Quarta, 08 de maio de 2019, 00:00 h - Atualizado em 08/05, 00:00 h

Espetáculo As Cidades Invisíveis tem sua estreia adiada

A peça teatral As Cidades Invisíveis do Agora Coletivo foi obrigada a adiar sua temporada devido a uma súbita desautorização.

Fernando de Proença : As Cidades Invisíveis
Autor: Fernando de Proença
O conteúdo desta matéria é de total responsabilidade do autor.
Foto: Divulgação

O espetáculo tinha estreia programada para esta sexta-feira (26) no Museu de Saneamento da SANEPAR, localizado no bairro do Tarumã. A decisão da empresa em cancelar a cessão do espaço chegou em cima da hora e sem justificativa. 

 

Com as devidas liberações para temporada e ensaios, o grupo já vinha trabalhando no espaço há mais de um mês e realizou grande parte da composição dramatúrgica e cênica especificamente para o local. A peça aconteceria em uma trajetória pelo reservatório de água desativado e seu entorno. 

 

Em conversa com diferentes setores da companhia de saneamento, a produção do Agora Coletivo tentou entender quais eram os motivos que levaram à decisão de cancelamento do uso do espaço. O grupo expôs que o projeto não poderia ser realocado sem prejuízos artísticos e financeiros e propôs se adequar a necessidades da SANEPAR. A empresa, no entanto, respondeu sempre que as motivações eram internas e, não as revelando, manteve o impedimento.

 

Agora, a obra está em processo de transformação para ocupar o Teatro Cleon Jacques a partir do dia 10 de maio, onde permanecerá em cartaz por três semanas em novo formato. Enquanto isso, o Agora Coletivo, visando obter uma justificativa formal da companhia de saneamento, protocolou nesta quarta-feira (24/04/2019), uma notificação extrajudicial perante a SANEPAR, expondo à companhia os transtornos de ordem administrativa, operacional e financeira decorrentes do cancelamento, de última hora, da autorização anteriormente firmada por aquela instituição.

 

 

Foto: Divulgação

Sobre o espetáculo

 

Diante de tempos tão inflamados, com ideais tão díspares entre as pessoas, como conviver com as diferenças em um mesmo espaço, casa, cidade, estado, país? Ainda mais, quando a delicada abertura ao outro, que é própria da arte, continua a ser compreendida como espaço para subjugar e exilar, como aconteceu com este espetáculo? 

 

As Cidades Invisíveis traça uma narrativa que beira a linguagem dos sonhos, com imagens misteriosas, enigmáticas, e faz uma analogia entre as “cidades” e as atrizes que formam o elenco do trabalho. Inspirada na personalidade de cada uma delas, a peça é uma trajetória por suas histórias autobiográficas. 

 

O processo teve como ponto de partida o livro homônimo de Ítalo Calvino e caminhadas por ruas do centro histórico de Curitiba, cidade que também tem aspectos presentes na dramaturgia. A noção de “território” como identidade e de “corpo” como território delineia um discurso que transita entre as ideias de vida e morte, viagem e morada, convite e expulsão, invasão e acolhimento. Agora, o trabalho assume, em seu percurso narrativo, também sua própria trajetória de remoção do espaço, dando foco ainda às diversas nuances das subjetividades das artistas que o compõem. 

 

Adotando o onirismo como linguagem, o roteiro desenvolve uma linha narrativa singular, diferente de montagens tradicionais. Em cena vemos relatos autobiográficos e algumas digressões que carregam nuances de comicidade, crítica, ironia e também composições dramatúrgicas e visuais que podem sensibilizar o espectador em outros níveis. Quem aceitar o convite para visitar As Cidades Invisíveis conhecerá o resultado de um processo de criação intenso que toca diferentes áreas do conhecimento, como a filosofia, a psicologia, a espiritualidade, a arquitetura, a medicina holística e, claro, a arte. 

 

Falar de cidades de forma poética – inspirados pelo modo como Calvino o faz – é uma maneira de colocar em perspectiva e de sensibilizar para o quanto viver em sociedade significa troca entre indivíduos complexos e repletos de subjetividades. As Cidades Invisíveis chama o espectador para atos de reflexão a partir de suas memórias, a fim de que perceba a complexidade das “cidades” que crescem dentro de cada um. 

 

Projeto realizado com o apoio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura - Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba. Incentivo: Divesa e Banco do Brasil. Apoio: Movimento Enxame - Espaço de Criação, Padaria América, Missê Mariá Comida e Arte, A Caiçara e Café do Teatro.

SERVIÇO

As Cidades Invisíveis

De 10 a 27 de Maio  

Local: Teatro Cleon Jacques

(Rua Mateus Leme, 4700 - São Lourenço) 

Sextas, Sábados, Domingos e Segundas às 20h. 

Sextas e Segundas também às 10h.

Sábados e Domingos também às 16h. 

Entrada Franca

* limite de 40 pessoas por sessão.

Informações: 41 9 99149190. mabittencourt@hotmail.com



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