Quinta, 08 de março de 2018, 00:00 h - Atualizado em 13/03, 16:04 h

Mulheres celebram feitos econômicos, políticos e sociais

Desde 1910 muitas conquistas foram alcançadas pelos movimentos femininos

Por Tânia Jeferson:Variedades
Autor: Por Tânia Jeferson
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Protestos em 1910 começaram a mudar a condição da mulher no mundo
Protestos em 1910 começaram a mudar a condição da mulher no mundo - Foto: Divulgação.

O Dia Internacional da Mulher foi instituído em 8 de Março de 1857 para homenagear 129 mulheres operárias têxteis, que foram queimadas vivas de uma fábrica de tecidos de Nova York, por causa de uma greve que reivindicava um salário justo e a redução da jornada de trabalho. Na época, as mulheres recebiam menos de um terço dos salários dos homens.

Como conta a história, a repressão ao protesto foi absolutamente desproporcional. A polícia trancou as portas da fábrica e colocou fogo no imóvel. No momento do incêndio, um tecido de cor lilás era confeccionado, origem da cor do movimento pelos direitos da mulher em todo o mundo.

Seis anos mais tarde, em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women's Trade Union League. A associação tinha como principal objetivo ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho. Em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque para mais uma vez reivindicar o mesmo que as operárias em 1857, bem como o direito ao voto. 

Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher".

Uma série de protestos começou a acontecer no mundo todo. Na Rússia, por exemplo, as comemorações do Dia Internacional da Mulher serviram de estopim para a Revolução russa de 1917.

 

Todas as décadas foram marcadas por protestos. Imagem da década de 1960
Todas as décadas foram marcadas por protestos. Imagem da década de 1960 - Foto: Divulgação.

Um pouco de história

Voto

No final do século XIX, as mulheres começaram a lutar organizadas pelos seus direitos. Um dos mais reivindicados era o direito ao voto. A Nova Zelândia foi o primeiro país que cedeu o voto às mulheres, em 1893. Depois de 13 anos as mulheres da Finlândia também puderam votar. Depois vieram Noruega – 1913, Dinamarca – 1915, Holanda e Rússia – 1917, Alemanha e Áustria – 1918, Suécia e Polônia – 1919, Grã-Bretanha – 1928, Portugal e Espanha – 1931, Brasil – 1932, Turquia – 1940, França – 1944, Japão – 1945 e Suiça –1971.

 

 

Foto: Divulgação.

Os Conselhos da Condição Feminina e as Delegacias de Defesa da Mulher

No Brasil, com a anistia de 1979, a eleição direta de governadores em 1982, e a reorganização partidária, o cenário feminista se fortaleceu, mas se segmentou em grupos partidários. Para fazer frente às demandas de igualdade de gênero, foi criado em 1983 o primeiro Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo. Em 1985, criou-se a primeira Delegacia de Defesa da Mulher, órgão eminentemente voltado para reprimir a violência contra a mulher.

Concomitantemente, na sociedade civil vigoravam vários grupos feministas de apoio às mulheres vítimas. Intenso trabalho, quase sempre com escassos recursos e muito voluntariado, tentava suprir uma lacuna que agora, timidamente, começava a ser encampada pelo Estado.

Nos anos anteriores, as mulheres que recorriam às delegacias em geral quando se sentiam ameaçadas ou eram vítimas de incompreensão, machismo e violência sexual. Com a criação das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) o quadro começou a ser alterado. O serviço nas DDMs era e é prestado por mulheres, mas isto não bastava, pois muitas destas profissionais tinham sido socializadas numa cultura machista e agiam de acordo com tais padrões. 

Foi necessário muito treinamento e conscientização para formar profissionais, mulheres e homens, que entendessem que meninas e mulheres tinham o direito de não aceitar a violência cometida por pais, padrastos, maridos, companheiros e outros. Esta tarefa de reciclagem deve ser permanente, pois os quadros funcionais mudam e também os problemas.

Alterar essa relação de subordinação de gênero foi o início de uma revolução parcialmente bem-sucedida nos papéis sociais. Os crimes de gênero continuaram. Cada vez mais estudos verificaram que não eram apenas maridos, mas outros parceiros também agrediam e matavam as mulheres sob os mais diversos pretextos.

 

 

Delegacia especializada é uma das conquistas das mulheres
Delegacia especializada é uma das conquistas das mulheres - Foto: Divulgação

A mulher hoje

Apesar de atualmente ter seus direitos garantidos pela Constituição, a mulher brasileira sabe que ainda há muito a conquistar. Só para ter idéia da importância das mulheres, basta saber que elas representam mais da metade da população brasileira. Segundo o último Censo realizado no País, em 2.000, dos quase 170 mil habitantes, cerca de 90 mil são mulheres. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres já são responsáveis por aproximadamente 30% dos domicílios do Brasil. Na Região Sudeste, esta proporção é a maior: as mulheres estão à frente de 25,9% dos domicílios. Porto Alegre é a capital que mais tem mulheres morando sozinhas, seguida por Florianópolis, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. 

A saúde da mulher é outro assunto que merece atenção especial, sobretudo dos governos. O último Relatório sobre o Desenvolvimento Humano no Brasil, desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apresentou números preocupantes: taxa de mortalidade materna de 124 para cada 100 mil mulheres, sendo a maior causa de morte ocasionada pela deficiência nos serviços de saúde e falta de qualidade no atendimento pré-natal. 



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