Sexta, 05 de outubro de 2018, 00:00 h - Atualizado em 05/10, 00:00 h

A escola cervejeira inglesa

Este é o quarto texto da série.

Jorge Marcondes:De Bem com a Vida
Autor: Redação
Foto: Divulgação

No início da idade média havia uma bebida muito popular nas ilhas britânicas, chamada hidromel. Éla é btida da fermentação do mel e podemos considerá-la uma espécie de ancestral das Ales inglesas antigas, pois do hidromel aconteceu uma evolução para a fermentação do malte de cevada, que produzia uma bebida forte, doce e alcoólica.

 

Bastante diferente das escolas alemã e belga, esta escola é marcada por suas Ales, em sua maioria escuras e servidas em pints, bem como, muitas vezes condicionadas em barricas de carvalho. As Ales britânicas não são limitadas às cervejas produzidas na Inglaterra, estão em todas as ilhas britânicas e são cervejas normalmente mais escuras, com caráter mais maltado e uma carbonatação mais amena.

 

A escola inglesa talvez seja até mais antiga do que a alemã, mas é também a que mais se transformou dentre as três clássicas.

 

Até meados do século XV o lúpulo não era utilizado para temperar as cervejas britânicas, elas eram temperadas com ervas e condimentos locais. A partir do sec. XV uma mudança radical ocorreu na escola inglesa, foi introduzido o lúpulo, Inicialmente como conservante. Logo ele caiu no gosto dos ingleses e mudou completamente o conceito das ales.

 

Nesta época os ingleses passaram a chamar as cervejas temperadas com lúpulo de “Beer”, que normalmente eram importadas dos reinos Germânico e Saxônico, enquanto que as cervejas tradicionais britânicas, aquelas feitas sem lúpulo, eram chamadas de “Ales”.

 

Dessa fase surgiu e se destacou o estilo English Pale Ale, cujas cervejas são classificadas em amargas, especialmente amargas e extra especialmente amargas.

 

Já a partir do século XVI, devido ao desenvolvimento das colônias inglesas pelo mundo, começou a existir a necessidade de transporte de longa distância, por longos meses em navios, e as cervejas passaram a ser cada vez mais fortes, intensas e alcoólicas, surgindo os estilos Porter e Stout.

 

Então, na segunda metade do século XX a situação tornou a mudar radicalmente, pois os ingleses passaram a ser inundados pelas grandes cervejarias e suas Lagers de produção em massa. Fato este, que fez com que as velhas Ale Houses fossem fechando, com que os estilos tradicionais fossem abandonados e o padrão de consumo inglês mudou, devido ao preço e a falta de oferta.

 

Era comum até 1960 que as cervejas saíssem das cervejarias condicionadas em barril, antes de estarem prontas para consumo, terminando sua maturação nos porões dos Pubs ingleses. Após alguns dias, com uma bomba elétrica ou manual, a cerveja pronta era puxada até as torneiras e servida diretamente no copo dos clientes.

 

Felizmente, no final da década de 70, consumidores revoltados com o desaparecimento do jeito inglês de fazer cerveja, criaram o CAMRA, que significa literalmente Campanha pela Cerveja de Verdade (Campaign for Real Ale) e foi responsável pelo resgate não apenas de estilos, mas da cultura dos Pubs e dos pequenos cervejeiros.

 

O CAMRA, é um marco na história da cerveja mundial especialmente por ser um movimento de consumidores e não de produtores. Mudou definitivamente o mercado inglês e, desde então , a valorização das Ale Houses tradicionais e dos BrewPubs tornaram-se uma obsessão para os ingleses

 

Pub é uma palavra constantemente repetida e querida pelos bebedores de cerveja, sendo que a origem desse termo está na escola inglesa de cerveja, derivando da frase public house, como fruto de um período em que realmente se abria a porta de casa para consumo das cervejas produzidas ali mesmo, naquele espaço. Em grande parte, o ambiente do Pub caracteriza o jeito inglês de consumir e fazer cerveja.

 

É interessante que, ao longo do século passado (XX), passou-se com os variados estilos de cerveja quase extintos, ficando a produção concentrada apenas em cervejas baratas e de baixa qualidade.

 

 

Foto:

Para os britânicos, cerveja é coisa muito séria e eles dão muito valor às cervejas que bebem. Normalmente se identificam com o tipo de cerveja produzido localmente. As cervejas inglesas possuem um amargor presente, mesmo nos estilos mais populares, com características maltadas, de final seco. Já o lúpulo, este aparece bem e mesmo com o uso das leveduras, as características delas não são tão intensas quanto nas cervejas belgas. Algumas cervejas levam doses de açúcar, não para deixar a cerveja mais doce, mas como fonte de carboidrato para deixa-la mais seca. A escola inglesa é mais uma marcada pelas Ales.

 

Outra característica desta escola, é que as cervejas tendem a ser menos carbonatadas, ou seja, com menos gás. Porém, o inconformismo com a falta de opção e qualidade, ao longo do tempo fez surgir um movimento que gerou diversas cervejarias locais fazendo cervejas de alta qualidade, bem como inovadoras, como a belíssima escocesa Brewdog.

 

Eles gostam bastante de beber e não bebem pouco, por isso a maioria das cervejas britânicas é de teor alcoólico mais baixo e são normalmente fáceis de beber, como é o caso das Bitteres, que são cervejas reconhecidas por serem as cervejas dos camponeses, sendo que eles podem bebê-las o dia todo e continuar trabalhando.

 

O típico copo Pint garante dosagens elevadas de cerveja e, não por acaso, este surgiu como unidade de medida, uma vez que bebedores andavam desconfiando da “exatidão” dos mililitros, estabelecendo-se, então, os generosos 584 ml.

 

Há também a famosa London Porter, largamente consumida por toda população britânica, cuja popularidade gerou diferentes interpretações do estilo, como a Brown Porter, Baltic Porter e a Robust Porter.

 

A Porter é a cerveja precursora do estilo conhecido hoje como Stout e todas as suas interpretações. A Stout, que em inglês quer dizer robusto, nasceu da ideia de copiar a popular London Porter, porém a cópia feita era mais encorpada e robusta que a Porter original, o que acarretou em um estilo novo de cerveja, hoje muito popular nas ilhas britânicas, principalmente na Irlanda, local em que a Guinnes é a marca registrada do país.

 

Mas não se iluda achando que toda cerveja britânica é fraquinha, pois eles também criaram cervejas que são a base para algumas das mais fortes e peculiares cervejas feitas até hoje, como é o caso das Barley-Wines, IPAs e Imperial Stouts.

 

Uma English Pale Ale é uma cerveja típica da Inglaterra, sendo que a expressão Pale (pálida) é para indicar a cor mais clara desta bebida. Como é uma cerveja que tende a ser mais amargas, então é chamada de Bitter.

 

Estilos como Pale Ale, Stout, Imperial Stout, Dry Stout, ESB, Scotch Ale, Bitter, India Pale Ale (IPA), English Pale Ale, Old Ale, Baltic e Robust Porter, Brown Ale, bem como Barleywine, destacam-se na escola inglesa.

 

As marcas mais comuns e encontradas aqui no Brasil são: Guinness, Murphys, Fuller’s e Newcastle.

 

Cheers!

 

Pesquisado em: <https://www.hominilupulo.com.br/cultura/o-que-sao-as-escolas-cervejeiras/> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <http://g1.globo.com/especial-publicitario/somos-todos-cervejeiros/noticia/2016/02/conheca-grandes-escolas-cervejeiras-do-mundo.html> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <https://www.beerbier.com.br/blog/historia-da-cerveja-escolas-principais-estilos/> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <http://www.ocontadordecervejas.com.br/grandes-escolas-cervejeiras/> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <https://www.papodebar.com/as-escolas-cervejeiras-e-suas-peculiaridades/> Acesso em 28/04/18.



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