O Sistema Educacional e o indivíduo PCD – Por

IMAGEM RETIRADA DO SITE DO SINDICATO DOS SERVIDORES DAS JUSTIÇAS FEDERAIS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (http://sisejufe.org.br)

Fonte: Expresso  Livre 

Sabemos todes que o sistema educacional sempre encontra muitas dificuldades de lidar com o público com deficiência principalmente por falta de verba, pouco conhecimento sobre algumas deficiências e especificidade de algumas delas mas hoje percebo algumas diferenças positivas em relação ao tempo que estudava nos ensinos básico e fundamental.
Sempre fui bolsista no ensino particular e nunca houve nenhuma proposta inclusiva que me acolhesse na escola além da econômica proveniente da bolsa em troca de boas notas e comportamento exemplar, como alguns dos outros bolsistas do colégio que eram regulares, pessoas sem deficiência.

 

Apesar do despreparo principalmente de teor físico, espacial, que é geral em todos os lugares, vejo uma vontade legítima de melhora entre os profissionais e alunos. Hoje consigo perceber que há mais compreensão por parte de grande parte dos alunos, principalmente sobre os casos mais graves ou menos normativos. Isso se deve ao árduo trabalho interno de equipe entre professores e administração e às políticas de inclusão que são pequenas e possuem poucas vagas mas são cada vez mais importantes.

A presença de pessoas pcd em colégios comuns além de naturalizar as diferenças, desmistifica muitos problemas que as pessoas colocam como obstáculo de sociabilização. Claro que de educação direcionada a estes alunos é essencial para uma verdadeira inclusão com aprendizado eficiente mas prefiro pensar que a sociabilização destas crianças com as comuns é o que de fato importa para toda uma sociedade saudável.
Eu hoje sou professora concursada de um colégio público no Rio de Janeiro com muitos desafios diários mas quando eu penso que nunca tive um professor com deficiência e que isso nunca foi questionado por ninguém sinto uma estranheza.
Na minha escola, além de mim, temos mais outros dois excelentes professores com deficiência: Engajados, proativos e profissionais como todos os outros. E nossos alunos, inclusive os que também tem deficiências, vêem essa representatividade e entendem que é possível e estamos lá para informarmos todo o necessário para eles sobre o assunto, sem tabu nenhum, e as políticas afirmativas foram muito importante para que isso fosse possível
Além disso, temos vários projetos maravilhosos como o Solyra que leva música aos alunos com deficiência através da maravilhosa Amanda Lyra e sua voz, violão e coragem. Às vezes o mundo parece tão nublado mas se você olhar com bastante atenção pode ver uma estrela obstinada brilhando lá atrás das nuvens.

Nesse texto quero homenagear algumas mulheres importantes nesse meu caminho de aprendizado diário em brilhar diante das adversidades. Primeiro e antes de qualquer coisa à minha mãe, Ana Paula, que sempre acreditou que era possível e luta todos os dias ao meu lado mostrando que com persistência e sorriso no rosto é possível mudar um mundo por dia.

 

À Amanda Lyra, minha inspiração de obstinação e arte que faz tudo ser possível. À Fernanda Lima, amiga de função e apoio de luta diária que com as lindas palavras da língua portuguesa e muita delicadeza e perspicácia move as mentes de adolescentes agitados na escola comigo. E à Alessandra Karina que com toda dedicacao e paciência me ensina a lidar com meus queridos alunos que não cabem neste sistema.  Quero concluir dizendo que a deficiência não faz de ninguém super herói e nem pode ser sinônimo de superação pois queremos somente as oportunidades de vida íntegra como qualquer pessoa deveria ter. Não é por isso que agradeço a elas. Agradeço por ver o brilho por trás das nuvens.

Ana Carolina Senos - Pessoa com deficiênciaPor Ana Carolina Sênos é Mestranda em Direitos Humanos e Política Públicas pela UFRJ, Graduada em Artes Visuais pela UERJ, militante feminista, bissexual, não monogâmica e pessoa com deficiência que faz do cotidiano na escola pública que leciona artes um ato político diário.

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