Terça, 25 de julho de 2017, 00:00 h - Atualizado em 25/07, 00:00 h

Adoçantes artificiais podem se relacionar com aumento de peso

Em muitos estudos, o uso regular dos produtos tem mostrado resultados preocupantes

Autor: Redação
Foto: Divulgação.

É, no mínimo, contraditório. Produtos adoçados artificialmente infestam os comerciais, tomam as prateleiras e são a escolha de milhões de pessoas todos os dias, trazendo consigo a crença de que a redução (ou mesmo substituição) do açúcar pode trazer efeitos positivos na perda de peso necessária ou desejada. No entanto, não é o que observamos em estudos, ou mesmo no dia a dia da população. Tal consumo, em síntese, apesar de ampliado, não tem se mostrado significativo na redução de peso corporal, além de se associar a diversas alterações metabólicas já comprovadas. Na gravidez, então, os dados são cada vez mais preocupantes: o bebê carregará consigo ao longo da vida os efeitos causados por estas substâncias (o que será tema de um próximo post). Por isso, o uso generalizado e crescente dos adoçantes e a atual epidemia de obesidade e doenças relacionadas tornam necessárias mais pesquisas para determinar os riscos e benefícios em longo prazo desses produtos.

O consumo de adoçantes artificiais (oficialmente chamados de edulcorantes) como o aspartame e a sucralose, é generalizado e crescente. Os dados emergentes indicam que os edulcorantes artificiais ou não nutritivos podem ter efeitos negativos sobre o metabolismo, bactérias intestinais e apetite, embora a evidência seja conflitante.

Porém, um estudo a respeito desta temática acaba de sair do forno: de acordo com a pesquisa publicada nesta semana no Canadian Medical Association Journal, os adoçantes artificiais podem estar associados ao aumento de peso em longo prazo, além do aumento do risco de obesidade, diabetes, hipertensão arterial e doença cardíaca.

Para entender melhor se o consumo de adoçantes artificiais está associado a efeitos negativos sobre o peso e a doença cardíaca, os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática de 37 estudos que seguiram mais de 400 mil pessoas por uma média de 10 anos.

Os dados obtidos não mostraram um efeito consistente de adoçantes artificiais sobre a perda de peso. No entanto, como um resultado preocupante, estudos observacionais mais longos mostraram uma ligação entre o consumo de adoçantes artificiais e riscos relativamente maiores de ganho de peso e obesidade, hipertensão arterial, diabetes, doenças cardíacas e outros problemas de saúde.

Os mecanismos para tal efeito vêm sendo estudados, mas já se sabe que a alteração das bactérias intestinais, a “ilusão” do sabor doce (que engana nosso cérebro) e uma compulsão maior por alimentos doces são amplamente documentadas em pesquisas que tratam do uso de adoçantes regularmente. Em consultório, a orientação tem sido a do bem senso: a perda de peso, a melhora metabólica, o reaprender a alimentação, passam obrigatoriamente por novos conceitos alimentares e posturas adequadas frente a alimentos saudáveis. Simplesmente a troca do produto por um “zero açúcar” não mostra resultados efetivos em médio e longo prazo.

O fato é que a informação deve ser compreendida e assimiliada. A indústria continuará a oferecer opções e os bilhões de dólares por ela gerados criam um mercado que só cresce.

Ainda que venda mais ilusão e malefícios do que saúde de fato.

Converse com seu nutricionista.

 

Estudo de referência: Canadian Medical Association Journal. "Artificial sweeteners linked to risk of weight gain, heart disease and other health issues.". ScienceDaily, 17 July 2017. 



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