Segunda, 16 de abril de 2018, 00:00 h - Atualizado em 16/04, 00:00 h

O meu filho tem autismo! E agora?

Por Monaliza Hadad


Redação: Variedades


Ana Brambilla e seu filho Pedro
Ana Brambilla e seu filho Pedro - Foto: Divulgação.

"O Diagnostico é como renascer , acho que é isso sim, um novo nascimento do filhos dos pais e da família"- Ana Brambila, mãe do Pedro, diagnosticado com autismo

Receber um diagnóstico como esse não é nada fácil. As referências que alguns pais dão é de que perdem o chão, como se o mundo tivesse desabado. Este primeiro contato com o diagnóstico é, sem sombras de dúvidas, o mais difícil e complexo de digerir.

Os pais, nesse momento, podem apresentar dois comportamentos: o primeiro é o da negação, de achar que não é verdade e de que então não vão fazer nada diante desta situação. Este é o caminho mais árduo de se seguir. Quando negamos algo, é como se isso não nos pertencesse e, não nos pertencendo, não precisamos fazer nada para mudar. Aí é que eu, como profissional, vou precisar intervir e explicar que quem vai sair perdendo é o filho, uma vez que as intervenções tardias podem dificultar o trabalho posterior.

O segundo comportamento é quando as famílias assumem o diagnóstico logo e iniciam todo o processo de intervenção, tornando o caminho mais tranquilo e com resultados melhores.

Mas, antes de tudo, vamos esclarecer o que é o Transtorno do Espectro do Autismo, os distúrbios de desenvolvimento que mais desafiam os pais e os profissionais no mundo todo. Para SCHWARTZMAN, 1997, os transtornos do desenvolvimento são caracterizados por um quadro comportamental peculiar e que envolve as áreas da interação social, da comunicação e do comportamento em graus variáveis de severidade.

As características do autismo podem mudar consideravelmente ao longo do tempo de acordo com as intervenções recebidas, sendo que um indivíduo levemente afetado pode parecer apenas peculiar, mas quando é severamente afetado pode apresentar dificuldades para falar ou cuidar de si mesmo.

Segundo Zwegenbaun, 2005, a criança desde muito pequena dá sinais e demonstra sintomas.  Devido a este fator é que Intervenção precoce deve ser centrada na família, com as contribuições dos terapeutas. Precisamos que todos olhem essa criança como um todo, sem pensar em fragmentos de trabalho. Ou seja, ao invés de a fonoaudiologia só cuidar dos aspectos da fala, a psicologia só do comportamento, a psicopedagogia só da aprendizagem, deve-se pensar no desenvolvimento integral da criança. Se houver percepção de que os objetivos estão distantes, é necessário mudar as intervenções que não estão dando resultados para que comecem a dar.

É muito importante também realizar uma abordagem correta, considerando como já está o desenvolvimento desta criança, como reage cognitivamente. Cada criança deve ter uma intervenção diferente e nesse sentido tanto a escola como a família precisam estar unidas com um mesmo objetivo.

Jamais podemos deixar de mencionar que a escola tem um papel muito importante no desenvolvimento das crianças com autismo. Cabe a ela trabalhar com os conhecimentos e incentivar cada vez mais o aprendizado com isso,

Quando a criança ingressa na escola, aquilo que lhe é ensinado passa a constituí-la, modificando-a. Isto quer dizer que os processos de ensino-aprendizagem participam da formação do sujeito, porque a aprendizagem escolar não se efetua dissociada de outras instâncias de apreensão e compreensão da realidade (HADDAD, 2012).

Arroyo,2004, contribui com o debate sobre as questões de aprendizagem afirmando que, respeitar o tempo de aprendizagem, (...) é decisivo para que o conhecimento seja aprendido e socializado. “Se não respeitamos esse tempo de aprendizagem podemos estar negando a milhares de cidadãos o seu direito ao conhecimento socialmente produzido” (p.376).

É preciso um novo olhar sobre o autismo! Falar em inclusão é desconfortante e precisa de estratégias para cada dia a cada hora.

 

 

Monaliza Haddad

Doutoranda em Ciências da Educação - UE - Portugal; Mestrado em Educação - UTP; Especializações: Psicopedagogia e Didática do Ensino Superior - PUC-PR, Educação Especial UFPR, MBA em Gestão Escolar – OPET. CEO do Instituto de Aprendizagem e Desenvolvimento - IAD. Professora de Graduação e pós-graduação. Master coach pessoal e executivo. Analista Comportamental. Artigos científicos publicados na área educacional na China, França, Espanha e Portugal. Palestrante e Consultora.

Lattes: http://lattes.cnpq.br/5247975204692174

Monaliza Hadad. Colaboradora do Portal VRNews
Monaliza Hadad. Colaboradora do Portal VRNews - Foto: Divulgação.



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