Jorge Marcondes
Sexta, 18 de novembro de 2016, 11:31 h - Atualizado em 18/11, 11:41 h

Session Beer, uma cerveja para o verão!!!

Por Jorge Marcondes

Jorge Marcondes:Empresarial
Autor: Redação
Foto: Divulgação.

Muitos estilos podem combinar muito bem com a estação mais quente do ano, mas de alguns anos para cá começou uma tendência inclusive aqui no Brasil, o das Session Beers, que representam uma excelente opção para quem quer muita refrescância sem abrir mão do sabor. Estas são bebidas muito agradáveis para os dias quentes e podem ser apreciadas por períodos mais longos e em volume bem maior, sem haver maiores riscos de alta intoxicação pelo álcool.

 

Depois do lançamento de alguns rótulos tais como o Verum Session Pale Ale da Bodebrown e o Funk IPA 2Cabeças no Mondial de La Bière em novembro de 2014, mais os lançamentos feitos no Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau, como é o caso da mineira Wäls com sua Session Citra e da Session IPA da paranaense F#%*ing Beer, houve até uma cerveja escura de maltes torrados, que é o caso da cerveja Limbo da cervejaria Seasons do Rio Grande do Sul, que é uma Session Stout, este movimento se confirma.

 

 

Foto: Divulgação.

Elas representam uma categoria de cervejas que pode ser de qualquer estilo base, podendo ter diversos sabores, mas que apresentam como características principais:

  • o teor alcoólico de no máximo 5,0 % (ABV);
  • um sabor que pode até ser mais suave, mas que não é uma regra;
  • e um alto drinkability, que é uma palavra em inglês que ainda não tem uma boa tradução na nossa língua, mas que significa um conjunto de características apresentadas por uma cerveja, que possibilita a sua degustação em grandes quantidades.

 

É um conceito que aparentemente nasceu na Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial e que apresentava estilos como Mild Ale e Bitter. Naquela época esse tipo de cerveja podia ser consumido pelos trabalhadores nos seus curtos intervalos chamados Sessions, sem o risco de se embriagarem antes de voltarem aos seus postos de trabalho.

 

 

Foto: Divulgação.

Então, muitas cervejas podem ser encaixadas nessa categoria, pois a ideia é ampla, mas algumas assumem declaradamente o termoSession, inclusive alguns rótulos nacionais. Assim, apesar das cervejas lupuladas serem as preferidas de 9 em cada 10 entusiastas das boas cervejas artesanais, e serem poucas as cervejarias que não possuem pelo menos um exemplar do estilo India Pale Ale (IPA) em seu portfólio, pois afinal, não restam dúvidas de que as IPAs com o seu amargor pungente, cargas significativas de puro malte que geram um alto teor alcoólico, acabam sendo sinônimo do que o movimento craft beer representa. Estas são as cervejas mais admiradas do público no segmento das cervejas artesanais e assim são o estilo que mais recebem versões Session.

 

Neste caso , surgem as India Session Ale ou Session IPA (SIPAs), versões cujo objetivo principal dos cervejeiros é conseguir manter a intensidade aromática e de amargor das IPAs normais, mas sem perder o balanceamento deste conjunto menos maltado.

 

No entanto, o conceito dessas cervejas tem sido muito criticado mundo fora, pois, alguns especialistas afirmam que uma cerveja abaixo dos 5% ABV deve ser considerada uma Session e outros acham este seria um teor alcoólico alto demais para quem objetiva beber várias cervejas num espaço curto de tempo. Também, se as cervejas comerciais ficam em torno de 4,5% de álcool, a diferença não é muito grande e elas seriam Session também.

 

Outro fato é o de que no Brasil o preço de uma Session fica até mais caro que a média das cervejas artesanais, portanto o consumidor poderia não gostar de comprar uma cerveja mais leve e pagar até mais caro que uma outra com maior teor alcoólico e complexidade.

 

Foto: Divulgação.

 

Mas, a verdade é que as Session IPAs já são uma realidade do mercado das cervejas artesanais, apesar de uma cerveja de 23 IBU não ser uma IPA, pois o conceito básico de uma IPA é ter bastante amargor (versão Standard com ABV de 5,0 a 7,5% e Double com ABV de 7,5 a 10,0%). Mas, o que realmente importa é que a cerveja seja boa e isso é bastante relativo, pois vai de cada paladar em particular.

 

Mais um ponto de críticas é o lema do movimento dos cervejeiros artesanais que é usado como um mantra e instrumento de propaganda que procura diferenciar seu produto dos industrializados em larga escala, o "beba menos, beba melhor".

 

Esta filosofia prega uma nova forma de se consumir cerveja, indo para o lado que envolve menos bebedeira e mais prazer na hora de consumir, tentando rever velhos hábitos e incentivando o consumidor a abandonar o consumo excessivo altamente incentivado pelas cervejas comerciais, focando na maior qualidade em menor quantidade.

 

 

 

Então aí surge um possível paradoxo, pois vamos pensar em uma cervejaria artesanal que prega o "beba menos beba melhor" e faz uma cerveja para ser consumida em grandes quantidades. Parece muito estranho, não parece?

 

Então, se o apreciador de cerveja artesanal é visto como um Nerd barbudo trancado em um quarto, sozinho com sua Russian Imperial Stout de 12% ABV e fica observando o copo, bebendo lentamente por horas para sentir cada detalhe desta cerveja, não faria sentido algum fazer isso com uma Session.

 

 

 

 

Mas nós somos pessoas normais, também gostamos de sentar no bar com os amigos e beber várias cervejas, pois a socialização é um dos principais atributos de uma boa cerveja. E é nesse ponto que a coisa pode começar a ser explicada, pois se eles não são acostumados a beber cerveja artesanal, irão beber as American Lager deles e se você puder beber com eles a noite toda, uma Session IPA?

 

Então você não abandona o “beba melhor” pois estará bebendo uma cerveja artesanal de qualidade e consegue se manter relativamente sóbrio graças ao reduzido teor alcoólico da Session, que é parecido com as deles, e ainda “bebe menos” álcool.

 

Se é o consumidor que vai decidir quando, onde, o que, e o quanto vai beber, cabe à cervejaria como um negócio, planejar as formas de satisfazer as necessidades de cada estilo, cada gosto, para cada filosofia e cada momento do seu cliente.

 

Não podemos negar que cada cervejaria é um negócio, e como tal deve se preocupar com a longevidade, portanto nem sempre elas conseguirão seguir cartilhas como o Guia BJCP ou o BA. Na verdade, o consumidor é que define boa parte do comportamento e dos produtos que serão produzidos, independente da nossa opinião sobre certos fatos.

Não estou aqui para esgotar este assunto, nem para dizer que um lado é certo e outro é errado, mas para mostrar que as cervejas Session existem, estão no mercado e possuem muitos apreciadores. O que desejo mostrar é que esta é mais uma opção para o verão e que muitos irão achá-las muito ruins e outros muitos irão achá-las maravilhosas. O que mais importa é que cada um possa apreciar o diferente com consciência e cuidado. Se esta é uma possível porta de entrada para muitos, no mundo da cerveja artesanal, já está valendo.

 

Agora vamos a alguns exemplos de Session, pois acredito que se você nunca provou uma, no mínimo ficou curioso. A Tarantino Session IPA, por exemplo, é uma cerveja sazonal que surgiu na metade de 2013 produzida pelo cervejeiro americano Doug Odell na Cervejaria Dortmund em Serra Negra, São Paulo. A rede Mr. Beer lançou a Santa Muerte Session Pale Ale em parceria com o estúdio Tattoo You, que foi fabricada pela Dama Bier de Piracicaba, também São Paulo.

 

Na sua lista também devem entrar: a Founders All Day IPA com 4,7 ABV; a 2Cabeças Funk IPA com 4,7 ABV; a Wäls Session IPA Citra com3,9 ABV; a Fucking Fresh Beer com 4,8 ABV; a Urbana Refrescadô de Safadeza com 4,5 ABV; e a Landel Session American IPA com 4% ABV.

Espero ter aguçado a sua curiosidade por mais este “estilo” de cerveja e que você consiga degustar algumas amostras e forme a sua própria opinião sobre o que vimos neste texto. Não sei se vale discutir, mas tenho uma única certeza que é a de que sem experimentar não podemos elogiar ou criticar.

 

Cheers!!!



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