Cristiano Machado
Quarta, 20 de junho de 2018, 18:32 h - Atualizado em 20/06, 18:34 h

Desde a escola

Ex nihilo nihil fit, pois do nada, nada surge

Cristiano Machado:De Bem com a Vida
Autor: Redação
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Todo grande evento esportivo é a mesma coisa… Viralizam pelas redes sociais e também pelos programas de “jornalismo” esportivo, vídeos e imagens de torcedores japoneses recolhendo o lixo que foram deixados no estádio, e convenhamos, isso deve ser reconhecido. Na mesma linha, esse ano de 2018, os senegaleses também foram fotografados e filmados com a mesma atitude. 

Eu não gosto da expressão CIVILIZADO para definir o povo japonês e senegalês nessa situação, mas é inegável que essa atitude é super. Positiva, e de antemão quero deixar claro aqui para evitar qualquer mal-entendido, que não é uma crítica a essas atitudes.

Eu vivi 4 anos no Japão e posso afirmar que não é apenas em eventos esportivos que os japoneses são assim, no dia a dia das fábricas onde trabalhei, manter o local limpo e organizado sempre foi parte integrante das atividades profissionais, e ainda mais, desde a escola, as crianças japonesas são ensinadas a se comportar dessa maneira e aqui está a chave para se compreender o meu objetivo nesse texto: DESDE A ESCOLA. Grifem isso aqui e daqui a pouco a gente volta a falar disso.

O controverso e aclamado dramaturgo e escritor brasileiro Nelson Rodrigues cunhou, por ocasião do fatídico 16 de julho de 1950, uma expressão conhecida por muitos e repetida à exaustão. Nesse dia, às 15 horas, nós, brasileiros, tivemos que amargar um doloroso 2x1 na final da copa do mundo, num episódio que ficou conhecido como Maracanaço. Nesse dia surge também a expressão complexo de vira-lata

Por “complexo de vira-lata” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima.

Agora pensem comigo, diante de uma copa do mundo, o campeonato mundial de futebol, um dos maiores orgulhos do povo brasileiro, ainda sobra espaço para dizer o quanto o povo japonês e senegalês é superior por recolherem o lixo do estádio? Percebe o quão vira-lata é essa afirmação?

É lindo ver aquelas pessoas recolhendo o lixo dos estádios né!? Claro que é. Mas você, gente brasileira e possivelmente de classe média, que leva seus filhos para a escola, todos os dias, me responda com sinceridade, se a partir do ano que vem, além de português, matemática, física biologia, sociologia e filosofia, na escola que você paga com esforço para garantir uma boa formação às suas crianças, fosse estabelecida também uma matéria de limpeza e organização do ambiente comum onde os meninos e meninas da classe média tivessem que limpar o chão da escola, varrer, passar pano nas mesas, recolher lixo, etc., qual seria sua reação? Quantos de nós não diríamos: 

- Mas eu estou pagando a escola para ensinar meu filho e não para ele trabalhar de zelador.

Pois bem… lembra o que grifamos lá no começo desse texto? DESDE A ESCOLA. Desde a mais tenra infância as crianças japonesas são ensinadas a se comportar de maneira que o ambiente comum seja organizado e limpo. 

Um famoso jornalista e ex porta voz da ditadura sanguinária brasileira, manifestou seu viralatismo de maneira plena ao escrever no twitter, por ocasião do empate do Brasil com a Suíça:

A Suíça nos ganha de goleada em segurança, saúde, educação, impostos, liberdades, renda per capita, representação popular. Em compensação, conseguimos empatar com ela em futebol.

Poderia aqui, alegar que a Suíça assim como muitos países europeus constituíram riquezas explorando o sul do mundo, mas cabe ainda ressaltar o fato de que bancos suíços recebem dinheiro de criminosos do mundo inteiros, mas não, o que vou dizer é que a SEGURANÇA, SAÚDE, LIBERDADES, RENDA PERCAPTA e REPRESENTAÇÃO POPULAR deles não surgiu de um dia para o outro, mas foi uma construção de muitos anos. Uma sociedade segura, saudável e educada não se faz elegendo um presidente ou estabelecendo um determinado modelo de governo, mas agindo sempre, persistindo em cada momento, DESDE A ESCOLA, desde a mais tenra idade.

Ex nihilo nihil fit é uma expressão latina que poderia ser traduzida como “nada surge do nada” e poderia ser o início de uma nova mentalidade revolucionária que abandone a hipocrisia vira-lata travestida de aplauso aos estrangeiros e se converta em ação direta de casa para a rua, no condomínio e nas associações de bairro, nas reuniões de pais nas escolas e nas mobilizações populares por melhores condições de trabalhos para as mais diferentes classes. Pagando um salário justo para os funcionários, recolhendo o lixo do ambiente público sendo igual aos que tomamos por exemplo de conduta na coletividade.



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