Terça, 23 de maio de 2017, 00:00 h - Atualizado em 06/04, 21:42 h

Diferenças no consumo alimentar de homens e mulheres

Você sabia que homens e mulheres cometem excessos alimentares por motivos diferentes?




Foto: Divulgação.

Não é novidade alguma que homens e mulheres apresentam diferenças tocantes no que diz respeito a necessidades nutricionais e massa corporal. No entanto, a questão do comportamento alimentar relacionado aos excessos, ou seja, a motivação que faz com que homens e mulheres busquem quantidades aumentadas de alimento, ainda é alvo de muitas pesquisas.

Um novo estudo envolvendo indivíduos obesos de ambos os sexos, publicado este mês nos EUA, sugere que as mudanças nas regiões de recompensa de nossos cérebros nos tornam mais propensos a comer em excesso, e que as mulheres e os homens exibem diferentes atividades cerebrais relacionadas a este excesso.

Pesquisadores da UCLA descobriram que as mulheres obesas mostraram mudanças mais proeminentes no sistema de recompensas relacionadas à resposta à dopamina, sugerindo que a emoção e a compulsão alimentar desempenham um papel maior em seus excessos. Os homens obesos apresentaram um padrão diferente de remodelamento cerebral em regiões cerebrais, um sinal de que seu comportamento alimentar é afetado por uma maior conscientização das sensações intestinais e das respostas viscerais. Ou seja, estar “de barriga cheia” é o verdadeiro motivo de bem estar.

A dopamina é uma substância liberada no cérebro associada ao prazer, ou seja, quanto maior a quantidade de dopamina liberada, melhor nos sentimos. Nas mulheres, o ato de alimentar-se em grandes quantidades faz com que esta sensação prazerosa seja desencadeada, trazendo bem estar. Já nos homens, a sensação de “estar alimentado” é que parece ser mais importante.

A diferença entre os fatores desencadeantes do consumo excessivo provavelmente se relaciona com a ação dos hormônios sexuais, os mesmos que criam diferenças corporais tão evidentes: o homem médio apresenta mais massa muscular do que a mulher média, e a manutenção desta massa, certamente, também passa pela regulação hormonal.

Por que isso é importante? Nutricionalmente, porque a compreensão do impulso alimentar pode ajudar imensamente a todos. Com informações como esta, podemos adaptar melhor horários, quantidades, frequências, de modo a satisfazer mecanismos de saciedade que permitam o equilíbrio alimentar. Mas vai além; programas que envolvam ações terapêuticas e de cunho psicológico em muito se beneficiarão com este entendimento, tornando muito mais efetivas as condutas para adequação do peso corporal.

Para concluir, vale lembrar que o estresse diário é um importante redutor de nossos níveis de dopamina. E a dopamina se associa à compulsão. Neste caso, homem ou mulher, o controle alimentar passa, obrigatoriamente, pelo controle do estresse.

 

Vamos pensar nisso?

 

Estudo referencial: A Gupta, E A Mayer, K Hamadani, R Bhatt, C Fling, M Alaverdyan, C Torgerson, C Ashe-McNalley, J D Van Horn, B Naliboff, K Tillisch, C P Sanmiguel, J S Labus. Sex differences in the influence of body mass index on anatomical architecture of brain networksInternational Journal of Obesity, 2017


Autor:

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Adriana Zadrozny

Nutricionista com ênfase em Nutrição e Qualidade de Vida. Trabalha com Nutrição Anticâncer. Mestre em Fisiologia Humana e professora universitária, é também a autora do livro SOBRE VIVER – assim aprendi com um câncer de mama (Editora Máquina de Escrever).



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