Jorge Marcondes
Sexta, 14 de abril de 2017, 00:00 h - Atualizado em 14/04, 00:00 h

Percepções sobre o mundo da cerveja artesanal

Por Jorge Marcondes

Jorge Marcondes:Empresarial
Autor: Redação
Foto: Divulgação.

Nesta semana vou ser um pouco mais generalista e comentar um pouco sobre as minhas percepções sobre este maravilhoso mundo da cerveja artesanal, depois de alguns anos vivenciando uma série de experiências.

 

Não vou ter a pretensão de ser o dono da verdade, antes, porém, vou deixar algumas das minhas impressões particulares. Para tanto, brevemente gostaria de relatar como transcorreram estas minhas experiências desde o início. Antes de 2012 já tive o prazer de degustar algumas poucas cervejas especiais, principalmente a primeira que me recordo melhor, um presente de um grande amigo, o professor Elói Correa dos Santos, sendo ela a Grado Plato Sticher, uma bela Altbier com 6,5% e um pouco mais amarguinha para meu paladar na época, mas não incomodou nem um pouco pois sempre gostei de um amarguinho.

 

Então, já são mais de cinco anos desde o início dos registros das cervejas que degustei. E este foi o primeiro passo que dei neste mundo muito interessante, pois no final de 2012 fui a um evento ligado à cultura francesa e me deparei com as cervejas Mort Subit Mort Subite Xtreme Framboise e Mort Subite Kriek. Na época foi uma experiência muito diferente, pois são cervejas muito peculiares, que não fazem muito meu gênero preferido, principalmente hoje em dia.

 

Depois disso a curiosidade aumentou e comecei a degustar sempre que podia. Comecei a comprar nos supermercados pois eram as cervejas mais baratas pois o investimento sempre é grande. Depois que já havia degustado todas as disponíveis nestes locais, passei para as lojas especializadas, que eram poucas em Curitiba. Em 2014 tive a oportunidade de visitar o Chile, onde tive a oportunidade de conhecer diversas cervejas artesanais muito interessantes, realmente deliciosas.

 

Desde então, a curiosidade sempre aumentou. Então passei para uma nova fase, na qual acompava as minhas degustações com o portal Brejas.com. Lá eu observava as avaliações feitas pelos especialistas, sobre as cervejas que eu comprava. Primeiramente eu degustava as cervejas e depois ia verificar as avaliações, em um segundo momento passei a acompanhar as avaliações no momento em que fazia as minhas degustações. Foram experiências muito bacanas, com as quais eu aprendi bastante.

 

Em 2015 me associei à ACERVA paranaense, indicado por outro grande amigo e ex-aluno, o Edivan Zuanazzi. Neste grupo conheci muitas pessoas muito bacanas, principalmente meu parceiro de brasagens e sócio, o bruxo Paulo Sérgio Matulle. Atualmente fazemos tudo ligado às cervejas, juntos. Inclusive hoje, dia 06/04/17, produzimos duas partidas de uma cerveja estilo Session Pale Ale.

 

Bom, depois desta breve introdução, vamos ao papo desta semana. Tenho conversado com muitas pessoas, principalmente em eventos, mas também aquelas que me chamam pelo Whats ou o Chat do FaceBook, que gostam de falar sobre cerveja caseira, cerveja artesanal e este movimento fantástico que está muito em evidência nos últimos anos.

 

Estas pessoas sempre me perguntam sobre como produzir cerveja, sobre estilos de cerveja, sobre degustação, sobre harmonização. Foi daí que tive a ideia de chamar estes papos de Colóquio &tílico, que é um dos eventos que gosto de fazer. Quer seja ele programado ou espontâneo, em algum local em que estou presente, como já aconteceu na rua, junto à Kombi mais lupulada da cidade, a BeraMachine. Ficar três a quatro horas conversando sobre cerveja é bom demais.

 

Nestas conversas, uma das coisas que mais me surpreendem é que muitas pessoas ainda não perceberam a simplicidade da maior parte dos adeptos deste mundo maravilhoso, e isso foi comentado com conhecidos neste último encontra da Noite das Artesanais promovido pela ACERVA no Fish’n Ships da Coronel Dulcídio.

 

Se você prestar muita atenção no comportamento dos cervejeiros caseiros, irá observar que, por exemplo, não existe muita frescura nem nojo entre a maioria, pois um acaba oferecendo o copo para o outro dar uma bicadinha e experimentar a cerveja que ele está bebendo. Cervejeiro caseiro está mais preocupado em saber a opinião do outro sobre o que está degustando, quer trocar experiências, quer trocar informações. Cervejeiro caseiro normalmente não tem a preocupação de esconder o jogo, guardar para si uma técnica ou descoberta, o que ele quer é divulgar o que conhece, trocar com outros, para poder aprender mais ainda.

 

Cervejeiro caseiro só se preocupa com o local, no sentido de ter banheiro e se tem várias cervejas, para que ele possa degustar um pouco de cada uma. Às vezes se desliga até da comida, apesar de saber que é importante estar bem alimentado e hidratado. Pelo menos a maior parte dos cervejeiros caseiros que conheço são assim, e são muito gente boa mesmo. Cervejeiro caseiro esquece até de si mesmo, pois fica sempre pensando em qual a cerveja que vou degustar agora, ou que vou fazer a seguir, não se preocupando muito com o que vestir, se o cabelo ou barba estão bem aparados...

 

Então, muitas vezes as pessoas ficam meio preocupadas quanto a como se comportar em um evento de cervejeiros caseiros, mas eu sempre digo, vá como quiser, como você se sentir bem, pois a maioria nem vai ficar reparando muito. Daí estes dias criei uma singela lista de dicas sobre eventos como o da Noite das Artesanais, que irei colocar a seguir:

 

1ª.    Vá ao evento esperando que qualquer coisa pode acontecer... sim, o cervejeiro caseiro não precisa se prender demais às regras de produção para um concurso, assim, muitas vezes você irá encontrar coisas super exóticas. Já tive o prazer de degustar cerveja com sabor de abacate e até de raiz forte (crem).

 

2ª.    Mantenha a sua mente aberta para o que vai degustar... em alguns eventos você pode encontrar cervejas de todos os estilos, em outros poderão ser somente alguns estilos bem definidos e em outros somente um estilo. Em um evento como a Noite das Artesanais, você encontrará cervejas produzidas por pessoas muito experientes, bem como por iniciantes. Saiba diferenciar isso e procure entender o que acontece com cada amostra degustadas, procurando identificar as diferenças do que foi feito por um expert e do que foi feito por um leigo. Vá conversar com cada produtor, pergunte, aproveite para aprender.

 

3ª.    Só ou acompanhado, mas vá com certeza, não perca as oportunidades... para conhecer e se aprofundar neste mundo maravilhoso, participe do maior número de eventos de cerveja caseira e/ou artesanal que puder. Quanto mais experiências você tiver, melhor ficará, pois em cada uma delas você estará aprimorando o seu paladar e enriquecendo o seu conhecimento. Sem contar que provará muitos estilos diferentes.

 

4ª.    Divirta-se o tempo todo... curta cada instante do evento que estiver participando. O mundo da cerveja caseira e/ou artesanal não tem espaço para tristeza. É um mundo multicolor, “multisabor”, “multiaromático” e de múltiplas experiências, não perca nada. Abra seu coração e deixe a alegria te contagiar, desfrute da melhor maneira possível, com as melhores pessoas que encontrar.

 

5ª.    Conheça o maior número de pessoas que for possível... cerveja combina com festa, com amigos, com confraternização. Aproveite os eventos cervejeiros, pois as pessoas estão abertas ao relacionamento devido a esta necessidade de trocarem experiências e informações. Não perca a oportunidade de conversar com quem fez as cervejas do evento, mas também com aquelas que as estão degustando. Pergunte, comente, isso só traz bons resultados.

 

6ª.    Deguste "TODAS" as cervejas apresentadas, mesmo as de estilos que normalmente você não gosta... por mais que você não goste muito de um estilo, prove sempre que possível, amostras deste mesmo estilo, para poder perceber as nuances de cada amostra. Vale lembrar que as possibilidades de modificação dentro de um mesmo estilos começam pelos intervalos de cor, amargor e teor alcoólico. Mas as combinações de malte e lúpulos usados faz bastante diferença também.

 

Já presenciei pessoas que me disseram que não gostavam de cervejas amargas, fiz um “festival” de cervejas amargas e, algumas delas me falaram depois que aprenderam a degustar e apreciar cervejas amargas. Uns dias atrás fiz um evento de degustação no qual escutei uma pessoa dizendo que não gostava de cervejas de trigo. Naquele mesmo dia eu estava com duas cervejas de trigo para a degustação, uma Saison e uma Weizen. Depois de provar a nossa Weizen Fantasia com 100% de malte de trigo, a mesma pessoa me falou que agora degustaria tranquilamente cervejas de trigo, como aquelas que eu apresentei. Que agora havia encontrado uma cerveja de trigo que caiu bem no seu paladar.

 

A única coisa que é fundamental neste quesito, é lembra de dar pausas entre certas cervejas, bebendo água para reidratar seu organismo, evitando ficar alcoolizado demais, bem como para evitar outro tipo de problema, “a ressaca”.

 

7ª.    Converse com todos que apresentarem cervejas... obtenha o máximo de informações possíveis sobre cada amostra degustada... com certeza você poderá aprender e muito com estas pessoas. Entenda o que ela desejava quando iniciou o planejamento daquela cerveja, qual o resultado que ela esperava, se atingiu ou não este resultado. Se não conseguiu, por quais motivos não conseguiu, dentre outros detalhes que forem importantes para você.

 

8ª.    Convide todas as pessoas que você conhece... pois quanto mais pessoas aderirem a este movimento, melhor... Isso é fundamental para o movimento. Prestigie os produtores de cerveja caseira, divulgando o seu trabalho, suas mensagens e seus posts. Eu tenho por prática divulgar todos os eventos que eu fico sabendo e que são ligados às cervejas caseiras e/ou artesanais. Procuro fomentar o movimento da cerveja artesanal (Craft Beer), pois acredito que todos merecem, pelo menos, saber do que se trata.

 

A todo instante procuro ajudar às pessoas que produzem suas coisas de maneira mais rudimentar. Quer seja a cerveja, o queijo, o salame ou o pãozinho. Caseiro merece reconhecimento e divulgação do seu talento. Colabore você também.

 

Existe um belo movimento chamado “Compre do pequeno”, que inclusive possui uma página no FaceBook (https://www.facebook.com/compredopequeno/). Visite esta página e se possível compartilhe ela com todos os seus conhecidos.

 

Compre do Pequeno - Home | Facebook

www.facebook.com

Compre do Pequeno. 233,979 likes · 85 talking about this. Os pequenos negócios fazem parte da história de todos os brasileiros. Que tal se engajar nesse...

Daí, quando você for às compras, compre de pequenas empresas e autônomos, da vizinha que vende por catálogo, dos artesãos que fazem bijuteria, móveis ou uma boa arte, da amiga que tem uma loja no bairro, do pasteleiro, da doceira que faz doces artesanais, do senhor que tem uma banca no mercado municipal ou na feira... a ideia é fazer com que o dinheiro chegue às pessoas comuns e não às grandes multinacionais ou grandes redes de lojas, pois assim haverá mais gente perto de você que terá um ano muito mais feliz!

 

Neste sábado faremos um pequeno evento fechado, com a finalidade de marcar a abertura do espaço da Dona Hermínia no Boqueirão. Um espaço pequeno e simples, mas que abrigará muitos sonhos e muito planejamento. Neste local já fazemos algumas coisas, mas nunca antes abrimos para os amigos da Dona Hermínia, a não ser para os eventos do Bazar Delyrante.

 

 

Foto: Divulgação.

Agora, pretendemos estar mais efetivamente no local para o nosso Colóquio etílico, no qual iremos falar muito sobre a produção de cerveja de panela (caseira), sobre degustação, harmonização, confraria, BJCP, Off Flavor, dentre outros assuntos. Deixaremos uma série de livros para consulta no local, teremos nossos produtos em exposição.

 

Queremos ter um local para as pessoas nos encontrarem mais tranquilamente para conversarmos e bebermos. Afinal, sempre conversamos nos eventos, normalmente sem muita possibilidade de um papo mais longo e concentrado. Neste local nós queremos trocar experiências, informações, gerar conhecimento, fazer experiências, e porque não, trocar e beber cerveja.

 

Então, e como você pode apoiar o nosso trabalho com a Dona Hermínia e a Confraria dos Insurgentes? Você pode:

  • comprar nossos produtos como as bolachas, as camisinhas para cerveja, os azulejos, as almofadas, as camisas e as camisetas, dentre outros;

  • compartilhar nossas publicações, pois o alcance social e a exposição na mídia são alguns dos elementos que mais precisamos nesta fase inicial dos projetos;

  • nos recomendar e comentar nas nossas postagens, isso também faz com que nosso trabalho seja conhecido e reconhecido.

 

Ajude a divulgar nossas ideias, nossos cursos, nossos eventos e nossos produtos, pois eles estão sendo planejados com muito carinho para vocês. Assim, nós chegaremos mais longe com a sua contribuição.

 

Neste dia 15 de abril, também estaremos fazendo a entrega dos kits dos nossos padrinhos da primeira cerveja que fizemos neste modelo. Iremos aproveitar e começar a divulgação do projeto Padrinhos 2017 também, que será um pouco diferente, aguardem essa novidade.

 

Também, em breve divulgaremos dias e horários nos quais estaremos eu e o bruxo Matulle para recebermos vocês, para a troca de experiências e informações. Mas, trabalharemos com grupos agendados também. Vale lembrar que os nossos produtos já estão a venda, com a finalidade de angariarmos fundos para conseguirmos levar nossos projetos à frente e assim ajudarmos a todos que desejam entrar nesse delicioso mundo da cerveja caseira.

 

Já estamos desenvolvendo nosso portal da Confraria dos Insurgentes, no qual será possível cadastrar e avaliar as cervejas caseiras dos sócios, bem como fazer uso de outras ferramentas muito interessantes que queremos disponibilizar. Nosso espaço será na Rua Anne Frank, 4976. Aguardamos o seu contato para agendarmos aquele bate papo sobre cervejas.

 

Não tenha medo, abrace esta ideia, venha se divertir e aprender, pois temos vários livros para você se distrair. Vamos fortalecer o movimento e ajudar outras pessoas a se desenvolverem.

 

Cheers!



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