Domingo, 17 de março de 2019, 00:00 h - Atualizado em 17/03, 00:23 h

KKL: Um exemplo de comprometimento com meio ambiente e educação

Isa Colli relata sua inesquecível experiencia em Israel

Isa Colli:Viagem em Israel
Autor: Isa Colli
O conteúdo desta matéria é de total responsabilidade do autor.
Foto: Divulgação.

Dizem que há três coisas que não podemos deixar de fazer na vida: ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Já me considerava uma pessoa realizada pela benção de ter dois filhos e vários livros publicados. Mas agora, a vida está mais completa. Na semana passada, cumpri a missão de plantar a minha árvore. Isso aconteceu durante uma viagem inesquecível à sede do projeto KKL, em Israel, acompanhada do meu marido José e amigos da Igreja Centre Évangélique de Bruxelles-Forest. Bom, mas antes de contar a experiência de plantar a árvore, preciso dar umas explicações.

Você sabe o que é a KKL? Para muitos brasileiros é um nome desconhecido, mas a instituição tem um trabalho tão sério e transformador, que merece ser divulgado. Então vamos lá.

Keren Kayemet LeIsrael (Fundo Nacional Judaico), ou KKL, é uma organização fundada em 1901, na Basileia. Por meio de doações, o objetivo inicial era adquirir terras para o retorno do povo judeu à sua terra. As primeiras compras de terras foram feitas na Baixa Galileia e na Judeia.

Os judeus começaram a contribuir com este fundo e os recursos, captados por meio do “Cofrinho Azul e Branco”, que até hoje é encontrado nas residências e centros comunitários judaicos de todo o mundo. Por meio dele e graças à ajuda de 850 mil doadores espalhados em 50 países, o KKL conseguiu adquirir muitas terras. Em dez anos, a fundação também já havia adquirido terras para a implantação de escolas com o objetivo de desenvolver a Educação, através de investimentos pesados para contribuir com a formação de capital humano. A instituição acredita que cada um tem um talento e se devidamente estimulado, trará benefícios futuros para o mundo.

Ainda neste período, o KKL plantou sua primeira floresta, a Herzl Floresta, em Hulda. Aos poucos, o Fundo começou a se desviar da rota principal, a compra de terrenos, e passou a investir em outros empreendimentos, especialmente ligados à educação e de absorção de imigrantes. Houve muitas críticas, mas o tempo mostrou que a escolha foi acertada. Tanto que a organização hoje se destaca na liderança do desenvolvimento de projetos que buscam um meio ambiente melhor e mais saudável, bem como na promoção, o respeito e a apreciação do legado cultural do Estado de Israel.

Da energia despendida na aquisição de terras e na transformação de pântanos e desertos em campos férteis, bosques e lugares para o desenvolvimento comunitário e industrial, nasceu a inspiração para transformar a educação em um ideal sempre vivo. Com isso, conseguiu se destacar no movimento em prol de um Israel com maior orientação ambiental e de ser, também, a maior organização não governamental daquele país a ser reconhecida pela Organização das Nações Unidas.

Até hoje, foram plantadas mais de 240 milhões de árvores em 900 mil hectares e reabilitados e conservados 40 mil hectares de bosques naturais. E durante a minha viagem, eu deixei a minha contribuição plantando a minha muda de árvore na floresta de Beeri. Esse é um momento de grande emoção que vou guardar para sempre na memória.

 

Foto: Divulgação

Atividades intensas 

Já no primeiro dia da viagem, visitamos a Maison D’exellence Nazareth, onde fomos recebidos para uma apresentação dos projetos da KKL e uma pequena recepção de boas vindas.

Visitamos as florestas da instituição no Monte Carmel e a parte da montanha que, em 2010, sofreu o pior incêndio na história de Israel. Hoje, a área está completamente recuperada graças ao trabalho da KKL e dos silvicultores. O local virou uma área ecológica atapetada com flores silvestres, trilhas fantásticas e um grande parque de recreação. A vista é algo inexplicável. É impressionante como o cuidado com o meio ambiente traz resultados positivos.

No Nesher Park, atravessamos o vale por uma ponte de metal estreita que liga dois montes. Outro visual fantástico. Me senti uma verdadeira aventureira no filme de Indiana Jones.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Espetáculo de beleza rara 

No Vale de Hula, na Alta Galileia, conhecemos o Lago Agamon Hula, uma reserva ecológica onde fiz a foto dos pássaros migratórios do mundo todo, que são alimentados diariamente para não destruírem as plantações. Ali, vimos gatos e porcos selvagens, além de outros predadores naturais das aves, que para se protegerem, dormem dentro do lago. Os mais famosos são os grous. Percorremos as instalações do Lago de trator, uma visita guiada, chamada “Safari Wagon”. O veículo, “esconde” você dos pássaros e permite um raro e próximo encontro com estas belas criaturas. Foi um registro fantástico!

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Memórias de guerra

Fomos ainda no Pépinière Gilat, uma grande estufa de plantas. De lá, saem as mudas para o reflorestamento de toda Israel. O triste foi conhecer abrigos espalhados por todos os lugares (isso é obrigatório em todas as construções) e, em caso de alerta de bomba, o povo tem 15 segundos para se esconder.

Visitamos também o Black Arrow Memorial Lookout, que tem uma vista impressionante para a área da cidade de Jabalia e Gaza. O espaço remete ao legado de batalha dos pára-quedistas israelenses e aos dias das ações retaliatórias dos anos 50. Fizemos registros desse e de outro sítio religioso que guarda carcaças de mísseis em memória das vítimas das guerras.

Perto do memorial, a KKL-JNF colocou uma área de recreação com mesas de piquenique. Um pouco ao sul do memorial, conhecemos a Casa do Armistício. Chama a atenção o telhado todo de azulejos. O KKL-JNF renovou o prédio, que serviu às delegações do comitê de armistício israelense em seu caminho para encontrar os representantes egípcios para negociar um cessar-fogo.

 

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Convite à reflexão 

Foram dias renovadores. Experiência de vida, cultural e religiosa. Pude perceber a força de uma entidade que valoriza o passado histórico do seu povo e planta o presente pensando na boa colheita no futuro.

O mais interessante é que eles se preocupam não apenas com Israel. Há projetos de plantio no mundo inteiro. As instituições educacionais também extrapolam as fronteiras. Não é à toa que, em seus 118 anos de trajetória, a KKL recebe doações de vários países. Inclusive do Brasil, que tem um escritório de representação.

Aos professores que leem essa minha vivência, aconselho que conheçam melhor esse projeto, que serve de inspiração para políticas sérias e comprometidas nas áreas educacional e ambiental. Independentemente dos princípios do judaísmo, que regem a entidade, o comprometimento com a educação, tornou-se referência mundial. Um exemplo a ser seguido. Vale a reflexão!

 

Foto: Divulgação

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