Quarta, 06 de junho de 2018, 12:55 h - Atualizado em 13/06, 12:57 h

Dia Internacional Contra a Homofobia

É melhor começarmos a nos importar com isso

Redação:Empresarial
Autor: Redação
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Lembra daquele caso simbólico do casal que foi atacado, com uma lâmpada fluorescente enquanto caminhavam pela rua em São Paulo?! Já se passaram 8 anos… parece que foi ontem, né!? É amigo, você está ficando velho. Mas não é sobre sua idade, mas sobre velhos hábitos e manias, que eu quero conversar hoje. No dia 14 de novembro de 2010, cinco garotos da classe média paulistana agrediram outros três rapazes pura e simplesmente por estes serem, homossexuais. A gravidade desse fato é tamanha que é até difícil expor em um texto tão curto, mas vou, mesmo assim, tentar.

Cinco meninos da classe média, sem qualquer envolvimento com o crime, sem ser vítimas das desigualdades sociais que assolam esse país, sem qualquer motivo aparente, deliberadamente, pegaram uma lâmpada fluorescente que estava jogada no lixo e com essa, bateram no rosto de um outro jovem, aparentemente sem qualquer justificativa, a não ser, por conta de uma condição que não caracterizava nenhuma ameaça a eles ou a sociedade, o fato de que o agredido preferia namorar rapazes e não moças. (Releia esse parágrafo lentamente para que cada palavra fique marcada na sua mente, por favor!)

Sim… apenas e tão somente pelo fato dos 3 rapazes estarem incluídos na sigla LGBT+, foram agredidos!

E esse não foi o único caso, muito pelo contrário, em 2016, Luana Barbosa dos Reis, lésbica, morreu após ter sido agredida por pelo menos 6 policiais. Neste mesmo ano, Itaberlly Lozano, adolescente gay, foi assassinado pela própria mãe, Tatiana Lozano Pereira. E se eu fosse listar aqui cada uma das pessoas LGBT+ mortas em virtude da sua condição sexual, não teríamos tempo ou espaço, pois, segundo um relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB) em 2017 houveram 445 homicídios desse tipo no Brasil, 30% a mais que o ano anterior, com 343 casos.

Um vez li um livro em que o investigador disse que, “se há dois ou três suspeitos, temos suspeitos, se há mais que 3, é preciso repensar a investigação, pois os suspeitos ficam invisíveis”, bem, se há um ou dois casos de morte por uma questão de homofobia tem dois mártires da causa LGBT+, mas se morrem aos montes, tendemos a esquecer, pois acabam se tornando parte da tenebrosa paisagem do jornalismo brasileiro e é da natureza da paisagem ser vista como um todo e não nas suas particularidades e assim, pessoas LGBT+ morrem todos os dias, uma a cada 19 horas segundo estatísticas, enquanto crescem nas pesquisas os possíveis eleitores de um candidato abertamente homofóbico…

Estamos ficando velhos e ultrapassados se, em pleno século XXI, nos comportamos como se conduzidos pelo obscurantismo e preconceito e jogando completamente nossa empatia no lixo ao se calar diante de uma chacina silenciosa que acontece no Brasil.

Bertolt Brecht, profeta contemporâneo, já nos alertou em seu INTERTEXTO

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Eu, portanto, alerto… Melhor passarmos a nos importar!



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