Domingo, 18 de novembro de 2018, 00:00 h - Atualizado em 18/11, 10:29 h

Colônia Murici comemora 140 anos de fundação

Medalha que marca a importância da colonização também é referência de um século da primeira entidade de comércio da cidade, a Sociedade Agrícola São José (1906)

PMSJP/Pauta SJP:São José dos Pinhais
Autor: PMSJP/Pauta SJP
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Evento marcou a comemoração de 140 anos da Colônia Murici
Evento marcou a comemoração de 140 anos da Colônia Murici - Foto: Paulo Szostak / PMSJP

Na última segunda-feira (12) a Casa da Cultura Polonesa Pe. Karol Dworaczek recebeu a comunidade para a comemoração dos 140 anos de fundação da Colônia Murici e os 100 anos da recuperação da independência da Polônia. Durante o evento medalhas comemorativas dos 140 anos da Colônia foram entregues aos homenageados e patrocinadores.

A ação foi realizada pelo Grupo Numismata de São José dos Pinhais, com o apoio da Secretaria de Cultura. Durante o evento foi aberta também a Exposição Numismática que estará aberta ao público na Casa da Cultura Polonesa até fevereiro de 2019.

Registro das primeiras famílias vindas da Polônia (acervo Imigrantes 1870/1950: os europeus em SJP)
Registro das primeiras famílias vindas da Polônia (acervo Imigrantes 1870/1950: os europeus em SJP) - Foto: PAUTASJP

Mais sobre a história da Colônia Murici, um especial feito pelo jornalista Marcos Rosa/PautaSJP

A Colônia Murici fica cerca de 10 quilômetros do centro de São José dos Pinhais. Boa parte dos 7 mil moradores da localidade rural estão diretamente ligados aos imigrantes que formaram, a partir de 1878, um dos maiores núcleos de poloneses fora da Polônia. Nesta segunda (12), a Casa da Cultura Polonesa Padre Karol Dworaczek comemora 140 anos de fundação da Colônia e o lançamento da Medalha Numismática. O objeto de colecionador, em diferentes modelos, representa o legado do desenvolvimento agrícola, responsável pela maior produção de hortifrutigranjeiros até hoje, e a importância do que foi o primeiro grupo como associação de comércio da cidade.

Segundo Valdir Luiz Holtman, idealizador da Exposição Numismática, cada medalha traz um desenho alusivo à imigração, por meio da entidade Numismatas, também como referência ao crescimento econômico. “A Sociedade Agrícola São José teve participação direta dos imigrantes e filhos de imigrantes. Criada em 1906, a ata de fundação está em polonês e português. Construíram sede própria com departamento administrativo e recreativo. Haviam os associados e os cooperados da Cooperativa Agrícola São José que comprava e vendia grãos e subsidiava ferramentas e insumos aos cooperados”, conta Valdir Holtman. O lucro obtido na comercialização da medalha será destinado a estudos históricos e étnicos da região.

As comemorações vão além dos 140 anos da colônia são-joseense que fica entre as BRs 277 e 376. O ano marca 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial e a retomada da independência da Polônia. Cecilia Szenkowicz Holtman é uma das fundadoras da Casa da Cultura Polonesa (Rua João Lipinski, nº 1001). “O casarão foi construído em 1904 e habitado por freiras até a década de 70. No local funcionava também uma escola comandada pelas religiosas. Em 2006, foi instalada a Casa da Cultura, mantida pela Secretaria Municipal de Cultura, que possui acervo permanente e mostras pontuais, como sobre os 140 anos”, destaca Cecilia Holtman.

“Os primeiros imigrantes poloneses eram 20 famílias que aos poucos foram modificando a paisagem local e deixando a sua contribuição para o crescimento de São José dos Pinhais. Hoje, seus descendentes sentem-se orgulhosos desta história e continuam colaborando com o desenvolvimento do Município, com a agricultura e manutenção das tradições. Temos o Grupo Folclórico Wawel, as missas realizadas em polonês, o coral e a Festa da Colheita”, acrescenta Cecilia Holtman. 
 

A escritora e historiadora Maria Angélica Marochi autora de várias edições sobre a cultura europeia
A escritora e historiadora Maria Angélica Marochi autora de várias edições sobre a cultura europeia - Foto: PAUTASJP

A historiadora Maria Angélica Marochi é a autora do principal livro sobre as colônias no município, denominado “Imigrantes 1870/1950: os europeus em São José dos Pinhais”. De acordo com a obra, a Colônia Murici foi uma das colônias agrícolas oficiais criadas pelo governo paranaense no ano de 1878. Sua formação ocorreu em espaço territorial adquirido pelo governo de 8.755.782 m², dividido em 73 lotes. Segundo documentos oficiais, os primeiros moradores eram famílias polonesas prussianas e galicianas, ao todo 310 pessoas. Com o passar dos anos, outras poucas famílias que não polonesas, como de italianos, passaram a ocupar alguns dos lotes da colônia. Como a maioria dos imigrantes que se estabelece no Paraná, os primeiros moradores da Colônia Murici chegam ao Porto de Paranaguá e, em seguida, passam pela Hospedaria do Imigrante de Curitiba, depois por um barracão construído na Colônia, onde permaneceram até a construção de suas moradias dentro dos lotes a eles destinados. Levantamento publicado em 1884, por uma revista polonesa, trata a Colônia Murici como o quinto lugar em número de habitantes poloneses no Paraná. 

“Devido a vários fatores, em especial a falta de condição básica para o plantio, houve acentuada demora na comercialização da produção, assim, nos primeiros anos, todos enfrentaram muitas dificuldades. Os mapas mostram a produção de centeio, milho, batatas, feijão, fumo e galináceos. Desde o início, muitos se dedicaram a extração e comercialização da erva-mate. Nas décadas de 1940 e 1960, as mudanças levaram os moradores comercializar os produtos agrícolas em outros estados brasileiros como São Paulo e Santa Catarina”, aponta Maria Marochi. 

Entre as entrevistas que a escritora fez para o livro, há o depoimento de Leonardo Gribogi. “Naquele tempo, a maioria das verduras saía daqui. Murici era o grande produtor de verdura. Os caminhões iam para Londrina, Ponta Grossa, Joinville e Itajaí. Verdura quase só dava aqui no Murici. Em outros lugares não dava. Hoje, tem a semente que dá no verão e no inverno. É direto e lá nos locais onde não se produzia agora tem. Então não se vende mais tão longe como há anos atrás”, detalhou na época Leonardo Gribogi. 
 

Grupo Folclórico Polonês Wawel e o comandante da 1ª Cia de Polícia de São José dos Pinhais, Capitão Galeski
Grupo Folclórico Polonês Wawel e o comandante da 1ª Cia de Polícia de São José dos Pinhais, Capitão Galeski - Foto: Maria Izabel Majczak

Mais fotos do Evento na lente de Paulo Szostak / PMSJP

        



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