Sexta, 28 de setembro de 2018, 14:47 h - Atualizado em 29/09, 07:56 h

A escola cervejeira belga

Vamos ao terceiro texto da série!

Jorge Marcondes:Empresarial
Autor: Redação
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A nobre escola Belga não foi marcada por uma lei que restringe o uso dos ingredientes ou processos de produção, justamente por não ter pertencido ao Império Germânico. Desta forma, a sua cultura cervejeira permanece inalterada há séculos, sendo bastante diferente daquela encontrada na Alemanha, talvez por ser a mais recente das três escolas clássicas.

 

A Bélgica é um território pequeno, mas cuja tradição cervejeira se estende também pelo Norte da França e Sul da Holanda. Desde há muito era válida a tendência de experimentar tudo aquilo que pudesse agregar sabor ou valor à cerveja. Então, elas podiam ser feitas com diversos tipos de cereais, podiam ter adição de frutas e mel, podiam receber quaisquer outros temperos, além do lúpulo, como no caso das Witbier que recebem até hoje, as cascas de laranja e as sementes de coentro.

 

Podiam ainda, conter açúcar e caramelo na sua formulação. Algumas cervejas não recebiam nem a inoculação de fermento, sendo simplesmente deixadas abertas para serem fermentadas espontaneamente por micro-organismos presentes na atmosfera, proporcionando características muito interessantes à bebida.

 

É uma escola intimamente vinculada aos monastérios católicos, e tomou corpo a partir do século XVIII, especialmente pelas mãos dos monges que fugiam da Revolução Francesa. A partir de então, foi criando características próprias que tornaram suas cervejas de abadia famosas no mundo todo. Dentre elas, as celebradas Trappistas como as Westveleteren XII, um verdadeiro mito do mundo da cerveja.

 

Apesar de apenas 8 monastérios estarem autorizados a utilizar a marca Trappista (6 deles na Bélgica, um na Holanda e o mais recente deles na França), existem incontáveis cervejas de abadia em produção, seja para consumo ou para sustento de suas comunidades e projetos.

 

A Bélgica e suas cervejas são marcadas pelos belos monastérios, sendo que muitos deles produzem até hoje, como produziram por séculos. Nesses monastérios foram formuladas muitas das mais tradicionais cervejas produzidas até hoje, como as Trappistas, as Blondes, as Brunes (Bruins), as Dubbels, as Trippels e as fantásticas e saborosíssimas Quadruppels. Todas estas são cervejas de alta fermentação (Ales) e normalmente são bastante condimentadas, muito excêntricas e ecléticas.

 

A complexidade das cervejas belgas não vem simplesmente do fato de na Bélgica se poder usar praticamente qualquer ingrediente na produção da cerveja, vem das cepas e blends de leveduras que as cervejarias e monastérios cultivaram por séculos, e que são guardadas a sete chaves até hoje.

 

Como a maioria dos monastérios que produziam cerveja, se isolava da civilização e mantinha os conhecimentos cervejeiros dentro deles mesmos, quase como um segredo, cada um propagava sua própria cultura de leveduras, cada uma delas com características diferentes umas das outras. Isso acarretava em cervejas completamente distintas entre si e muito diferentes do padrão alemão.

 

É possível se afirmar que um dos maiores segredos das cervejas belgas está nas suas leveduras. São elas as responsáveis pelos sabores distintos das cervejas Belgas. Um mosto produzido para se fazer uma Bock, por exemplo, se ao invés de a inocularmos com levedura Lager for inoculado com uma cepa de leveduras belga, ela não será mais uma Bock, pois não foi fermentada com levedura Lager, fato que dará à cerveja um perfil de sabor bastante parecido com uma Belgian Dubbel.

 

 

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Na Bélgica os cervejeiros gostam de ousar, eles possuem uma certa resistência em determinar um estilo para suas cervejas, que normalmente são Ales bastante complexas, contendo uma série de diferentes ingredientes, desde outros tipos de cereais até frutas e condimentos. É uma escola bem exótica, cujas leveduras atribuem sabores típicos, bem como aromas que vão do ácido ao condimentado, passando por frutados, adocicados e alcoólicos, sendo que algumas possuem um teor alcoólico superior a 10,5 % ABV.

 

Uma peculiaridade das cervejas belgas é que são cervejas de fermentação espontânea, cujo cervejeiro não inocula a levedura que irá fermentar a cerveja, mas ele simplesmente deixará que a natureza faça seu trabalho. Após resfriar o mosto recém-pronto, o cervejeiro despeja-o em grandes “piscinas” rasas dentro da cervejaria e abre a janela, literalmente, para que os micro-organismos presentes na atmosfera entrem em contato com o mosto, para então fermenta-lo. Daí saem as deliciosas Lambics, Geuzes e Krieks.

 

Essas cervejas, por terem sido fermentadas por uma microflora não padronizada como na maioria das cervejarias pelo mundo, apresentam sabores bem distintos e normalmente mais ácidos, devido à atuação de bactérias produtoras de ácidos orgânicos.

 

Dentro do mundo das cervejas belgas, há sempre algo novo a ser experimentado e, nem sempre, uma cerveja belga se enquadra perfeitamente a um estilo existente no BJCP, por exemplo.

 

Por tudo isso, o jeito belga de consumir e produzir cerveja conta com muito polimento e sofisticação, existindo uma taça para cada cerveja, sempre procurando valorizando a estética, apresentando bordas banhadas de ouro, por exemplo.

 

Dos estilos mais alcoólicos e de intensas cargas sensoriais, temos as Belgian Strong Golden Ale, Strong Dark Ale, Dubbel, Tripel, Qudrupel, Saison e Blond Ale. Já entre as cervejas de menor teor alcoólico e com cargas sensoriais consideráveis, destacam-se a Witbier, que são cervejas de trigo, geralmente com adição de raspa de laranja e especiarias como a semente de coentro, bem como a Lambic, que é fruto da fermentação espontânea, e possui um caráter ácido.

 

As principais marcas locais são: Leffe, Hoegaarden, Chimay, Duvel e Delirium, Westmalle, Vedett e Westveleteren, dentre outras. Lembrando que a Bélgica produz pouco mais de 1600 rótulos, até por isso seria difícil citar um número considerável de marcas aqui.

 

Cheers!

 

Pesquisado em: <https://www.hominilupulo.com.br/cultura/o-que-sao-as-escolas-cervejeiras/> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <http://g1.globo.com/especial-publicitario/somos-todos-cervejeiros/noticia/2016/02/conheca-grandes-escolas-cervejeiras-do-mundo.html> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <https://www.beerbier.com.br/blog/historia-da-cerveja-escolas-principais-estilos/> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <http://www.ocontadordecervejas.com.br/grandes-escolas-cervejeiras/> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <https://www.papodebar.com/as-escolas-cervejeiras-e-suas-peculiaridades/> Acesso em 28/04/18.



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