Quinta, 01 de novembro de 2018, 00:00 h - Atualizado em 01/11, 19:02 h

A trajetória da bebida mais popular do mundo

Por Jorge Marcondes

Jorge Marcondes:De Bem com a Vida
Autor: Jorge Marcondes
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As vezes as melhores coisas da vida acontecem por acidente, e assim foi com a fermentação, que ocasionou na descoberta da bebida alcóolica do momento, a cerveja. Muitos dos estilos que circulam atualmente também foram descobertos por acidente, como por exemplo, a EisBock.

 

A produção de cerveja é uma atividade que faz parte das experiências humanas desde cerca de 10.000 anos atrás, quando a humanidade começou a deixar de viver como nômades caçadores/coletores e iniciou o processo de se estabelecer em locais nos quais fosse possível cultivar cereais, que são ingredientes vitais para a produção de cerveja, transformando-se então em sociedades agrícolas.

 

Ninguém sabe ao certo como o processo de produção da cerveja foi descoberto ou quem veio a descobri-lo, mas imagina-se que um pouco de pão ou de algum cereal acabou se molhando e foi fermentando ao ar livre.

 

Naquela época ninguém desperdiçava comida alguma, nem mesmo os alimentos que estivessem estragados, pois se houvesse uma maneira de torná-los palatáveis e, daí a coragem aparecia e alguém se alimentava daquilo. Se aquele alimento não matasse quem o provou, provavelmente passavam a utilizar aquela técnica para evitar, ainda mais, o desperdício de alimentos.

 

Estima-se que as primeiras “cervejas” surgiram da fermentação de maltes de cevada, de maneira acidental, há cerca de 10.000 anos, pelos antigos Sumérios. Isso deve-se ao fato de a documentação escrita mais antiga que trata da produção de cerveja, ter pelo menos 6.000 anos e vir da civilização Suméria. É o chamado “Hino para Ninkasi”, cujo trecho que faz referência à bebida é: - Ninkasi, você é o único que derrama cerveja filtrada do barril coletor.

 

A bebida deixava-os “alegres, maravilhosos e abençoados”, sendo considerada um presente dos deuses. Naquela época a bebida não era filtrada, fato que a deixava com muita turbidez por conta dos resíduos do cereal utilizado no processo. Para tentar evitar os nacos sólidos e terrivelmente amargos, os sumérios usavam um canudo, porém o amargor forte não diminuía a popularidade da bebida.

 

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Segundo evidências de aproximadamente seis mil anos, é possível também que os mesopotâmios tenham sido os primeiros a produzir uma cerveja, já que na região em que eles se localizavam a cevada crescia em estado selvagem.

Já os antigos babilônios criaram pelo menos 20 variedades de cerveja por volta do ano 2.000 a.C. Na época, todo cidadão da babilônia tinha direito a uma ração diária de cerveja, sempre calculada de acordo com a posição social que ele ocupava. Assim, a cerveja era uma parte fundamental da economia da Antiguidade, sendo usada como moeda de troca, assim como parte do salário dos trabalhadores, pois eram pagos com a bebida, retirando assim os atravessadores do negócio.

 

Na Suméria, 40% da produção dos cereais era destinado às “casas de cerveja”, local no qual as mulheres se responsabilizavam pela elaboração da bebida, fato que prova que as mulheres entendem sim de cerveja, e muito!

 

Os egípcios continuaram a tradição da fabricação da cerveja, se aperfeiçoando na produção de cerveja e dando continuidade, no milênio seguinte, ao desenvolvimento desta bebida. Eles modificaram o sabor dela através da adição de tâmaras, bem como, as egípcias já usavam a bebida como um produto de beleza para rejuvenescimento.

 

O famoso Código de Hamurabi foi a primeira regulamentação sobre a produção e venda de cerveja, inclusive sentenciando à morte quem não respeitasse as normas de produção da bebida, que era diferente na época. Isso mostra que naquela época já se levava muito a sério a bebida.

 

O vinho foi a bebida alcoólica que teve maior consumo durante a República Romana, porém a cerveja também teve a sua importância. Os gregos e romanos também faziam cerveja, passaram a considerar a cerveja como a bebida de bárbaros, tornando-se comum nas fronteiras do Império Romano, locais nos quais era praticamente impossível produzir e até mesmo importar vinho.

 

Durante a Idade Média a cerveja passou a ser fabricada em diversos mosteiros, que incrementaram a bebida com a adição de diversos temperos na sua formulação, sempre com a intenção de deixá-la mais aromática e saborosa, popularizando ainda mais esta deliciosa bebida. Dentre os temperos utilizados, podem ser destacados: o louro, o gengibre e o lúpulo – que foi introduzido oficialmente na receita da cerveja, entre os anos 700 e 800, sendo utilizado até hoje.

 

Durante a época dos Vikings (significava piratas – dos anos 800 a 1100 aproximadamente), na cultura nórdica, cada família possuía sua própria pá para misturar a cerveja durante a produção. Essas pás eram consideradas heranças de família, pois desta maneira eles acreditavam garantir que a receita continuaria saindo corretamente.

 

A cerveja começou a ser fabricada por grupos germânicos por volta do ano 800 d.C.. Tácito, historiador da Antiguidade, relata que: “...os teutões tinham uma bebida horrível, fermentada a partir da cevada ou do trigo, que tinha apenas uma vaga semelhança com o vinho.

 

A Igreja Católica também se envolveu com a produção de cerveja, sendo que as abadias foram fundamentais no aperfeiçoamento dos métodos utilizados para a fabricação da bebida. Diversas comunidades religiosas devem suas existências à cerveja, pois os lucros com a venda da bebida ajudaram e ainda ajudam a manter diversos mosteiros até hoje. Na época da quaresma os padres alimentavam-se exclusivamente de cerveja, daí a expressão “pão líquido”.

 

Os cristãos também acreditavam que a cerveja era uma dádiva divina, sendo que essa ideia só mudou por causa do alcoolismo desenfreado que começou no final do século XIX. A cervejaria conhecida, mais antiga e ainda em funcionamento, fica no Mosteiro Beneditino Weihenstephan, na Bavária, e acredita-se que a sua loja de cervejas tenha sido aberta por volta de 768. A Universidade Weihenstephan, que é a indústria cervejeira mais antiga, foi fundada em 1040.

 

A cerveja era valorizada durante a Idade Média e mesmo depois dela, pois beber cerveja era muito mais seguro do que beber água, que naquela época era cheia de bactérias causadoras de doenças, já que não havia saneamento básico. A cerveja passava por um processo de “cozimento”, o que fazia com que a sujeira fosse eliminada da bebida, além de conter álcool. A bebida foi consumida por pessoas de todas classes sociais e idades, junto com o pão, fazendo parte da dieta diária da maior parte das pessoas por muito tempo.

 

Depois de o lúpulo ter sido introduzido, no século IX, os cervejeiros desenvolveram um conjunto de normas referentes à cerveja alemã, começando a sua produção em massa, e estas diretrizes referentes aos métodos de produção, tornaram conhecidas em toda a Europa rapidamente se.

 

Uma das regulamentações mais conhecidas sobre a produção de cerveja, até o dia de hoje, é a Reinheitsgebot. Datada de 1516. ela define que uma cerveja deve conter somente: água, malte e lúpulo. Durante este tempo todo, a lei sofreu apenas uma alteração, e foi no final de 1860, após a descoberta da importância da levedura para a produção da cerveja.

 

Em 1516 a Reinheitsgebot, Lei da Pureza da Cerveja, foi criada e servia para que as pessoas que bebessem cerveja alemã tivessem a garantia de qualidade, além de mostrar a base de ingredientes da bebida: água, lúpulo e malte de cevada e trigo fermentados.

 

O século XIX apresentou avanços significativos na arte cervejeira:

1.       Louis Pasteur descobriu o papel da levedura no processo de fermentação, e assim veio a invenção da pasteurização;

2.       O engarrafamento automático, a refrigeração e o aumento do número de ferrovias fez com que a produção em massa e a distribuição de cerveja se tornassem possíveis em grandes áreas;

 

Somente no século XVI, quando as cervejas foram estocadas em locais frios por longos períodos, as cervejas do tipo Lager foram descobertas, desde então, passaram a ser o tipo mais consumido de cerveja no mundo, até a atualidade.

 

Por volta de 1880, já existiam aproximadamente 3.200 cervejarias em operação nos EUA, quando o abuso do álcool foi considerado o culpado pela maior parte dos problemas americanos. Assim, a 18ª Emenda inaugurou a era da Lei Seca, transformando cidadãos comuns que faziam cerveja em casa em verdadeiros criminosos.

 

A Lei Seca acabou em 1933, não sem a realização de atos questionáveis do governo americano, que chegou a envenenar intencionalmente carregamentos de bebidas alcoólicas, matando pelo menos 10.000 pessoas. Membros do Congresso americano defendiam a criação de um programa para eliminação dos alcoólatras, considerados indesejados numa sociedade civilizada. Cinco décadas depois, em 1935, os Estados Unidos tinham somente 160 cervejarias em operação.

 

Durante a Segunda Guerra Mundial, a escassez de alimentos levou à fabricação de uma cerveja mais leve, que supostamente seria mais atraente para as mulheres do que as cervejas fortes bebidas pelos homens que estavam no front. Quando a guerra acabou, os dois tipos de cerveja se tornaram populares e as cervejarias remanescentes se apressaram em explorar esse novo mercado.

 

O produto que conhecemos hoje é fruto do conhecimento que foi transferido por gerações, alinhados na base de muita pesquisa, investimento e, principalmente, de prática.

 

Referências:

www.brejas.com.br
www.cervejasdomundo.com
www.kikipedia.com

 

Pesquisado em: <http://stadtcervejaria.com.br/blog/historia-da-cerveja/> Acesso em 28/04/18.

 

Pesquisado em: <http://gizmodo.uol.com.br/uma-breve-historia-da-cerveja/> Acesso em 28/04/18.



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