Quarta, 08 de novembro de 2017, 08:31 h - Atualizado em 08/11, 09:38 h

Maratonista extremo lança projeto inédito em prol da causa da medula óssea

O The Hardest Run vai reunir atletas profissionais e amadores de todo o mundo, que formarão uma grande equipe internacional de doadores

Autor: Redação
Foto: Divulgação.

Correr sete maratonas em sete continentes durante sete dias consecutivos, do frio da Antártida (-30ºC) ao calor de Dubai (40ºC). Essa foi apenas uma das aventuras encaradas pelo maratonista extremo Marcelo Alves. Natural de Curitiba (PR), o atleta se especializou em desafiar limites e superar obstáculos intransponíveis para grande parcela da humanidade, como a vez que participou de uma maratona no temido Everest, com a largada a 6 mil metros de altitude, e teve que passar dez dias na região para um período de adaptação que resultou na perda de 10kg antes da largada.

 

Mas para Marcelo Alves, suas provas não chegam nem perto da luta pela vida travada por pessoas em tratamento de leucemia e outras doenças sanguíneas. Então, o maratonista passou a viajar o mundo destacando importância da causa da medula óssea. “15 dias antes da minha primeira maratona extrema na Antártida, assisti o vídeo de uma campanha linda do Hospital Nossa Senhora das Graças. Fui buscar informações e descobri que além de doar medula eu poderia ajudar na divulgação da causa, uma vez que as provas que eu participo têm cobertura internacional, e quando você faz a doação, o banco de medula é global”, comenta Marcelo.

 

Agora, Marcelo Alves parte para mais um capítulo incrível dessa história, lançando o movimento The Hardest Run, idealizado em parceria com o Hospital Nossa Senhora das Graças, referência nacional quando o assunto é transplante de medula óssea. A ideia do movimento é reunir corredores profissionais e amadores em uma equipe internacional de doadores. “Queremos encorajar a classe de corredores para formarmos uma equipe para a prova mais difícil que eles já enfrentaram: a luta pela vida”, detalha o maratonista extremo.

 

Para participar da equipe The Hardest Run, os atletas terão que se cadastrar no site do movimento (www.thehardestrun.com.br). Na sequência, começarão a ser convidados para espalhar a mensagem sobre a importância da atualização do cadastro de doador. Os participantes poderão, também, doar plaquetas e leucócitos para pacientes que estão esperando um transplante de medula e em tratamento de doenças de sangue. Para completar, a equipe vai incentivar os corredores a se cadastrarem como doadores de medula óssea. Todos os atletas da The Hardest Run receberão um número exclusivo, que poderá ser utilizado em suas corridas pelo mundo.

 

“Os corredores têm total consciência da importância de um corpo saudável, e tenho certeza que irão abraçar a causa da medula óssea. A ideia é reunir milhares de atletas de todos os cantos do mundo, que além de se tornarem doadores, irão difundir informações valiosas para quem está lutando pela vida”, explica Marcelo, que no dia 16 de novembro vai lançar oficialmente o The Hardest Run durante a Volcano Marathon, uma das maratonas mais difíceis do mundo, que será disputada no deserto do Atacama, no Chile.

 

Números insuficientes

 

Hoje, o Brasil possui mais de quatro milhões de inscritos no cadastro nacional de doadores de medula óssea, de acordo com dados do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Mesmo parecendo considerável, o número ainda é insuficiente, principalmente ao se levar em consideração a grande variedade genética do povo brasileiro. Além do aumento do cadastro de doadores, outro desafio das entidades responsáveis é manter os dados atualizados, já que poucas pessoas sabem da importância de manter os registros atualizado.

 

De acordo com o Hospital Nossa Senhora das Graças, o transplante de medula óssea é indicado como parte do tratamento para diversas doenças do sangue, como leucemias, anemias, linfomas e mielomas. Para alguns pacientes, é a única possibilidade de cura. As chances de compatibilidade variam em função das características genéticas do receptor, podendo variar de 1 para 1000 a 1 para cada 1 milhão.



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