Jorge Marcondes
Sexta, 14 de dezembro de 2018, 15:49 h - Atualizado em 14/12, 15:55 h

É vinho de cevada?

Ei, mas o vinho não é feito de uva? E o que isso tem a ver com cerveja e cevada?

Jorge Marcondes:De Bem com a Vida
Autor: Redação
Foto: Divulgação.

Vamos aproveitar esta época do ano para falar de um dos estilos que eu adoro e tem tudo a ver com datas comemoradas com comidas mais pesadas, como o Natal. É um estilo de cerveja para poucos, pela intensidade em todos os sentidos. Uma verdadeira e inebriante experiência de degustação.

 

A história do vinho, da cerveja, bem como de outras bebidas, inclusive as destiladas, possui forte ligação com a agricultura, pois a produção era feita praticamente com o que existisse e de acordo com o clima dominante na região.

 

O resultado dessa situação foi a divisão do continente europeu através de uma linha imaginária. Abaixo dessa linha encontram-se os países mediterrâneos cujo clima é temperado, mais quente, que ajudava bastante no plantio de uva, da qual se fazia vinho. Acima da linha estavam os países mais frios, nos quais as parreiras não vingavam. Desta maneira, a cultura dominante era de cereais como a cevada, da qual se fazia a cerveja.

 

 

Foto: Divulgação

Porém, na Inglaterra que fica ao norte, a aristocracia bebia praticamente apenas vinho apesar de em períodos de guerra existir uma inconstância de importação, fazendo com que a bebida faltasse frequentemente, fato que também o tornava caro. Então, para solucionar este dilema, no século 17 foi produzida uma diferente.

 

Ela era mais alcoólica, mais encorpada, mais maltada e mais fortemente frutada que as já existentes. Muitas vezes esta cerveja passava por maturação em barris de madeira, que acabavam por dar toques vinificados, aromas amadeirados, de couro, caprílicos e inclusive certa acidez. Esta bebida caiu no gosto dos amantes de vinho.

 

 

Foto: Divulgação

Mas, é bom lembrar que a tradição inglesa de cervejas mais alcoólicas e mais resistentes é anterior essa época. Também, que mesmo sem maior tecnologia, já se produzia cervejas no verão, em muitas fazendas do Reino Unido. A produção destas cervejas era suficiente para o ano todo, sendo que as mais leves eram consumidas no verão, enquanto as mais alcoólicas e mais resistentes ao tempo, ficavam armazenadas em barris para serem consumidas durante o inverno, as chamadas Winter Waermer. Este é um dos motivos para a associação do estilo de cerveja ao frio.

 

Ainda, apesar de ser um estilo produzido por diversas cervejarias do Reino Unido, era consumido mais pela aristocracia e pelos nobres, que tinham condições financeiras e/ou sociais  de terem acesso a essa bebida.

 

Apesar de todos estes fatos, a primeira cerveja a usar o termo Barley Wine foi criada em 1854 e, no pós Grandes Guerras, esse estilo praticamente sumiu, retornando já nos anos 70. As versões inglesas já não trazem mais a acidez, as notas de couro e muitas vezes nem são mais maturadas em barris de madeira. Este fato deve-se ao aprendizado de técnicas de sanitização e pasteurização, que fizeram com que uma quantidade menor de fermentação por leveduras selvagens acontecesse.

 

Foto: Divulgação

Já as versões americanas possuem mais adição de lúpulo, trazendo mais amargor e mais álcool, tornando o estilo um dos mais fortes e agressivos. As originais inglesas possuem um final doce, pois são focadas no malte, as versões americanas têm muito mais amargor e aroma de lúpulo, podendo chegar a 120 IBUs.

 

Uma curiosidade deste estilo, é que foi comercializado durante a lei seca como um medicamento que auxiliava a queima de calorias no verão e que aquecia no inverno, principalmente devido ao alto teor alcoólico. A prática de melhoria da saúde já existia há anos na Inglaterra. No Brasil podemos observar que a Malzbier por exemplo, foi muito recomendada para as gestantes.

 

Em 1968 durante um festival, foi lançada a cerveja Thomas Hardy’s Ale, da cervejaria Eldridge Pope que fica na cidade de Dorchester. Esta cerveja foi uma homenagem ao poeta e romancista inglês Thomas Hardy (1840 – 1928). Atualmente esta cerveja é produzida pela cervejaria O’Hallons e todas as garrafas são safradas e numeradas.

 

Para a degustação de uma destas deliciosas cervejas, é interessante usar copos do tipo Snifter e para a harmonização, Crème Brulée, Foie Gras e Rabada, por exemplo. Mas vale lembrar que arriscar e inventar, descobrindo o melhor para o “seu” paladar é fundamental.

 

Espero que tenham gostado do material e que tenham ficado curiosos e venham a experimentar alguns exemplares desta deliciosa bebida.

 

Cheers!!!

 

Fontes: Larrousse da Cerveja e Heineken Brasil

Pesquisado em: <https://www.ocaneco.com.br/cerveja-barley-wine/> Acesso em 29/11/18.

Pequisado em: <<http://brassaria-brewitz.blogspot.com/2015/04/um-brinde-com-um-bom-vinhode-cevada-o.html>> Acesso em 29/11/18.

Pesquisado em: <http://www.engenhariadacerveja.com.br/2014/barley-wine/> Acesso em 29/11/18.

Pesquisado em: <http://destinocervejeiro.com/estilo-cerveja/english-barleywine> Acesso em 29/11/18.

Pesquisado em: <http://osboemios.com.br/cervejas/barley-wine/> Acesso em 29/11/18.

Pesquisado em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Barley_wine> Acesso em 19/11/18.



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