Jorge Marcondes
Sexta, 19 de outubro de 2018, 00:00 h - Atualizado em 19/10, 00:00 h

Enfim, as escolas nascentes?

Mais um texto da série especial

Jorge Marcondes:De Bem com a Vida
Autor: Redação
Foto: Divulgação

Não menos importante, a “escola Americana”, que está se estabelecendo há algumas décadas, destaca-se por não ser meramente uma escola, no singular, pois de fato está incorporando características de todas as três clássicas escolas cervejeiras, em uma outra, completamente nova. Alguns dos estados americanos mais ligados às cervejas artesanais são: Oregon, Califórnia, Montana, Wyoming, Colorado, Washington, Idaho, Wisconsin, Alaska, Maine, Vermont e Massachussets.

 

A cerveja chegou aos EUA através da colonização inglesa e, do século XVI ao século XIX sofreu a influência dos diversos grupos de imigrantes, especialmente dos alemães. Lá no início do século XX o mercado americano, já um dos mais importantes do mundo, era rico em estilos e cervejarias que ainda estavam começando a se destacar, como a Anheuser-Bush, a Yuengling e a Miller.

 

Mas, antes de mais nada, vamos resgatar mais um pouco da história desta escola. Em 1919 entrou em vigor a famigerada lei seca, lei que proibia a produção, a comercialização e o consumo de bebidas alcoólicas no país todo, fato que praticamente extinguiu as pequenas cervejarias americanas. Nesta época havia algo em torno de 1.800 microcervejarias que, em sua maioria eram operadas por imigrantes europeus e/ou filhos de imigrantes, pois detinham a técnica para produzir cerveja.

 

Somente algumas das maiores cervejarias acabaram por sobreviver a esta época, pois conseguiam produzir refrescos e outras bebidas não alcoólicas em suas linhas de produção. Em 1933 a lei foi revogada, porém, apesar de liberar a produção e o consumo, foi mantida a proibição para produções caseiras e em pequena escala. Nesta época, porém, sobravam menos de 60 cervejarias em todo o país.

 

Lá pelos idos da década de 60, grupos de cervejeiros caseiros começaram uma revolução silenciosa e que acabou por se espalhar pelo país inteiro. Este movimento ficou conhecido como “craft brewing”.

 

Em 1978 foi assinada pelo então Presidente Jimmy Carter, uma lei que derrubava o veto à produção caseira de cervejas. Desde então, das oito micro cervejarias que restaram nos Estados Unidos em 1980, hoje já são mais de 2.000.

 

Foi uma redescoberta da cerveja como uma bebida complexa, plena de variações em termos de cores, sabores e aromas. Para ganhar mercado, as cervejarias artesanais americanas tomaram o caminho da criatividade, reinventando estilos e misturando tudo que as escolas tradicionais possuem de melhor. Este movimento acabou por ganhar o mundo!

 

O conceito “craft beer” já rompeu todas as fronteiras, inclusive as do velho mundo. Escócia, Dinamarca, Suécia, Canadá, Austrália, Argentina e, recentemente o Brasil, redescobriram o prazer de uma bebida que é muito mais do que as simples e descartáveis cervejas de massa. Quem melhor definiu esse conceito foram os canadenses da Unibroue, com o slogan “Drink less, drink better!” ou “Beba menos, beba melhor”.

 

As cervejas artesanais americanas, chegaram e são caracterizadas por uma nova interpretação de diversos estilos já existentes. Estas cervejas são “mais” amargas, ”mais” alcoólicas, “mais” encorpadas, “mais” robustas e com ingredientes “mais” incomuns, como a abóbora e o bacon, sempre tentando criar algo novo e com aquela personalidade americana. Com tudo no volume máximo, os americanos colocam lúpulo “até a língua se retorcer”. Eles talvez sejam mais técnicos do que os alemães e talvez mais excêntricos do que os belgas.

 

Uma American IPA, por exemplo, representa a nova geração das IPAs, apresentando uma coloração que parte do levemente dourado e chega até o marrom. Possuem um forte aroma floral, notas de caramelo, paladar mais cítrico e, às vezes, condimentado. Geralmente são bastante carbonatadas e com espuma persistente.

 

Inclusive, surgiu nos EUA lá pelo século XIX, o estilo Standard American Lager. Ele não é uma Pilsen, antes porém, é um estilo de cerveja leve, neutro, cujo único intuito é refrescar e que se tornou o estilo de cerveja mais consumido no planeta, atualmente.

 

No mais, o jeito americano de fazer cerveja está nos lúpulos americanos, que conferem um cítrico sem igual à cerveja, bem como, no colocar a palavra American na frente para se definir os estilos, como por exemplo, American IPA, American Stout e American Wheat.

 

Este pessoal é entusiasmado e responsável pela invenção de algo extraordinário, as chamadas Imperial ou Double IPAs, cervejas ainda mais alcoólicas, com “muito mais” malte, “muito mais” amargor e, claro, “mais” aromas que as IPAs normais. Para os americanos, qualquer estilo de cerveja pode ser transformado em uma “Imperial” alguma coisa, como: Imperial Pilsen, Imperial Kölsch, Imperial Amber Ale, dentre outros.

 

Os americanos também adoram fazer cervejas diferentes e extravagantes, resgatando inclusive algumas receitas esquecidas há milênios. As cervejarias americanas impressionam com suas cervejas imponentes, diferentes e, provavelmente, continuarão a nos provocar com suas cervejas cada vez mais interessantes.

 

Alguns estilos norte-americanos mais comuns são: American Pale Ale (APA), American India Pale Ale (IPA), Imperial IPA, California Common, Cascadian Dark Ale (também conhecida como Black IPA), Cream Ale e Wheatwine, American Red Ale, dentre outras.

 

Outras escolas serão criadas?

 

Atualmente observamos que podem estar começando a surgir “escolas” modernas de cerveja, como as inovadoras americana e italiana, com características próprias entre elas, apesar do pouco tempo de vida. Assim, novas escolas cervejeiras podem e devem surgir, bem como novos estilos devem ser criados, porém, sempre a referência ficará com estas três escolas clássicas.

 

Da mesma forma, o Brasil vem se destacando no cenário mundial das cervejas artesanais, cada vez mais. Por terras Tupiniquins, estamos caminhando para o desenvolvimento de cervejas com o DNA brasileiro, com ingredientes e processos de produção particulares. Temos diversas cervejarias ganhando prêmios neste mundo afora!

 

Com este renascimento das cervejas artesanais por todo o mundo, muita gente está tateando, procurando utilizar ingredientes nacionais, como as frutas, tem gente tentando plantar lúpulo, isolando levedura. A cervejaria Colorado, por exemplo, já usa ingredientes típicos do Brasil em suas receitas, ajudando a criar uma identidade para o país. Algumas das coisas que estão sendo usadas são: o açúcar, a rapadura, o café, os derivados da cana de açúcar; e barris de cachaça para o envelhecimento das cervejas.

 

O caminho para a escola brasileira ser criada, é apostar no terroir brasileiro sempre, mas é necessário um esforço da comunidade cervejeira, para desenvolver essa identidade. Já é possível observar a criatividade nos concursos das ACERVAS, Associações de cervejeiros caseiros, bem como nos eventos de caseiros brasil afora.

 

Cheers!

 

Pesquisado em: <https://www.hominilupulo.com.br/cultura/o-que-sao-as-escolas-cervejeiras/> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <http://g1.globo.com/especial-publicitario/somos-todos-cervejeiros/noticia/2016/02/conheca-grandes-escolas-cervejeiras-do-mundo.html> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <https://www.beerbier.com.br/blog/historia-da-cerveja-escolas-principais-estilos/> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <http://www.ocontadordecervejas.com.br/grandes-escolas-cervejeiras/> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <https://www.papodebar.com/as-escolas-cervejeiras-e-suas-peculiaridades/> Acesso em 28/04/18.



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