Jorge Marcondes
Sexta, 30 de setembro de 2016, 17:30 h - Atualizado em 30/09, 17:35 h

Imersão HomeBrew, um final de semana de experiências!

Por Jorge Marcondes

Jorge Marcondes:Empresarial
Autor: Redação
Foto: Divulgação.

Nesta semana gostaria de compartilhar com vocês as minhas experiências em um final de semana bem ligado às cervejas artesanais. É um final de semana típico de um cervejeiro caseiro, mas não é uma rotina completa. Foram alguns eventos que aconteceram e gostaria de compartilhar.

Vamos começar pelo sábado, pois foi um dia de atender ao pedido de um cliente que já é amigo e parceiro, pois desde o ano passado vem curtindo diversos eventos conosco. Desde as confrarias na MasmorrA, eventos e festas, até as nossas brassagens. Inclusive esta foi a segunda cerveja que pediu para agente produzir para ele.

A solicitação foi de um presente de aniversário que a esposa dele irá dar este ano, assim como ele fez para ela no início do ano também. O pedido para desenvolvimento da receita foi de uma Imperial Red Ale baseada na BrewDog 5AM. E olha que não é um pedido muito simples não, pois tivemos que chegar aos 9,4 % ABV e aproximadamente 63,7 IBUs de amargor, com uma base sabor de caramelo, a pedidos.

Bom, depois de algumas pesquisas e adaptações, conseguimos desenvolver uma receita com um custo dentro do orçamento solicitado. Uma vez aprovada a receita, o próprio cliente foi comprar os insumos, pois outra solicitação dele foi a de acompanhar o máximo e o mais perto possível todo o processo de produção, para conhecer todos os detalhes.

Então, sábado às nove e meia da manhã chegamos juntos à casa do meu parceiro de brassagens, o Bruxo. Assim, partimos para a separação e conferência dos insumos e em seguida a moagem dos maltes especiais. O malte base sempre solicitamos que seja moído no fornecedor, pois é uma quantidade grande e o nosso cuidado maior fica por conta dos maltes especiais.

 

Depois de aquecer a água até o ponto necessário, foi colocado o malte e assim começou todo o processo de cozimento dos grãos, acompanhado de perto pelo cliente, que realizou todas as tarefas que os cervejeiros precisam realizar para produzir sua cerveja. Assim foi feito no cozimento, na fervura, na lupulagem, no resfriamento e na transferência para a bombona com a inoculação da levedura, até levar ao fermentador e depois setar a temperatura ideal para esta fermentação.

 

É lógico que neste meio tempo, muitos petiscos e um almoço delicioso, com direito a sobremesa e muita degustação de algumas das nossas cervejas, inclusive uma Rauchbier com 6,5% de álcool e mais de um ano, pois foi produzida em 25/04/15. Nesta época eu ainda não estava produzindo junto com o Bruxo, mas ele já tinha o hábito de guardar uma ou duas garrafas de cada produção. Sempre em garrafa de rolha, sendo que atualmente damos preferência pelas garrafas de espumante. E podem ter certeza de que a maioria destas cervejas fica muito melhor com o tempo.

Na segunda lavagem dos grãos desta Imperial Red Ale, depois de muita pesquisa e discussão, decidimos tentar fazer uma Session Irish Red Ale. Este procedimento de segunda lavagem dos grão é uma etapa que repetimos sempre que a cerveja base a ser feita possui uma densidade inicial perto da casa de 1080, pois daí dará uma cerveja com algo em torno de 5% ABV.

Nesta segunda lavagem costumamos fazer os testes mais malucos que imaginamos. Vai de adicionar fruta depois do resfriamento e antes de fermentar, deixar o mosto para azedar, usar ingredientes que não conhecemos direito... e por aí vai. Desta vez, após quase 12 horas de trabalho, pudemos computar 46 litros de cerveja base, uma Imperial Red Ale, mais 22 litros de uma segunda lavagem que pode ficar parecida com uma Session Irish Red Ale. Vamos aguardar os próximos capítulos!!!

Ao chegar em casa, estava com muita sede e fui degustar uma Black Saison (300 ml) de nossa produção, a base de um licor que eu ia fazer (20 ml) mas acabei não terminando, depois passamos para um belo vinho chileno (1 taça em dois). Isso para quebrar um pouco o paladar de cerveja, pois no domingo pela manhã eu iria participar de um concurso de cervejas caseiras.

Foto: Divulgação.

Acordei bem cedinho no domingão, fiz tudo calmamente, inclusive tomar café da manhã, coisa que dificilmente eu faço. Mas como era dia de beber desde cedo, é melhor tomar certos cuidados. Daí me dirigi ao local do evento de avaliação. Chegando lá encontrei alguns amigos que já não via há algum tempo. Fizemos a atualização do papo enquanto era preparado o local das avaliações.

Para iniciarmos os trabalhos, começamos pela degustação da cerveja que seria alvo da clonagem, pois o concurso do Mercado do Malte iria premiar a melhor cerveja clone da Mark The Shadow, uma das cervejas da cervejaria Bastards dos amigos Francisco Seegmueller, Richard Buschmann e Humberto Gonçalves...

Foto: Divulgação.

Daí foram disponibilizadas as fichas de avaliação, as quais serviriam para a primeira parte das avaliações, a comparação com as diretrizes do estilo, para depois avaliarmos as proximidade com a cerveja base. Nos dividimos em dois grupos, sendo que em casa um havia um juiz certificado pelo BJCP e mais dois juízes não BJCP mas cervejeiros caseiros.

Cada grupo avaliou sete amostras, classificando cada uma delas dentro do estilo, observando inclusive os Off Flavors que porventura existissem. Depois disso, fizemos a classificação pela pontuação obtida nas fichas, para chegar às cervejas clone mais próximas da base. Não vou entrar em maiores detalhes, pois o resultado deve ser divulgado pelo organizador em breve.

Foi uma experiência bastante enriquecedora e atualizadora também, pois já fazia um tempo que não avaliava uma cerveja desta forma. Normalmente o que fazemos é descrever uma cerveja para colocarmos a descrição dela nos registros, quer sejam nossas ou as que recebemos de outras pessoas também. Dificilmente entramos nos méritos mais detalhados e atribuindo pontuação. Por isso e importante manter sempre a prática, até para poder dar um retorno mais produtivo para quem deseja.

Outro ponto importantíssimo é o de poder observar que muitas pessoas acabam começando a produzir cerveja sem fazer um bom curso ou que não prestam atenção aos detalhes. Os tipos de erros mais comuns encontrados depois da cerveja pronta indicam a ocorrência de falhas de processo, como por exemplo: erro na temperatura das rampas, da fermentação e da maturação; falha na assepsia dos instrumentos e equipamentos utilizados; erros ou desatenção na composição da receita; dentre outros.

Quando montamos os nossos cursos, procuramos enfatizar a atenção aos detalhes relevantes, a necessidade do planejamento e a atenção redobrada em cada etapa do processo de produção, desde a montagem da receita até o envase e guarda das cervejas.

Bom depois desta experiência muito interessante que tive a oportunidade de participar graças à confiança do Wagner Elias Taiatelli do Mercado do Malte, o próximo passo era fechar os compromissos do final de semana com a primeira edição do Escambo Cervejeiro. Foi um evento planejado pela amiga Fernanda da Costa, Beer Sommelier pela Universidade Positivo, que tentou fechar a agenda várias vezes, mas estava complicado. Então neste domingo pudemos fazer este belo encontro.

Eis que no final da tarde eu e minha companheira de todos os momentos, a Alessa Paiva, fomos conhecer um pouco da Borda do Campo (São José dos Pinhais). Chegamos a uma bela chácara guardada por duas criaturas belíssimas, um Dog Alemão fêmea chamado Dama e um Aquita macho chamada Boris. Muito calorosos e carinhosos também, pediram muito carinho antes de nos liberarem, com direito a pedidos de colo do Boris, mas o tamanho dele não permitiu pegar no colo, rsrsrsrs...

Lá estavam já nas degustações, pessoas muito bacanas, como o Diego Singh e a Tania Luiza Bonassa que foram os anfitriões do dia. Também estavam lá o já conhecido de outros eventos, p parceiro Edney Cavichioli e os novos amigos Francilene Denes, Ramiro Batista da Luz, Sandro Fernandes e Marcelo Weber. O Edney tem um blogo muito bacana (www.midauma.blogspot.com) que trata de pinga

Foto: Divulgação.

O papo foi regado a muitas e belas cervejas, com Cataia, Erva Doce, sendo elas de vários estilos. Apesar de chegarmos tarde devido aos outros compromissos, o pouco tempo que pudemos desfrutar destas belas companhias foi muito prazeroso e proveitoso. Muito papo bacana, com gente bacana. Difícil foi escolher as opções de escambo, pois eram muitas possibilidades. Espero que em breve tenhamos nova edição deste belo evento.

Agora estamos para marcar uma reunião no espaço Dona Hermínia do Boqueirão, quem sabe para mais um escambo, com direito a muita degustação de outras belas cervejas. Se você faz cerveja e tem interesse em um encontro entre cervejeiros caseiros, para troca de informações, experiências e cervejas, entre em contato.

Agora, se você não produz cerveja caseira, mas tem interesse em provar algumas destas deliciosas opções que produzimos, entre em contato e agende um encontro conosco. Em breve começaremos a organizar os Coloquios &tílicos, um bate papo com produtores de cerveja caseira, sempre regado à cerveja produzida por ele e por nós.

Mas, se você tem um grupo de amigos que deseja conhecer este mundo maravilhoso da cerveja artesanal, podemos ir até vocês para apresentar este mundo cheio de cores, odores e sabores, inclusive com harmonização.

Gostaria ainda de lembrar a todos que neste sábado dia 1º acontecerá a grande Festa de premiação dos finalistas do 1º Concurso de Clone de Cerveja promovido pelo Mercado do Malte. A festa contará com banda, Food Truck e muita cerveja. Vale a pena prestigiar e votar na melhor cerveja, pois agora é a vez do voto popular.

 

Tenham um excelente final de semana... Cheers!!!



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