Jorge Marcondes
Sexta, 31 de março de 2017, 19:02 h - Atualizado em 31/03, 19:22 h

Que copo eu uso?

Por Jorge Marcondes

Jorge Marcondes:Empresarial
Autor: Redação
Foto: Divulgação.

O copo é um dos pontos muitas vezes negligenciados, mas que fazem muita diferença na hora de degustar uma cerveja. Antigamente era comum beber cerveja em canecas de cerâmica, porém não era possível apreciar alguns aspectos importantes da bebida, como a sua cor, a sua transparência. No século 12 as pessoas bebiam cerveja em copos de estanho, quando então no século 13 a moda era também dos canecos de cerâmica. No século 15 surgiu a caneca, resistente, com alça e muitas vezes com tampa, sendo elas de estanho, prata, cerâmica, vidro e até mesmo em madeira. Somente com o surgimento da indústria do vidro no século XVIII é que os copos e as taças se tornaram populares entre os apreciadores de cerveja, por ser um material totalmente neutro e transparente.

 

Com o passar do tempo as cervejarias passaram a desenvolver e indicar o copo ideal para cada estilo de cerveja que produziam, o que ajudou a valorizar as características e qualidades das cervejas. Assim, os copos se tornaram objetos de desejo dos consumidores.

 

Cada copo permite o realçar de atributos diferentes em uma cerveja, de acordo com o material, o peso, a espessura da borda, o formato e a transparência, que são importantíssimos para proporcionar uma bela apresentação visual que valorize, acima de tudo, cada aspecto sensorial da bebida.

 

O sabor, a estabilidade da espuma e o frescor dependem da melhor escolha de um copo, pois o degustador espera que os atributos originais da cerveja permaneçam inalterados quando da sua degustação. Afinal, um recipiente inadequado pode prejudicar e muito uma amostra.

 

Então, vamos a alguns deles para melhorar a sua performance nas degustações:

1     Caldereta: comumente visto servindo chope em algumas choperias, o caldereta é versátil e pode ser utilizado para English e American Ales e também para algumas lagers escuras e IPAs. Por comportar um volume normalmente entre 210 e 350ml, é uma alternativa mais adequada do que outros copos genéricos, portanto uma boa opção para se ter em casa quando não se pode ter os diversos estilos recomendados. Também leva o nome de Shaker. Bom para: English Ale, American Ales, lagers escuras e IPA;

2     Cálice/Goblet: na Bélgica é chamado de Goblet e lembra a flor do mesmo nome. Ideais para as grandes trapistas belgas, são muito bonitos, mais trabalhados, com detalhes em alto relevo e uma grande variação nos modelos às vezes ostentando dourado ou prateado na borda os que são trabalhados a mão. São desenhados para manter íntegro o creme, bem como proporcionar maior percepção do aroma. Também podem ser usados com os estilos Dubbel, Tripel e Quadrupel. Variações de formato são encontradas com os nomes de Bolleke (copos da Leffe e Westmalle) e Trapist (copo da LaTrappe), mas todos compartilham características como bocas largas e um pezinho alongado., que os torna ideal para apreciar uma cerveja encorpada e de formulações complexas. Alguns ainda possuem uma técnica de entalhe no fundo, formando um ponto de nucleação de dióxido de carbono, que permite a formação constante de espuma. Bom para: Abbey Triple, Belgian Dark Strong Ale, Flemish Sour Ale;

 

Foto: Divulgação.

3     Bolleke: possuem uma forma mais robusta e a boca mais larga do que um Goblet, justamente para valorizar mais os aromas presentes nas cervejas. Foi usado pela primeira vez pela cervejaria De Konick, da região da Antuérpia, na Bélgica. Ficou tão conhecido que pedir uma bolleke na Antuérpia significa pedir uma cerveja De Konick, mas muitas outras cervejarias também adotaram o modelo, como Abadia Trapista Orval, que traz sua famosa marca impressa em um copo Bolleke. Bom para: Trapistas e Strong Dark Ales;

 

Foto: Divulgação.

4     Trapist: tipicamente utilizados pelos mosteiros trapistas, são objetos de desejo nas rodas cervejeiras. Inspirados em taças de champanhe e muito semelhante ao bolleke, possuem boca larga e fundo raso. Essas características servem para valorizar ainda mais as cervejas frutadas e mais complexas, como é o caso das belgas especiais. Bom para: Dubbel, Tripel e Quadrupel;

 

Foto: Divulgação.

5     Cilindro/Stange: copos cilíndricos, retos, altos e delicados, normalmente utilizados para cervejas Kölsh e Altbier, típicos do norte da Alemanha. Porém, podem ser recomendadas pelos fabricantes em outros estilos, com por exemplo algumas fruit-beers. Permitem uma boa formação de espuma, porém não ajudam muito no desenvolvimento do aroma, mas sim na concentração dos mesmos. Podem aparecer com outros nomes, como Stange (Alemanha), Stick (Inglaterra), sendo que ambos significam vareta, ou ainda Collins (EUA). Bom para: Rauchbier, Altbier, Kolsch, Lambic-Faro e Lambic-Unblended;

 

Foto: Divulgação.

6     Flute: em forma de flauta, são mais usados para beber espumantes e champagnes, mas são ideais para cervejas do tipo Faro, Lambic, Gueuze ou as champegnoises, como a belga Deus e a brasileira Lust. O fato de serem esguios possibilita que o creme demore mais para se dissipar, mantendo as qualidades da cerveja no copo. Possui um corpo fino e elegante, semelhante a uma taça de Champagne. Indicado para cervejas nobres e delicadas. Pelo fato de serem copos esguios, permitem que o creme permaneça por mais tempo e mantendo as mesmas qualidades da cerveja. Indicados para as cerveja produzidas pelo método champenoise, as lambic e aquelas de fermentação espontânea. Bom para: FruitBier e Biere Brut, Vienna, Schwarzbier, Lambic-Fruit e Lambic-Gueuze;

 

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7     Lager: um modelo bastante popular aqui no Brasil, para servir cerveja Pilsen. Similar ao copo Weizen, porém com capacidade para apenas 250 ml ou 350 ml de cerveja. Possui a base espessa e mais estreita do que sua boca, fato que ajuda na formação e manutenção da espuma. É um copo que permite apreciar a clareza, a transparência e a efervescência características das cervejas Pilsen. Para manter o equilíbrio do copo, sua base geralmente é mais reforçada e pesada. Bom para: Dortmunder Export e Pilsen;

 

Foto: Divulgação.

8     Pilsner: nós brasileiros o chamamos popular e erroneamente de "tulipa". Ideal para as cervejas do tipo Pilsen. Possibilita a formação de um bom creme e direciona o aroma do lúpulo para o nariz. Mas não confunda com o copo de Lager, que também são muito usados para chope aqui no Brasil: o Pilsner tem a boca mais larga, enquanto o de Lager tem a boca levemente fechada. Bom para: American Macro Lager, Happoshu, German Classic Pilsner, European Strong Lager e Witbier;

 

Foto: Divulgação.

9     Pint/Becker/Nonic: também chamado de Becker, é aquele que você encontra nos pubs ingleses e irlandeses. É o ideal para as cervejas Bitter e Stouts. Possui um desenho simples, barato e que comporta grandes quantidades de cerveja. Os que apresentam um anel mais saliente no topo são do tipo English Imperial Pint, também chamado de Nonick. Já os demais são do tipo Irish Imperial Pint imortalizado pela Guinness (545ml). Possuem a boca mais larga que a sua base. Na verdade, pint é uma unidade de medida que na Inglaterra equivale a 568ml e nos Estados Unidos equivale a 473ml. O anel dos Nonick Pints foram incorporados por volta de 1960 para facilitar o empilhamento de copos, evitando que eles ficassem presos e quebrassem. Bom para: Smoked, Marzen/Oktoberfest, Steam Beer, Malt Liquor, Winter Warmer, Bitter, Pumpkin Ale e APA;

 

Foto: Divulgação.

10   Mass: é o típico canecão alemão de 1 litro, ideal para grandes e festeiros bebedores, daqueles que adoram brindar a cada minuto. Devem seu sucesso à quantidade de cerveja que podem conter. Também chamado de Seidel;

 

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11   Mug ou Stein: Mug em inglês, ou Stein em alemão, foram os primeiros recipientes utilizados para se beber cerveja. São robustos, pesados, com alça e de diferentes capacidades de armazenamento. São muito utilizados em festivais de cerveja e festas alemãs, principalmente a Oktoberfest. Alguns chegam a comportar até um litro de bebida. Bom para: American Amber Ale, Roggenbier, Sahti, Irish Red Ale, Scottish Ale, Bock, Doppelbock, German Classic Pilsner e Bohemian Pilsner;

 

Foto: Divulgação.

12   Pokal: esse é um dos copos mais comuns, sendo considerado por alguns como um copo universal para degustação de cerveja. Sua forma favorece a preservação de espuma, o aspecto transparente e brilhante da cerveja e também a saída de perfumes a cada vez que se degusta. Pode ter diversas variações, mas sempre apresenta uma haste de sustentação e um leve estreitamento da boca, para a retenção de aromas de difícil percepção. Tornou-se popularmente conhecido pela sua elegância que valoriza a cerveja mais leve. Mesmo sendo considerado o coringa para todos os estilos de cerveja, as mais indicadas para esse copo são as carbonatadas, tanto claras como escuras. Bom para: Pilsen e Vienna Lager;

 

Foto: Divulgação.

13   Snifter: copos como os usados para conhaque são indicados para Barley Wines, Eisbock e Imperial Stouts, ou seja, cervejas fortes. São ótimos para capturar os aromas, permitindo agitar a cerveja em movimentos rotativos leves, sem muito risco de que a cerveja transborde o limite do copo. Também ajudam na manutenção de espuma, permitindo grandes goles sem que muito dela acabe entrando em contato com o rosto de quem bebe. Também chamados de taça de conhaque ou copo Napoleon. Possuem corpo arredondado e boca estreita, que permite a retenção de aromas. Seu formato é para que ao segurá-lo, seja totalmente envolvido pelas mãos, que aquecerão a bebida e assim os aromas voláteis sejam mais facilmente lirados. Bom para: Eisbocks, Barley Wine, Old Ale, Russian Imperial Stout e Wood Aged;

 

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14   Stem: possui um formato semelhante ao do Pokal, mas com as paredes mais retas e a boca ligeiramente mais larga que a base. São mais robustos e para cervejas mais robustas, como as do estilo Doppelbock, assim como as escuras, maltadas e de alto teor alcoólico. Bom para: Strong Dark Ale e DoppelBock;

 

Foto: Divulgação.

15   Spiegelau: em colaboração com algumas das principais cervejarias produtoras de IPA dos Estados Unidos, a Spiegelau criou um novo conceito para o copo de IPA. Feito para potencializar os sedutores e complexos perfis aromáticos das IPAs americanas, mantendo um colarinho generoso, ressaltando o sabor e o paladar, com uma abertura confortavelmente grande para apreciar todos os aspectos da cerveja. O novo projeto da Spiegelau é o copo perfeito para os amantes do lúpulo. Bom para: IPA;

 

Foto: Divulgação.

16   Thistle: muito comum na Escócia, tem seu nome inspirado em uma planta exótica e que possui um bulbo saliente na sua base. No copo esta saliência acima da haste permite um encaixe da mão, favorecendo assim o aquecimento da cerveja, fato que facilita a liberação de aromas. Possuem a boca larga também para facilitar a liberação destes aromas, nas cervejas mais complexas e bastante alcoólicas, como as Strong Bitter. Bom para: Whee Heavy e Scotch Ale;

 

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17   Tulipa/Tulip: ideal para cervejas que possuem bastante creme, como a Duvel e outras Strong Ales belgas. O desenho é baixo e elegante, permitindo também observar a evolução da espuma. Não confundir com o que chamamos aqui no Brasil de Tulipa, que na verdade é um copo Pilsner. A Tulipa parece mais com uma taça de conhaque, porém com a boca do copo virada para fora. Bom para: Scotch Ale, Saison, Bière de Garde e Belgian Strong Ale;

 

Foto: Divulgação.

18   Teku: o nome é uma palavra composta das iniciais de dois percursores da cerveja artesanal italiana. Teo Musso é o fundador da Cervejaria Baladin, Kuaska é o mais importante degustador e expert italiano de cervejas, e um dos mais importantes da Europa. Eles projetaram um copo universal para a degustação de cervejas, caracterizado por formas peculiares, com o objetivo de exaltar “on-flavours” e “off-flavours” das cervejas;

 

Foto: Divulgação.

19   Tumbler: utilizado para as cervejas do tipo witbier, com o da Hoegaarden (500ml). Como estas cervejas não formam muito creme, o copo não precisa ter a boca fechada. Robustos e pesados, também facilitam a vida dos bares por serem mais difíceis de serem quebrados, por são usados para servir coquetéis, refrigerante e chá gelado. Bom para: Witbier;

 

Foto: Divulgação.

20   Weizen: é ideal para cervejas de trigo, pois permite que se admire a espuma e a cor da cerveja. Como são altos, possibilitam que todo o conteúdo de uma garrafa de 500ml seja colocado, incluindo o fundo com as leveduras, tendo espaço para a espuma, como manda a tradição. Ainda, permite evidenciar a concentração de aromas presente. Bom para: Dunkel Weizen, Gose, Weizenbock, Hefe Weizen e Weissbier;

 

Foto: Divulgação.

21   Yard: parece um tubo de laboratório, sem pé, o que demanda um suporte de madeira caso quem estiver usando-o não queira ficar segurando-o o tempo todo. Ficou famoso por ser usado e recomendado pela Pauwel Kwak.

 

 

Foto: Divulgação.

Acredito que a partir de agora você poderá degustar de uma maneira mais interessante as suas deliciosas cervejas.

 

Cheer!



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