Quarta, 16 de maio de 2018, 00:00 h - Atualizado em 16/05, 00:00 h

"This is America" e a divergência interpretativa

Rompendo com a lógica de que divergência de opinião é declaração de guerra




Foto: Divulgação.

THIS IS AMERICA, música do artista Childish Gambino, alter ego musical de Donald Glover, foi lançada mundialmente com um clip sensacional e que em questão de horas, gerou uma infinidade de textos e vídeos com análise das suas muitas alegorias contidas nessa obra.

 

Eu não vou cair na armadilha de falar mais sobre o mesmo e compor um texto falando sobre o racismo institucionalizado, mercantilização de causas sociais, cortina de fumaça midiática ou qualquer um desses temas que já foi ricamente explorado por gente muito mais capacitada do que eu, preferi, portanto, me concentrar num tema que passa paralelo ao vídeo e à quantidade de análises, a saber, a diversidade de interpretações possíveis.

Diante de uma obra da cultura pop ou mesmo uma peça consagrada pela história da arte cabem diversas interpretações, as quais, invariavelmente, divergem e, num cenário político como o que vivemos, onde divergências de opinião acabam sendo tratadas como uma verdadeira declaração de guerra geralmente por quem está protegido por quilômetros de distância através da internet, a divergência de opiniões que deveria proporcionar engrandecimento cultural acaba sendo tratada como problema e consequentemente, silenciada.

 

Um caso interessante é o clássico 1984, de George Orwell, obra ficcional de ficção política, escrita em 1948, que nos apresenta um futuro distópico controlado por um grupo político encarnado na figura de um líder que enxerga a todos o tempo inteiro, o GRANDE IRMÃO. Nessa realidade, o presente é controlado pela manipulação da memória por agentes do estado que alteram, conforme a conveniência, os registros históricos. Para algum esse livro é uma crítica ao COMUNISMO e para estes, o autor é um herói ao criticar os absurdos de Stalin na URSS. Para outros é uma crítica ao CAPITALISMO e o autor é uma referência à crítica ao sistema econômico global codificado por Karl Marx em O CAPITAL. Mas qual era a real intenção do autor?! Bem… na prática, não importa e é isso que faz com que o livro em questão ou o clip do Glover potencialmente, sejam obras de arte, a possibilidade de falar com mais de um grupo, respondendo seus anseios ou desafiando-os em suas verdades.

 

Obviamente, cada artista tem um intuito ao compor sua obra de arte, mas tão logo venham à luz, elas deixam de ser exclusividades da mente criativa do autor e passam a ser, também, ferramentas ideológicas de quem as consome ou rejeita entrando para o arsenal de argumentos nessa batalha intelectual.

 

Donald Glover, George Orwell tiveram seus interesses e presentearam o mundo com suas obras e assim, colocaram em prática uma maiêutica socrática que irá nos auxiliar a tirar de dentro de nós mesmos aquilo que já temos, mas agora com argumentos e exemplos mais claros.

 

obs.: Conhecer mais para melhorar os argumentos e consequentemente, diminuir o fluxo de violência nos debates é, na minha modesta opinião, o objetivo daqueles que querem arquitetar pontes nesse rio de chorume que se tornou a internet brasileira nos últimos anos.

 

Me inspirei para esse texto ouvindo ao episódio “This Is America, Critica e um Pouquinho de Quadrinhos” do podcast HQ Sem Roteiro Extra” do meu amigo PJ Brandão




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