Marcos Silva
Sábado, 30 de setembro de 2017, 01:36 h - Atualizado em 30/09, 11:21 h

Para ler, ver, ouvir e pensar- Ernesto Nazareth

O inventor da música popular brasileira


Marcos Silva: Cultura


Foto: Divulgação.

O compositor e pianista Ernesto Júlio de Nazareth ( 1863 – 1934) pode ser considerado, juntamente a Chiquinha Gonzaga e Pixinguinha,   o mais popular " fundador"  da original música brasileira. 


Nascido em (Rua) Bom Jardim (atual Rua Marquês de Sapucaí),região do porto do Rio de janeiro, começou seus estudos de piano muito cedo. Com uma solida formação clássica teve sua primeira composição aos 14 anos e sua primeira apresentação pública como pianista aos 17 anos. Segundo Mario de Andrade era um compositor brasileiro dotado de uma extraordinária originalidade que transitava com muita facilidade entre a música popular e erudita fazendo a ponte entre estas. Tornou-se  uma referência para o “Choro” e todo o complexo da música popular brasileira de todos os tempos.  Suas composições são consideradas como um desafio para estudantes e jovens pianistas.


Seu sucesso como compositor logo se tornou internacional. Em 1893 o tango ‘Brejeiro”, lançado pela editora  Casa Vieira Machado, teve publicação em Paris e EUA (1914), incomum para época.


É o compositor brasileiro mais interpretado no país e exterior, só perdendo para o maestro Heitor Vila-Lobos. Sua composição “Dengoso” fez parte do filme "A História de Irene e Vernon Castle" (1939) dançada por Fred Astaire e Ginger Rogers e “Apanhei-te, Cavaquinho” teve animação para o desenho Melody’s dos estúdios Walt Disney em 1948.


Ao final da década de 20 um problema de audição, resultante de uma queda que sofreu na infância, agrava-se prejudicando sua saúde e alguns anos depois é diagnosticado como portador de sífilis. sendo logo após (1933) internado na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá. Teve uma morte trágica: após fugir do manicômio foi encontrado morto três dias depois (1 de fevereiro de 1934), já em estado de decomposição.


Deixou 211 peças completas para piano sendo as mais conhecidas  "Apanhei-te, cavaquinho", "Ameno Resedá" (polcas), "Confidências", "Coração que sente", "Expansiva", " Faceira", "Turbilhão de beijos" (valsas), "Fon-fon", "Escorregando", "Brejeiro", e "Bambino" (tangos brasileiros).


“Odeon”, talvez sua composição mais conhecida, foi publicada em 1909 pela editora casa Mozart, em homenagem ao distinto e luxuoso cinema Oden onde Nazareth tocava na sala de espera por ocasião das exibições, embora muitas pessoas frequentava a sala somente para ouvi-lo tocar deixando inclusive de assistir aos filmes. A melodia da primeira parte é construída de uma maneira engenhosa, tocada pela mão esquerda do pianista, enquanto a direita pontua com acordes. Esta composição teve até 2012 o número impressionante de 325 gravações comerciais, em diversos países. Na década de 1960 Vinícius de Moraes deu letra a música, o que representou um sucesso ainda maior.


Odeon - composição de Ernesto Nazareth e execução de Maria Teresa Madeira:  https://www.youtube.com/watch?v=J7DPA2-8Okc

Letra de Vinícius de Moraes

Ai quem me dera
o meu chorinho
tanto tempo abandonado,
e a melancolia que eu sentia
quando ouvia
quem me fazer tanto chorar.
Também me lembra
tanto, tanto,
todo o encanto
de um passado,
que era lindo,
era triste, era bom
igualzinho a um chorinho
chamado Odeon.
Terçando flauta e cavaquinho
meu chorinho se desata.
Tira da canção do violão
esse bordão
que me dá vida
e que me mata.
É só carinho
o meu chorinho
quando pega e chega
assim devagarzinho
meia-luz, meia-voz, meio-tom
meu chorinho chamado Odeon.

Ah, vem depressa
chorinho querido, vem
mostrar a graça
que o choro sentido tem
quanto tempo passou
quanta coisa mudou
já ninguém chora mais por ninguém.
Ah, quem diria que um dia,
chorinho meu, você viria
com a graça que o amor lhe deu
pra dizer “não faz mal,
tanto faz, tanto fez,
eu voltei pra chorar com vocês.”

Chorinho antigo, chorinho amigo
eu até hoje ainda persigo essa ilusão
essa saudade que vai comigo
e até parece aquela prece
que sai só do coração.
Se eu pudesse recordar
e ser criança
se eu pudesse renovar
minha esperança
se eu pudesse me lembrar
como se dança
esse chorinho
que, hoje em dia,
ninguém sabe mais.

Chora bastante meu chorinho
teu chorinho de saudade.
Diz ao bandolim pra não tocar
tão lindo assim
porque parece até maldade.
Ai, meu chorinho
eu só queria
transformar em realidade
a poesia
ai que lindo, ai que triste, ai que bom
de um chorinho chamado Odeon.
 

A obra de Ernesto Nazareth possui uma excelente página na web com a biografia do músico, acervo, detalhes da sua vida e trabalho, e curiosidades, lançada em comemoração aos 150 anos de seu nascimento: http://ernestonazareth150anos.com.br/
e um documentário produzido pela SESC TV: https://www.youtube.com/watch?v=git4Ua_QoTw

 

Para conhecer um pouco do repertório cabe a sugestão abaixo:
ODEON - Pixinguinha (1971)
APANHEI-TE CAVAQUINHO - Quinteto Villas-Lobos (1977)
BREJEIRO - Quinteto Villa-Lobos (1977)
FACEIRA - Quinteto Villa-Lobos (1977)
PERIGOSO - Garoto (1951)
QUEBRADINHA - Arthur Moreira Lima (1977)
TENEBROSO - Arthur Moreira Lima (1977)
BAMBINO - Arthur Moreira Lima (1977)
FLORAUX - Jacob do Bandolim (1967)
ATLÂNTICO - Jacob do Bandolim (1952)
FIDALGA - Jacob do Bandolim (1967)
SARAMBEQUE - Arthur Moreira Lima (1975)
FAMOSO - Garoto (1950)
O FUTURISTA - Arthur Moreira Lima (1977)

 

Para ouvir, e conhecer a obra: Ernesto Nazareth

 

Marcos Silva colunista aos sábados -  email: Marcosgeovano@hotmail.com

As opiniões aqui expressas são de responsabilidade do autor.

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Comentários desta notícia:


24/05, 08:52 h -Ana:

" O Cristo em si e9 bonito, mas nada te3o eenapciocxl. Legal mesmo e9 a vista panore2mica da cidade ; o que mais me encanta e9 a sua geomorfologia: sobe e desce morros, ricos em nascentes d’e1gua e marcas profundas da rede de drenagem. Rochas lindas e um recorte de praias magnedfico. Pois e9. E o povo acha que sf3 por estar bem localizado, o cristo, aquela estatueta inexpressiva, e9 uma grande maravilha do mundo moderno "



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