Tânia Jeferson
Segunda, 24 de junho de 2019, 00:00 h - Atualizado em 24/06, 00:00 h

Celebremos Yule

Saiba mais sobre o primeiro festival pagão a ser cristianizado

Tânia Jeferson: Yule
Autor: Redação
Foto: Altar de Yule: época representa esperança, é a promessa de que tudo vai melhorar. Yule nos estimula ater fé e acreditar que mesmo em terras inférteis é possível nascer lindas flores.

O Solstício de inverno é um fenômeno astronômico que marca o início do inverno, quando o dia é o menor do ano e a noite é mais longa. Acabamos de celebrar este sabbath na última sexta-feira (21 de junho) para quem está no hemisfério sul do planeta.

O que é Yule e a diferença dos Hemisférios Norte e Sul?

Essa celebração está ligada ao solstício de inverno, então o Yule acaba tendo sua celebração em diferentes épocas do ano dependendo do hemisfério. No norte o Yule é celebrado a partir do dia 21 de dezembro, já no hemisfério Sul ele é celebrado a partir do dia 21 de junho.

Yule foi o primeiro festival pagão a ser cristianizado, em 354 d.C., quando o nascimento de Jesus (originalmente no final de setembro) foi oficialmente transferido para o solstício de inverno e denominado Natal.

Os muitos costumes associados a Yule (velas, árvores decoradas, bolo de Natal, guirlandas, decorações com pinhas, troca de presentes, brindes e canções, máscaras, visco, "enfeitar o salão com maços de azevinho", etc.) são todos pagãos e oferece uma rica coleção de material para nossas celebrações contemporâneas.

Apesar de no Brasil termos o costume de dizer que trata-se do “primeiro dia de inverno”, a data por volta de 21 de junho simboliza o meio do inverno, ou seja, quando o inverno está no ápice. Tanto é que, originalmente, o nome é “middle-winter” (em inglês, meio do inverno).

 

O que Yule representa

A partir do solstício de inverno, o Sol se aproxima da terra, e a escuridão do inverno ameaça ir embora. É quando a Deusa dá à luz seu novo filho, o Deus renovado e forte, ainda bebê.

Yule também é conhecido como o Festival das Luzes, por todas as velas acesas nessa noite.

Na antiga Roma, era chamado de Natalis Solis Invicti - "Nascimento do Sol Invicto" - e ocorria durante o festival mais longo da Saturnalia, o maior festival do ano, do qual herdamos a nossa imagem do Ano-Novo.

Se acendiam grandes fogueira nesta festividade, e dançava-se ao redor delas girando muitas vezes como uma forma de atrair as mudanças tanto internas como externas. Podemos ver aqui a semelhança com a festa de São João e os motivos pelos quais a igreja a determinou, ainda que de uma forma distorcida.

Na noite do Solstício de Inverno, o Deus nasce para a sua mãe virginal. Vale lembrar que o significado original da palavra "virgem" é bem diferente da sua conotação moderna, ou seja, a mulher que nunca teve relações sexuais. Esse termo originou-se do paganismo greco-romano, segundo o qual uma virgo intactus era uma mulher inteira e completa em si mesma. Ela não tinha necessidade de uma família para atingir a totalidade e era geralmente era uma sacerdotisa.

Para que celebrar?
Para nós do hemisfério sul, comemorar Yule nessa época do ano é controverso, uma vez que o ciclo das estações é invertido e parece que estamos celebrando o Natal seis meses antes.

No entanto, os Sabbats da Roda do Ano são um meio de se conectar com as grandes energias sazonais da Natureza ao nosso redor, e seria bem mais estranho comemorar Litha - Solstício de Verão (se seguíssemos a Roda do Norte) em pleno Inverno!

Celebrar o Solstício de Inverno é reafirmar a continuação dos ciclos da vida, pois Yule é o tempo de celebrar o espírito da Terra, pedindo coragem para enfrentar os obstáculos e dificuldades que atravessaremos até a chegada da Primavera.

É momento de contar histórias, cantar e dançar com a família, celebrando a vida e a união. E de se acender fogo - fogueira, velas - como elemento mágico capaz de ajudar o Sol a retornar para a nossa vida, corações e mentes.

Trazer toda essa representação para o nosso fortalece a nossa conexão com a mãe natureza e a cria a magia de sermos cada vez melhores.

Incensos: louro, cedro, pinho e alecrim.

Cores das velas: dourada, verde, vermelha, branca.

Pedras preciosas sagradas: olho-de-gato e rubi.

Ervas ritualísticas tradicionais: louro, fruto do loureiro, cardo santo, cedro, camomila, sempre-viva, olíbano, azevinho, junípero, visco, musgo, carvalho, pinhas, alecrim e sálvia.


Comentários desta notícia:


24/06, 19:03 h -Sheyla:

"Texto maravilhoso e muito esclarecedor. Bjuuu"

24/06, 19:03 h -Sheyla:

"Texto maravilhoso e muito esclarecedor. Bjuuu"



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