. Começamos pelo elemento que dá muito do sabor a uma cerveja, que é o malte. Existem muitos tipos diferentes de malte, de trigo e cevada, por exemplo. Uns mais torrados e outros mais tostados, pois cada um deles irá dar um pedacinho do conjunto de características que sua cerveja irá ter. Isso deve estar bem definido em sua cabeça. Por exemplo, o malte defumado, pode ser muito mais próximo de fumaça, ou ainda, aquele que você usa e as pessoas juram que você colocou salame Blumenau na cerveja. Estes dias em um evento que fizemos com Cerveja, queijo e pães, uma pessoa chegou e me disse: - Na hora em que recebi meu copo, cheirei e pensei de imediato que havia salame Blumenau dentro do copo!!!

Foto: Divulgação.

Depois, você deve pensar no conjunto de aromas e sabores ligados ao amargor, ou seja, qual ou quais lúpulos irá utilizar. Dependendo do que você deseja, a variedade é bastante grande. Começamos pela diferenciação entre lúpulos de amargor, de aroma e os que são duais, ou seja, tanto para amargor quanto para aroma. Existe lúpulo que remete a resina, a flores, a frutas cítricas, dentre muitos outros. Daí, conforme o que se planejou obter no final, tem a quantidade de lúpulo a ser utilizada, o que determina em que momento da fervura cada um deles será adicionado. Ainda, se você deseja fazer um “Dry Hop”, ou seja, uma adição de lúpulo posterior à fase de fermentação.

 

Então, você deve definir qual a levedura (fermento) irá utilizar, em função de resultado desejado também. As leveduras para cervejas de trigo, ou Weizenbier, por exemplo, nos trazem os famosos aromas e sabores de cravo, banana, e tutti-frutti para a cerveja. Existem outras leveduras, que são utilizadas, por exemplo, nas cervejas do estilo Saison. Mas, em todas estas etapas o cuidado deve ser bastante grande, pois muitas coisas podem acontecer no meio do caminho.

 

Nos casos específicos das cervejas que receberam os certificados, os insumos foram escolhidos a dedo, pois existia a intenção, minha e dou meu parceiro o “Bruxo” Paulo Sérgio Matulle, de obtermos um resultado específico. E, vejam que o nosso planejamento até que funcionou, apesar de ao criarmos a receita nem pensarmos em competir. Bom, agora é só aprimorar as receitas, pois muitas sugestões foram dadas pelos avaliadores e nos prepararmos para a degustação de umas belezuras! As avaliações acabam por render muitas melhorias, até em detalhes que não são percebidos antes, pois quando se faz uma cerveja, logo desejamos degusta-la, além de ser como um filho para a gente. E vocês sabem que quase não percebemos os defeitos dos nossos mais chegados.

Foto: Divulgação.

 

Quando mandamos amostras para um concurso, também sabemos que serão avaliadas após um bom tempo de descanso, na temperatura bem próxima da ideal. Isso favorece bastante a percepção das características, principalmente pelo fato de os avaliadores não terem muitas expectativas em relação a amostra. O que um avaliador espera, é que ela venha a estar dentro de certos padrões, e daí ele parte para a confirmação, que pode ser uma surpresa para o bem ou para o mal.

 

O que podemos tirar disso tudo? Ah, é o fato de que o planejamento é fundamental e que o cuidado ao se fazer algo pode determinar o seu resultado. Mas, que a incógnita em relação ao resultado é instigante. Esta possibilidade de sair algo muito diferente do que você desejava, nos faz querer ousar sempre mais, criar novas possibilidades. E é isso que nos faz a cada dia desejarmos ir em frente.

 

Agora, eu e o Bruxo vamos brassar uma Baltic Porter para um novo concurso... bora comprar insumos e amanhã brassaremos!!!

 

Você já pensou em fazer a sua cerveja? Aquela do jeitinho que você imaginou? Bora lá praticar, pois a Dona Hermínia está aqui para te ajudar!!!

 

Cheers!!!

Foto: Divulgação.

*Por Jorge Luiz Marcondes



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