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Terça, 24 de abril de 2018, 00:00 h - Atualizado em 24/04, 10:55 h

Você é o que come!

Nossas escolhas alimentares podem modificar nossa estrutura genética

Vale a Pena Ler de Novo:De Bem com a Vida
Autor: Redação
Foto: Divulgação.

A frase “você é o que come” parece fazer cada vez mais sentido. Pesquisadores da Universidade de Oxford demonstraram que os alimentos consumidos por alguns organismos podem afetar as sequências de DNA de seus genes. Em um estudo em dois grupos de parasitas, a equipe detectou diferenças nas sequências de DNA que poderiam ser atribuídos à composição dos seus alimentos.

 

O co-autor do estudo, Dr. Steven Kelly, do Departamento de Ciências Vegetais de Oxford, disse: "A formação do DNA dos organismos se faz a partir de blocos de construção vindos dos alimentos que recebem. Nossa hipótese era que a composição deste alimento poderia alterar o DNA de um organismo. Por exemplo, um panda vegetariano poderia ter diferenças genéticas previsíveis de um urso polar ao comer carne?”

 

Para testar esta hipótese, foi escolhido um grupo simples de parasitas, usado como o sistema modelo. Estes parasitas compartilhavam um ancestral comum (mesma genética), mas evoluíram para infectar diferentes hospedeiros e com isso, ter contato com alimentos diferenciados. A genética era portanto a mesma, mas a fonte energética variava em função da alimentação do hospedeiro.

 

A partir daí, se percebeu que, de acordo com a quantidade de proteína na dieta dos hospedeiros, os parasitas se modificavam de formas muito variáveis, havendo inclusive modificações significativas em seu DNA.

 

Por que isso nos interessa?

 

Porque, enfim, temos base científica para o início da compreensão de que a alimentação nos modifica sim, e ao alterar a genética de um organismo, pode modificar igualmente todas as gerações subseqüentes. Isso abre uma porta enorme para a compreensão das doenças e fragilidades em cada tempo histórico, e como podemos trabalhar o estilo de vida não apenas para combatê-las, mas evitá-las. Mais do que nunca, podemos entender a relação oculta entre metabolismo celular e evolução.

 

Além disso, a equipe descobriu que é possível prever as dietas de organismos relacionados através da análise da sequência de DNA dos seus genes. Ou seja, o estudo também aponta para intervenções dietéticas que possam ser propostas para melhorar condições gerais do organismo e sua capacidade de se resguardar de problemas variados de saúde.

 

O próximo passo é analisar organismos mais complexos.

 

Em breve, nós humanos também devemos nos tornar cientes de que sim, somos o que comemos. Melhor ainda: tornamo-nos o que ingerimos. E assim, finalmente, passar para o lado correto das escolhas alimentares diárias.

 

Vamos pensar sobre isso?

 

Até a próxima!

 

Publicação de referência:

 

Emily A. Seward, Steven Kelly. Dietary nitrogen alters codon bias and genome composition in parasitic microorganisms. Genome Biology, 2016.

 

Adriana Zadrozny é Nutricionista com ênfase em Nutrição e Qualidade de Vida.

Trabalha com Nutrição Anticâncer.

Mestre em Fisiologia Humana e professora universitária, é também a autora do livro SOBRE VIVER – assim aprendi com um câncer de mama (Editora Máquina de Escrever).

 



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